Testemunhos |
| Testemunho de Roberto Lopes - Atleta do vôlei de Praia |
| Começo da carreira: Filho do Pastor Airton Evangelista da Costa. Com 7 anos de vôlei de quadra sem patrocínio, nem perspectivas em pleno Nordeste, um dia, lá pelo ano de 87, Roberto Lopes e Franco decidiram partir para uma nova modalidade: o vôlei de praia. No começo, sem compromisso nem qualquer responsabilidade. Em 89 aconteceu o Brasilit Cup, envolvendo equipes do Norte e Nordeste do país. | ![]() |
| O torneio dava uma vaga para o mundial de 90. Lá foram eles e emplacaram o 3º lugar. Desde aquela época, o esporte tornou-se mais sério em suas vidas... intercalado com as baladas comuns e da pesada. Roberto e Franco foram para as Olimpíadas de Atlanta como favoritos. Voltaram para casa ocupando o 9º lugar no ranking. Batalharam e em outubro de 96 já haviam traçado o Campeonato Brasileiro e o Mundial. Neste Papo de Craque o Roberto Lopes fala de sua carreira, de seu encontro com Cristo e de sua vida depois dele. Confira cada lance! | |
| Vôlei de praia O clima na praia é de vale tudo: muita rixa e disputa na areia. Fora dali, nada disso acontece. Existe amizade mas testemunhar é muito difícil. É um pessoal muito interessado em vitórias e dinheiro. |
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| Para ser bom Treinamos umas 6 horas diárias. A preparação envolve parte física, técnica (fundamentos do vôlei de praia) e musculação. |
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| Jesus e a dor Religião para mim sempre foi uma coisa familiar. Eu era católico. Mas Jesus era um estranho. Não conhecia a presença d'Ele. Conheci-O durante a doença de minha mãe. Eu participava das reuniões de oração que aconteciam, mas não me envolvia. Um dia fui deixar um irmão em casa e, no caminho perguntei como se fazia para aceitar Jesus. Entreguei minha vida a Jesus naquela carona mesmo. Minha mãe morreu, mas fiquei tranqüilo. Pensava: ainda bem que aceitei Jesus. Não senti desespero porque sabia que ela estava com Deus. Minha conversão foi pela dor. Muitas pessoas esperam a dor para aceitar Jesus. |
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| Deus soltou corda A princípio não fui para uma igreja. Fiquei sozinho. Não tinha força para testemunhar nem para mudar. Não sabia o que fazer. A 1ª vez que usei um boné de Atletas de Cristo ouvi um conselho de um amigo: sai dessa, cara! Passei 2 anos sem correção. Deus soltou a corda... Fiquei aquele tempo sem disciplina, sem discipulado. Faltava libertação. Ouvia vozes. Não procurava conhecer a verdade, não lia a Bíblia. Sempre que sentava para lê-la, aparecia um pensamento ou algo para fazer que roubava minha atenção. Também não conseguia orar nem 2 minutos. Não conseguia orar por alguém. Eu era um alvo fácil para o Supertraíra. |
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| Todos meus colegas já ouviram de Jesus De 6 meses pra cá tenho ouvido a verdade. Tenho lido a Bíblia e livros cristãos. A verdade me liberta das mentiras de Satanás, do medo, do sentimento de fracasso. De coração liberto, fica mais fácil obedecer a Deus. A oração também tem sido importante. Tenho tido mudanças de dentro para fora. Tenho escolhido não fazer as coisas erradas que fazia... Dentro do vôlei, todos os colegas já ouviram de Jesus. Eles vêem a mudança na minha vida e até pedem conselhos. Tenho testemunhado através de boné, folhetos, mensagens. Nunca senti tanta alegria como agora. Estou sendo guiado por Deus. |
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| Todos meus colegas já ouviram de Jesus | |
| De 6 meses pra cá tenho ouvido a verdade. Tenho lido a Bíblia e livros cristãos. A verdade me liberta das mentiras de Satanás, do medo, do sentimento de fracasso. De coração liberto, fica mais fácil obedecer a Deus. A oração também tem sido importante. | |
| Tenho tido mudanças de dentro para fora. Tenho escolhido não fazer as coisas erradas que fazia... Dentro do vôlei, todos os colegas já ouviram de Jesus. Eles vêem a mudança na minha vida e até pedem conselhos. Tenho testemunhado através de boné, folhetos, mensagens. Nunca senti tanta alegria como agora. Estou sendo guiado por Deus. | |
| Libertação no Congresso 96 Cheguei meio desconfiado. Sentia vergonha de louvar. Achava que todo mundo me olhava. O Supertraíra me intimidava. Eu estava numa espécie de prisão que me fechava e me levava para o fundo. Aí pintou aquele versículo na minha mente: resisti ao diabo e ele fugirá de vós... Venci. Não importa se canto bem, se tenho ou não uma boa voz. Canto pra Deus. Eu O Louvo... Isso foi libertação! |
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| O futuro Sei que Deus está preparando algo especial. Se o Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Meu futuro é a conversão de toda minha família. Oro por meus filhos gêmeos de 2 anos, pela faculdade deles, por suas futuras namoradas, pelas amizades que eles vão ter... Uma coisa eu sei: o reino de Deus me dá muito mais que o reino do mundo. Chegar lá sabendo que Deus abriu as portas é muito melhor do que conseguir todas as coisas na vida lutando sozinho. |
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| O pedido de oração Que a vontade de Deus se cumpra na minha vida. |
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| O recado Mesmo que eu passe por dificuldades, pela morte até, terei a Quem recorrer. Deus estará ali comigo. Penso naquele versículo: ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo: a Tua vara e o Teu cajado me consolam (Salmo 23:4). Entrevista concedida a Christina Domene para o Jornal Atletas de Cristo
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CINQÜENTA ANOS SEM JESUSPr Airton Evangelista da Costa
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| Por muitos anos, a meu modo, resisti ao mal, procurando viver uma vida pura: sem ódio, sem inveja, sem maldade. Todavia, a semente do mal estava em mim, pronta para germinar. Eu não sabia o que era “pecado original” ou “natureza pecaminosa”. Considerava-me bom e julgava que esse era o caminho, o único caminho. Também não pensava muito nessa história de salvação da alma, de vida eterna. Dos meus lábios nunca saíram palavras de adoração a Deus. Recorria a Ele nos momentos difíceis. E, por incrível que pareça, Ele me livrou algumas vezes da morte. A graça comum me alcançou. Muitíssimo pouco conhecia da Pessoa do Senhor Jesus. O Espírito Santo era uma Pessoa completamente desconhecida. | |
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Navegava no mar da vida como um barco ao sabor das ondas e dos
ventos, sem leme e sem comando. Nutria, porém,
um grande desejo de conhecer o desconhecido: donde vim, para onde
vou; qual o sentido da vida; qual a razão da existência do mundo, dos
homens, de tudo.
Em busca de respostas procurei conhecer o espiritismo. Adquiri O
LIVRO DOS ESPÍRITOS, de
Allan Kardec. Quando via pela televisão as curas espirituais e
fatos
mediúnicos, fica mais animado a creditar mais e mais nessas
doutrinas.
Na minha mocidade,
andei enamorado do
Rosacrucionismo. Por alguns meses, recebi periodicamente as
apostilas da Ordem, e uma vez por semana, de avental branco
sentava-me
diante de um espelho, ladeado por duas velas, para ler e meditar.
Em duas oportunidades freqüentei um terreiro, não sei se de candomblé ou umbanda. A primeira vez por curiosidade. Ali presenciei manifestações demoníacas das entidades “pomba-gira”, “exu-caveira” e “preto-velho”. Vi e ouvi o dono do terreiro entregar seus filhos aos cuidados dessas entidades, porque estava próximo o Carnaval e muito sangue seria derramado, conforme sentenciou um dos “espíritos”. Certa vez conversei demoradamente com uma entidade chamada “cigana”, e fiz-lhe várias perguntas. Desconhecia o perigo a que estava me expondo. |
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A
outra oportunidade foi quando uma adolescente que morava em minha casa
– eu já era casado
e com idade de 27 anos – ficou possessa, e me aconselharam a
levá-la a um terreiro.
Diziam que o espírito que nela estava era de um colega
estudante, que falecera dias antes.
Fomos à macumba: eu, a minha primeira esposa (hoje na glória) e
um amigo
maçom e espírita. Muito estranho aquele ambiente. Pouca iluminação,
um ar pesado,
o macumbeiro fumando um
cachimbo.
Colocaram a jovem no centro da sala. Ao seu redor fizeram um círculo
com pólvora.
Cânticos, passes, pólvora queimada, e etcetera e tal.
Nada disso adiantou. Hoje eu sei que demônio não expulsa demônio.
Antes, um médico examinou a jovem e disse que sua doença não
podia ser resolvida pela medicina. Desconhecia a causa da enfermidade.
A manifestação era simples: ela ficava com as mãos fechadas, o
corpo rijo, sem falar.
Julguei que ela estivesse curada após a visita ao centro. Ao
retornar à minha casa,
o demônio voltou a se manifestar.
Nunca presenciara tal fato. Não sabia o que fazer. Tinha medo de
tudo aquilo.
A quem apelar?
Eu e minha mulher éramos totalmente inexperientes
em casos dessa natureza.
Acordo
com o diabo
Aguardaríamos o dia seguinte para decidirmos o que fazer.
A noite foi de preocupação e medo.
Sem saber, eu estava com um hóspede poderoso, mas não
todo-poderoso; cruel, assassino e sanguinário. De vez em quando ia até
à cama onde estava a jovem, no quarto contíguo ao meu, para dar uma
espiada. Numa dessas visitas, notei que o demônio havia voltado. Sabia
disso porque ela ficava com as mãos fechadas, os olhos abertos como em
transe, e não dizia uma só palavra.
Então,
reuni todas as minhas forças e o pouco de coragem que restava e resolvi
enfrentar o “espírito”. Comecei a conversar com ele mais ou menos
assim:
- Olha o que você está fazendo com essa jovem!
Você está maltratando o corpo dela, prejudicando a sua vida.
Uma vez que você já morreu, você deverá se convencer disso e seguir
para o seu mundo espiritual.
Vou rezar três ave-marias e três pai-nossos. Após a reza,
contarei até três e então você vai embora. Combinado?
Ela (ou ele), balançando a cabeça,
selou o acordo. De fato, o “espírito” saiu e eu fui dormir
aliviado.
Qual não foi a minha surpresa quando, no dia seguinte, manhã
cedo, a jovem moça, de uns 15 anos,
voltou a ser possuída pela entidade. Lembro-me bem. Dei-lhe uma
revista para ler na esperança de que se ela ficasse com a mente ocupada
o espírito não se aproximaria. Não adiantou.
O “pai da mentira” quebrara o acordo. Novo
encontro Abro um parêntese nessa história para dizer que trinta anos depois eu tive novo encontro com os demônios. Desta vez em situação bem diferente. Eu já conhecia as suas artimanhas. Sabia que o diabo é o maior inimigo de Deus e dos homens. Agora, eu possuía uma arma mais que poderosa; eu podia usar o poderoso NOME DE JESUS, que me outorgou poderes através de uma procuração registrada no cartório do céu e publicada na Bíblia Sagrada, conhecida e reconhecida em todo o mundo, e que está no Evangelho Segundo São Marcos capítulo 16, verso 17: “EM MEU NOME EXPULSARÃO DEMÔNIOS”.
Aconteceu esse encontro numa noite, provavelmente no ano de 1996.
Eu passara uma hora dando o meu testemunho, falando exatamente dessas
coisas, de como aceitei a Jesus, meus 50 anos sem Jesus, e outras coisas
mais. Ao final, pedi que se aproximassem as pessoas interessadas em
receber oração. Em primeiro lugar, veio uma mulher de uns 55 anos. Fiz
a imposição de mãos, e logo o demônio se manifestou. Confesso que
fiquei surpreso, mas não amedrontado. Aquela era a primeira vez que o
diabo aparecia à minha frente, depois da minha conversão.
Mas agora eu não iria dialogar, fazer acordos com ele, entrevistá-lo.
Coloquei a mão na testa da mulher e, em alta voz, ORDENEI que ele saísse,
em nome de Jesus. Ele ainda estrebuchou, balbuciou algumas palavras
inteligíveis... e foi-se.
Glória a Deus!
Depois foi a vez de uma crente que estava afastada do Caminho. Um
demônio mais uma vez se manifestou.
Ela apresentou ânsia de vômito, um quadro que eu não conhecia.
Expeli o intruso em nome de Jesus.
Voltemos ao caso da jovem.
Resolvemos entregá-la a seus pais, residentes em São Luís,
capital.
Soube depois que ela estava freqüentando um “adiantado”
centro espírita”.
Curioso, ingressei na Maçonaria, mas não passei do “Grau de
Mestre”, o terceiro grau. O maior grau é o trinta e três. Participei
também do Rotary Club. Esses fatos ocorreram em uma cidade pequena do
interior do Maranhão, e corria o ano de 1968. Eu
e o rio
Nos primeiros 5 anos de casado, de 1963 a 1970, passei por
algumas
dificuldades com dívidas e doenças na família.
Também perigos de morte na infância e idade adulta. Certa vez,
com idade de 5 anos, fui atraído pela beleza do rio Barra Nova, em Caicó
(RN), minha cidade natal. A correnteza era forte. Eu estava só. Era
tardinha. Eu e o rio. Senti o desejo de escorregar por uma pedra à
margem e tomar um gostoso banho. Presenciara muitos garotos da minha
idade ou mais velhos fazendo aquilo. Deveria ser gostoso. E assim fiz. A
água foi subindo, subindo, enquanto eu procurava firmar meus pés no chão.
Com água na altura do peito, comecei a me afastar da pedra, meu
ponto de apoio; a minha segurança. A correnteza à margem não era tão
forte, mas o bastante para arrastar meu corpinho.
Reuni todas as minhas forças e consegui vencer a distância até
a pedra, quem sabe a distância entre a vida e a morte. Eu estava só? Não.
Aquele que disse “deixai vir a mim as criancinhas” não permitiu que
o rio me levasse. Uma
passagem perigosa
Era noite e chovia a cântaros na capital ludovicense.
No caminho, trilhos por onde um trem urbano passava. E por
coincidência, eu, no meu fusquinha, estava no caminho do trem.
Os vidros do fusquinha estavam fechados e embaciados por causa da
água. Quase impossível era ouvir o apito de advertência do
maquinista.
Alguns obstáculos no asfalto forçaram-me a quase parar em cima
dos trilhos. Minha esposa, ao meu lado, falou que estava vendo uma luz
forte vindo em nossa direção. As mulheres são, de fato, muito
observadoras. Não será o trem?, indagou ela. E era. Calmamente, sem
ainda avaliar a extensão do perigo, engatei a ré e afastei-me dos
trilhos. Um segundo depois o trem passava próximo ao pára-choque do
meu veículo.
Uma terceira Pessoa estava viajando comigo. A graça comum do Altíssimo
derramou-se sobre mim naquele momento. Eu
e o abismo
Sem muita experiência no volante, iniciei uma viagem do interior
para a capital, no Maranhão, com a família (Zélia, minha esposa;
Airton Júnior, Roberto Lopes, Lívia Cristina). Conosco também meu
sobrinho Humberto.
Iniciei a viagem logo depois do almoço. Duas horas mais tarde,
dormi ao volante. O carro lentamente virou para direita onde havia um
acentuado declive. Acordei com a pergunta assustada de Humberto: O que
é isso tio?
Ainda houve tempo de controlar o veículo e reconduzi-lo à
estrada.
Estávamos sós?
Deus tinha um plano para Humberto, hoje pastor Batista em Brasília,
e para mim, humilde servo do Senhor. Eu
e o Amazonas
Não me lembro se em 1976 ou 1977. Nas férias de julho fomos, eu
e minha família, passar uns dias em Alenquer, cidade do baixo Amazonas,
do Estado do Pará. Até Santarém, fomos de avião. De Santarém a
Alenquer, de barco. Muitas vezes fiz essa travessia sem problemas, no
período de dois anos e meio em que trabalhei no Banco do Brasil.
O barco desliza sobre o rio Tapajós, num pequeno trecho, depois
enfrenta o Amazonas, atravessando-o de ponta a ponta. Entramos no barco
às 21 horas, armamos nossas redes (eu, Zélia, e os três filhos
menores). A viagem duraria umas sete horas. Lá pelas duas horas da
madrugada, começou uma tempestade com vento e chuva. O barco balançava
muito. A água da chuva e das ondas encrespadas banhavam o convés e as
redes mais próximas das laterais.
Vi pessoas equipadas com coletes salva-vidas. Corri para apanhar
alguns, mas o estoque acabara.
Tantas vidas se perdem por falta desse acessório indispensável
nas embarcações.
Sabia que vários barcos já haviam afundado naquelas águas
revoltas. Meus filhos dormiam sem se darem conta da situação. Eu e
minha mulher estávamos acordados e indefesos.
O próprio dono da embarcação assumiu o comando, dada a situação
emergencial.
Éramos navegantes de um barco de pouco mais de trinta metros de
comprimento, sem recursos tecnológicos de qualquer natureza; sem
comunicação com o mundo; sozinho, perdido na escuridão da noite,
debatendo-se
no
rio mais caudaloso do mundo.
Meus filhos continuavam dormindo. Nunca me lembrei de
perguntar-lhes o que eles sonhavam, e se sonhavam. Estávamos em viagem
de férias. Um casal amigo nos esperava em Alenquer. Não havia tempo
para murmurações, para a lógica, para deduções, pelo menos para
perguntar a mim mesmo algo como “o que é que estou fazendo aqui?”
Nesses momentos só pensamos
em salvar nossas vidas. Que bom seria se os homens meditassem
sobre a imperiosa necessidade de serem salvos da morte eterna!
Lembrei-me de Deus e comecei a orar, aliás, a rezar. Eu não sabia
conversar com Deus. Oh! por que não me ensinaram a falar com o Pai?
Mas Ele me ouviu assim mesmo. Não estávamos completamente
desamparados naquele barco. Ele, Jesus, estava na fornalha comigo.
A tormenta passou depois de umas duas horas de sufoco.
Meus filhos acordaram manhã cedo, quando os primeiros raios do
sol começaram a beijar as nuvens no céu... Do
Egito para Canaã
Como vimos, em várias ocasiões a misericórdia de Deus me alcançou,
como o sol que ilumina ímpios e justos, ou como a chuva que cai sobre
todos. Todavia, o meu coração não era do Senhor Jesus. Em tempos difíceis
eu recorria a Deus; passada a tormenta, dEle me esquecia. Fraco,
desprovido da armadura de Deus, sem fé, sem conhecimento da Palavra,
tornei-me presa fácil do diabo.
Sem perceber a situação ao meu redor,
comecei a gostar de bebida alcoólica. De início, bebia
“socialmente”; depois, nos fins de semana e feriados. As minhas
atividades externas de auditor permitiam que me ausentasse da família
por períodos de até 30 dias.
Impossível evitar o pecado do adultério nessas condições.
O diabo estava assumindo o controle de minha vida. Sem que
soubesse, eu estava sob as ordens dele. Hoje, ele ouve a minha voz e me
obedece quando uso o nome de Jesus.
Eu não tinha a menor idéia de como seria a minha travessia; se
haveria travessia; porque a travessia; para que a travessia... mas Deus
estava preparando a minha passagem pelo deserto até a terra de leite e
mel. Eu
e a dor
Minha mulher, Zélia,
começou a sentir dores no estômago. Durante uns dois anos
consultou médicos e fez exames sem que o mal fosse diagnosticado.
Depois, o resultado: câncer. Sem êxito a operação a que se
submeteu para extrair parte do estômago. Uma extensa área já havia
sido infestada pela maldita doença. “INOPERÁVEL” – Esta palavra
até hoje soa nos meus ouvidos. Foi como um tiro no meu coração. Difícil
é não voltar a sentir as mesmas dores e derramar novas lágrimas ao
relembrar aquele momento.
