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Por que muitos "entram" para o radioamadorismo e poucos permanecem? Será que existem qualificações, traços de caráter, condição social que definem a permanência de um radioamador? Daí, gostaria de conhecer seu ponto de vista sobre essas questões (mota@secrel.com.br) mas aqui vai um texto para começo de reflexão.
As qualificações para ser radioamador Todas as pessoas que têm contato pela primeira vez com um radioamador operando, ficam maravilhadas. Como "aquele negócio pequenino" (no caso o transceptor moderno) pode falar e ser ouvido pelo mundo todo! Mas o encantamento não pára aí. Ao ouvirem a voz do outro radioamador que se encontra distante, as vezes em países longínquos, fazem cara de espanto; ouvindo aquele fraseado todo desconhecido, as gírias, o código "Q", e tudo o mais. Porém quando estão no QTH do radioamador para participar de um QSO familiar, a admiração chega ao máximo, ao ouvir a voz do ente querido tão distante "chegando" tão nítida, como se ele estivesse ali ao seu lado. É nesse momento que o radioamador cresce no conceito do leigo, que, não se contendo, indaga: - "É difícil ser radioamador ?" Não. Não é difícil. Entretanto o candidato terá que estar preparado humanamente para se tornar um dos nossos colegas. Apesar de não ser exigido nenhum diploma ou título, é necessário que o candidato, antes de mais nada, possua certas qualidades que reputamos de suma importância num radioamador, e que são as seguintes: 1) - Ser, antes de mais nada, um autêntico consigo mesmo, pois o radioamador que se submete aos exames apenas influenciado, mas sem a devida motivação e o espírito radioamadorístico, esse nunca irá operar depois de prefixado, o que ocorre com muitos colegas, infelizmente; 2) - Ser desprovido de certas vaidades humanas, pois os radioamadores não apresentam, como cartão de visita, nenhum título ou honraria para se identificarem, mencionam, simplesmente, seu indicativo de chamada. Depois, com a convivência, é que iremos saber que ele pode ser um médico, um oficial das forças armadas, um engenheiro, etc. No radioamadorismo todos são iguais, desde o mais simples pracista até o oficial graduado, pois, como dissemos, títulos ou diplomas não contam ponto para o ingresso na classe, muito embora alguns diplomas, tais como o de radiotelegrafista isente o candidato de se submeter à prova de CW, como o de engenheiro em eletrônica e eletricidade o isente de fazer as provas dessas disciplinas. Aliás, as entidades radioamadorísticas de todo o mundo são as únicas que não exigem do candidato diplomas para se filiarem a elas, e quem os possui não goza nenhum privilégio; 3) - Ser paciente. Nem sempre o radioamador pode ser atendido imediatamente por outro, quando solicita oportunidade. Às vezes terá que esperar um pouco mais até o outro concluir seu QSO, ou aguardar melhores condições de propagação, quando ele chama a ninguém o contesta. 4) - Ser humano em todos os sentidos. Com isso não queremos dizer que seja observado "ao pé da letra", como se diz, que se vá tirar do que temos para dar a outrem carente, coisa que muitos fazem com muita satisfação. