GRANJA

História - Município localizado na Mesorregião do Acaraú, constando como um dos mais antigos redutos povoados e de maior extensão territorial da Capitania. Seus primitivos limites abrangiam vasta extensão territorial, compreendendo praia, sertão e serranias, nesses incluídos regiões lacustres, salgados, áreas costeiras, ilhas sedimentárias, várzeas, serrotes, vertentes, rios periódicos, solos profundos e argilosos, solos rasos e impermeáveis, solos pedregosos, tipos de vegetação arbustiva e esparsa, além de remanescentes florestais driáticos cuja existência se acha em fase de extermínio. Granja foi no passado aquilo que no presente diz-se, popularmente: Fui feliz e não sabia!...

Primitivos Limites - Consignavam-se dentro da seguinte configuração: a) - faixa litorânea - estendia-se do Distrito de Amarração (Luiz Correa no Piauí) aos extremos Norte do Acaraú, envolvendo Camocim e Chaval; b) - zona central - Distritos de Riachão (Uruoca), Angica (Martinópole), Palma (Coreaú), Barroquinha (cidade), Ubatuba (Ibuguaçu), São Miguel ((Pessoa Anta), Parazinho, Ibuaçu e Pitimbu; c) - referenciais orográficos - Cordão do Brejinho ao Sítio do Inocêncio Aragão (banda Oeste), Boqueirão do São José, Serra das Formigas, Serra das Flores, Morro dos Araçás, Serra da Vereda, Morro do Irapuá, Serra da Timbaúba, Serra do Antônio Luiz e Serrinha de D. Simão, compreendendo Sudoeste, Sul e Sudeste em suas divisões com outros Municípios, além da Cadeia do Covão, abrangendo do Pico da Pirapora na Ubatuba ao Pitimbu na região central.

Estrutura Fundiária - Vasto geografica e geologicamente diversificado, despovoado, esse imenso território não poderia escapar à cobiça aventureira dos investidores na bovinocultura, tão logo se abriram as munificentes portas cujos gonzos romperam-se através das Sesmarias. Dessas régias doações, contendo três léguas de frente por uma de fundo, constaram os seguintes lotes:

01 - D. Simão de Vasconcelos - Riacho Ibuaçu - 1706;

02 - Catarina Ribeiro de Moraes - Iapara - 1706;

03 - Rodrigo da Costa Araújo - Ribeira do Coreaú - 1706;

04 - Ignácio Machado - Riacho do Una - 1706;

05 - Ignês Pacheco - Riacho do Una - 1706;

06 - Victória Rodrigues Câmara - Riacho do Una - 1706;

07 - Úrsula Rodrigues Câmara - Riacho do Una - 1706;

08 - Rodrigo da Costa - Salgado do Apecuí - 1706;

09 - D. Catarina do Lago - Apecuí - 1706;

10 - João De Barros Braga - Apecuí - 1706;

11 - João de Almeida - Apecuí - 1706;

12 - Miguel Machado Freire - Jaguarassuí - 1706;

13 - Domingos Machado Freire - Jaguarassuí - 1706;

14 - José Machado Freire - Jaguarassuí - 1706;

15 - Padre Assenso Gago - Riacho Ibuaçu - 1706;

16 - Ignácia Machado - Ribeira do Timônia - 1706;

17 - Ignês Pessoa - Ribeira do Timônia - 1706;

18 - Victória Rodrigues Câmara - Timônia - 1706;

19 - Úrsula Rodrigues Câmara - Timônia - 1706;

20 - Francisco Alberto Delquintelar - Ubatuba - 1706;

21 - Maria de Sousa Crespo - (sobra) - Tiáia - 1706;

22 - Custódia de Mendonça Cabral - (sobra) - Tiáia - 1706;

23 - Domingos de Freitas Caldas - Parnaíba - 1706;

24 - Rodrigo da Costa Araújo - Pirangi - 1706;

25 - Manuel Geraldo da Costa - Pirangi - 1706;

26 - João da Motta Pereira - Lagoa da Curimatã - 1708;

27 - Alexandre de Albuquerque - Lagoa da Curimatã - 1708;

28 - Manuel Dias de Carvalho e o sócio Félix Coelho - Rio Camocim (Coreaú) - 1708;

29 - Miguel e José Machado Freire - Riacho Groaíras - 1708;

30 - Torquato da Rocha Ferreira - Aguaipinima - 1708;

31 - João de Sá e Leonardo Correa - Tucunduba - 1716;

32 - Manuel Dias de Carvalho e Francisco Carneiro - Tabainha e Pindaré - 1717;

33 - Pedro da Rocha Franco - Putiú (Timônia) - 17l7;

34 - Manuel Dias de Carvalho e Francisco Carneiro - Sítio Pindaré - 1718;

35 - José e Joaquim da Costa - Lagoa da Sambaíba - 1718 -

36 - Padre Assenso Gago - Serra da Ibiapaba - 1718;

37 - D. José de Vasconcelos (Mestre-de-Campo) - Riacho Tapy - 1718;

38 - Domingos Ferreira Veras - Ubatuba e Camurupim - 1719;

39 - Domingos Ferreira Veras - Ubatuba - 1719;

40 - Pedro da Rocha Franco - Timônia - 1719;

41 - Domingos da Costa Araújo - Mocambo - 1721;

42 - Domingos da Costa Araújo - Sambaíba - 1721;

43 - João Neto e Antônio Carvalho - Carnaúba Furada - 1721;

44 - Pedro Alves Carneiro - Riacho do Una - 1722;

45 - Antônio Ferreira da Apresentação - Igarapé da Lagoa - 1722;

46 - Aurélio Linhares - Riacho Panacuí - 1723;

47 - Thomaz Ferreira Veras - Camurupim - 1723;

48 - Pedro da Rocha Franco - Uruoca e Morro do Chapéu - 1723;

49 - Domingos, José, Miguel e Ignácio Machado Freire (irmãos) - Ilhargas do Coreaú, compreendendo Cacimba do Serrote da Tiáia - 1724;

50 - Manuel Alves Quaresma e Susana Alves - Ipueiras - 1724;

51 - Padre Francisco de Lima - Cabeça do Boi, compreendendo da ponta da Serrinha de D. Simão ao Boqueirão do Quatiguaba - 1726;

52 - Manuel Dias de Carvalho e Bernardo Fonseca de Albuquerque - Ilhargas do Rio Coreaú - Enjeitado e Imbueiras - 1729;

53 - Thomaz Ferreira Veras - Timônia e Barroquinha - 1732;

54 - João de Brito Figueiredo - Lagoa do Biroaba - 1748;

55 - Domingos Machado Freire - Camboa - 1750;

56 - Domingos Machado Freire - Jaguarassuí e Angica - 1751;

57 - Domingos Ferreira Veras - Riacho Ubatuba e Riacho Boqueirão - 1751;

58 - Domingos Ferreira Veras - Camurupim - 1751;

59 - Domingos Ferreira Veras - Barra do Igaraçu e Riachão - 1751;

60 - Domingos Pinto Machado - Jaguarassuí e Riachão - 1753.

Além dessas Sesmarias, outras cessões ocorreram, dentre estas as seguintes.

 

Pedro da Rocha Franco

01 - Sítio Santo Antônio - Ibuaçu;

: 02 - Riacho de Dentro;

03 - Irapuá;

04 - Sambaitiba;

05 - Ubari -

06 - Riacho de Baixo;

07 - Fazenda Riacho;

08 - Fazenda Timônia;

09 - Riacho de Dentro;

10 - Fazenda Saraiva;

11 - Itaúna, Extrema e Várzea dos Angicos.

 

Joaquim Abreu Valadares

Não constam referências.

 

Agostinho de Brito Passos

Não constam referências.

Não obstante as repetições, em que vários quinhões foram atribuídos ao mesmo beneficiário, deve-se ressaltar o fato segundo o qual se tem no assentamento de fazendas a individualidade patrimonial, proporcionando ao Município um dos mais nutridos contingentes bovinos. Em termos de povoamento, predeterminadamente organizado, tem-se como precursor o padre Ascenço Gago, removendo Tapuias então assentados na Serra da Tabainha e realdeando-os no lugar Cruz ou Rio da Cruz (1706), de onde mais tarde se formaria a povoação chamada de Macaboqueira (maus caboclos).

Vale ressaltar, no entanto, que em já existindo o lugarejo Cruz ou Rio da Cruz, conforme acima se infere, moradores não Índios habitavam o local pelo menos desde 1702, ano em que Miguel Machado Freire e o irmão Domingos Machado Freire obtiveram, por Sesmaria, cinco léguas de terras na margem oriental do Rio Coreaú o que pressupõe como limite desta última referência o já citado Rio da Cruz ou local onde teriam se realizado os primeiros assentamentos brancos. Em termos conclusivos, afigura-se-nos o pressuposto segundo o qual o realdeamento tapuia teria ocupado a banda oeste da emergente povoação, considerando ainda, o anterior estabelecimento de fazendas na área ocidental do mesmo Rio Coreaú, tendo como pioneiros baianos e portugueses.

Evolução Política - A elevação do povoado à categoria de vila tem como instrumento de apoio o Alvará Régio, cuja expedição consta das seguintes datas: a) - 26, 27 e 29 de junho de 1976: b) - 27 e 29 de julho do mesmo ano. A data de instalação, segundo refere nota consignada em Datas e Fatos - Studart - Pág. 342, consta como tendo sido a 17 de outubro de 1776, o que razoavelmente combina com o período transitório entre Lisboa e a recém-criada Vila, ficando sem efeito a data anteriormente descrita pelo autor (História do Ceará). Sua elevação à categoria de Cidade ocorreu segundo Lei Provincial nº 602, de 3 de novembro de 1854.

Igreja - As primeiras manifestações de apoio eclesial constam da divisão do Curato do Acaracu (Acaraú), em quatro Freguesias, pelo Bispo de Olinda, D. Francisco de Xavier Aranha, situando uma delas na Ribeira do Coreaú, cujo sediamento tem como referência a povoação de Macaboqueira (30-08-1757). Essa Freguesia, pelo menos até que houvesse condições de funcionalidade, teria como sede provisória a Capela de Santo Antônio de Pádua do Olho d’Água (Arakém), com edificação posterior na Vila de Granja.

 

Matriz de São José - Como instrumento de apoio à futura Matriz de São José, criou-se inicialmente a Irmandade do Santíssimo Sacramento, evento que se registra a 9 de setembro de 1757. A Freguesia, instituída segundo Provisão do Bispado de Pernambuco, data de 5 de dezembro de 1757, tendo como patrono São José.

O patrimônio eclesial, constante de meio quarto de légua, de frente por uma de fundo e a começar da Pedra Grande, data do ano de 1759, tendo como doadores o Tenente Francisco Ribeiro de Sousa e sua Mulher D. Luíza da Mota Pereira. Neste patrimônio, edificou-se a Igreja-Matriz de São José, cuja inauguração mantém a data de 8 de setembro do mesmo ano.

Economia - Divide-se basicamente em dois períodos. No primeiro, quando o Município se estendia dos limites praianos do Acaraú ao Delta do Parnaíba no Piauí e o segundo a partir da sucessão de áreas destinadas à formação de novas comunas.

No primeiro caso, predominavam a pecuária, a courama, a produção salineira, a pesca marítima, a indústria do charque, a produção de rapaduras e de aguardente, a cultura algodoeira, cera de carnaúba, tecelagem artesanal e o entreposto de exportação e importação, envolvendo produtos regionais e mercadorias originárias de Portugal.

 

No segundo, fundamenta-se basicamente na cera de carnaúba, na pecuária, na produção de oiticica e na agricultura de subsistência, além do comércio exportador e de consumo regional, destacando-se neste último o tecido em grosso e varejo.

No tocante aos referenciais subsidiários, em termos de valores retributivos, tem-se no Poder Público o quanto seria possível e coerentemente justo ao seu porte de Município.

Topônimo - O nome atual, atribuído por ocasião de sua elevação à categoria de Vila provém de locativo homônimo existente em Portugal (Aragão - História - Vol. I - Obr. Cit.- 3º Ed. Pág. 373/79 - Enc. I.B.G.E. - Obr. Cit. Pág. 235/241)