O médico responsável pela cirurgia me chamou.
Zélia ainda estava na mesa de cirurgia.
Ele disse de forma seca e profissional: - Inoperável.
Nada mais a fazer. Agora, viriam os tratamentos para aliviar as
dores e prolongar a vida da paciente.
Comecei a caminhar no meu deserto. Por algum tempo só eu e o médico
sabíamos da gravidade do problema, o que aumentava meu sofrimento.
Então – perguntava eu – para que serve a ciência?
E o meu plano de saúde?
E a Medicina?
E os remédios?
Eu me senti um trapo, um inútil, um sujo, um imundo diante de
Deus.
A partir desse momento, comecei a buscar a Deus todos os dias,
horas e minutos. Chorava, gritava, clamava, pedia, orava.
Dizia: Senhor, o pecador sou eu, o traidor sou eu, então tira a
minha vida; eu dou a minha vida para que ela viva. Como eu sofro e choro
ao relembrar esses momentos difíceis, mas, hoje eu sei, necessários à
minha conversão.
Quantas vezes tive que chorar escondido de Zélia! Não há como
descrever todos os lances de angústia, dor e desespero. Arrependimento
Os valores do mundo morreram para mim. Reconhecia agora a
fragilidade de minha vida espiritual. Longos anos passei pensando apenas
no meu corpo. Agora eu sentia o gemido da minha alma. Eu, de fato, era
um miserável pecador. Como num filme de terror, passavam por minha
mente as minhas transgressões e me dilaceravam. Cortavam-me como
navalhas.
Por meses e meses chorei amargamente. Não quis dividir com mais
ninguém a minha dor. Eu e Deus, nós dois, juntos, caminhando no
deserto. Uma
porta aberta
Numa determinada noite eu saí com o desejo de recolher-me numa
igreja para ficar a sós. Desejava sentir a presença de Deus; que Deus
me ouvisse. Iria encontrar-me com Ele até nas profundezas do mar.
Passei por um templo da Igreja Católica, mas estava fechado.
Procurei outro na rua Desembargador Moreira, também fechado. Resolvi
seguir para casa. Zélia me esperava. No caminho, na rua Padre Antonio
Tomás, bairro Aldeota, em Fortaleza, Ceará, avistei à minha esquerda
um salão bem iluminado, e, na calçada, algumas pessoas portando bíblias.
Hoje eu sei que foi o Espírito Santo que virou a minha cabeça
em direção àquele lugar.
Parei o carro, atravessei apressado
a avenida e comecei a subir os degraus do templo da
Igreja Batista Alvorada.
Não pude falar. A mulher do pastor veio ao meu encontro. Logo, várias
pessoas me cercaram. Eu apenas balbuciei: Minha mulher está com câncer.
Fui pedir socorro para Zélia, mas eu também estava precisando
de tratamento urgente. Deus sabia disso. Há quantos anos eu não
entrava numa igreja evangélica?
Há uns trinta, talvez. Deram-me uma Bíblia de bolso, o melhor
presente que recebi nos últimos 50 anos. Contei
tudo a Zélia. Conversão
No culto oficial de louvor a adoração, num domingo, quase não
esperei o pastor concluir o convite; corri
e disse resoluto: Eu quero aceitar Jesus como meu Senhor e
Salvador.
Após uma semana, foi a vez de Zélia entregar sua vida a Jesus.
Batismo
Alguns meses depois descemos às águas, eu e Zélia.
Impossível esquecer aquele momento. Nós dois molhados, abraçamo-nos
demoradamente no púlpito. Ela estava linda! A glória de Deus estava
naquele lugar. Esquecemos a doença, a dor, o sofrimento. Era como se
estivéssemos ganhando a liberdade, qual borboleta ao sair do recipiente
escravizante. As palavras não podem descrever tamanha emoção, tamanho
júbilo.
Com sede e fome da Palavra, iniciei imediatamente a leitura
da pequena Bíblia que ganhei.
Lembro-me muito bem, eu folheava o Evangelho segundo João,
passando a vista pelo capítulo 14, verso 6.
Ali Jesus estava declarando: “Eu sou o caminho, a verdade e a
vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Nunca houvera lido uma frase tão forte. Senti uma emoção
estranha que nunca consegui definir. Corri para mostrar o achado a Zélia,
como se estivesse descoberto uma pedra preciosa. E era.
Zélia - disse-lhe eu - se Jesus não era um louco nem um
mentiroso, então é esta a verdade que eu estava procurando. Li e reli
aquela passagem. Sinceramente, tive vontade de sair pelas ruas
comunicando o achado.
E assim, durante os sete meses seguintes em que durou o seu
tratamento quimioterápico debrucei-me sobre a Bíblia com avidez.
O que aprendia era repassado a Zélia, pois desejava que ela
crescesse logo, na graça e no conhecimento. A
conversão do Roberto
Minha casa transformou-se em casa de oração. Daí iniciou-se
minha aproximação com pentecostais. Ao término de uma dessas orações,
meu filho Roberto encarregou-se de dar carona a um dos irmãos, que
morava num bairro distante. Conversando os dois pelo caminho, Roberto
disse:
“Gostaria de ser crente, mas gosto de cerveja, de dançar, e
tenho algumas namoradas. Eu teria que deixar tudo?” O irmão, com
sabedoria, respondeu:
“Aceite Jesus do jeito que você estiver. Jesus veio para os
doentes”. Tudo isso se passou no ano de 1992. Mas ou menos à meia
noite meu filho voltou, e foi logo me dizendo:
“Papai, acabei de aceitar Jesus como meu Senhor e Salvador.
Agora passe aquele óleo na minha testa”.
Eu passei o óleo e o abracei demoradamente. Era novo convertido
e não conhecia muito bem sobre a unção com óleo.
Graças a Deus, até hoje, Roberto, atleta de Cristo, está firme
no Caminho. A
conversão de Lívia
Minha filha Lívia Cristina estava embalando no colo seu filho,
mais ou menos às 23 horas, quando teve uma visão terrível.
De olhos abertos, viu o rosto do diabo à sua frente, a uns três
metros de distância: olhos grandes e vermelhos; um sorriso zombeteiro e
sarcástico. Somente no dia seguinte ela me contou a visão. E disse-me:
“Chame os irmãos. Quero entregar a minha vida a Jesus”. E
assim foi feito.
O plano de Deus para nossas vidas começava a ser delineado e
compreendido.
Mudanças radicais ocorreram em minha vida. Eu, que me sentia
envergonhado quando não tinha em casa um uísque de boa qualidade para
oferecer aos amigos, além de cerveja e aguardente de cana, joguei fora
todo o estoque de bebida alcoólica. Algumas poucas imagens de santos
falecidos também foram para o lixo. Voto
Em São Paulo, no Hospital do Câncer, para onde levei Zélia
para uma segunda cirurgia, sem sucesso, prometi a Deus construir um
templo e viver o resto da minha vida para a pregação de Sua palavra.
Cumpri o voto com relação ao templo, e o estou cumprindo com relação
à Palavra.
Realmente desci à casa do oleiro e lá continuo sendo moldado
segundo a soberana vontade do Pai.
Pedi muito a Deus pela cura de minha mulher. Não foi um simples
pedido; foi um clamor, um grito de desespero. Busquei a Deus até o último
instante. Zélia agonizava em coma no hospital, já aqui em Fortaleza, e
eu, aflito, percorrendo
a cidade em busca de oração.
Numa certa tarde, ao entrar no quarto do hospital, ela deu o último
suspiro. Até hoje fico a meditar porque não fiquei com ela mais tempo,
mais tempo... eu que com ela vivi 37 anos, 29 de casados e oito de
namoro. Deus levou para Si a minha mulher. O seu sofrimento serviu para que eu, ela e nossos filhos saíssemos das trevas para a luz. Deus sabia que somente algo muito forte poderia deslocar-me da situação de pecado em que me encontrava. É como se Deus tivesse dito: - Airton, basta! Doeu muito, sofri muito. Impossível contar muitas coisas que ocorreram durante a travessia. Muitas coisas que levarei para o túmulo. Mas valeu a pena.
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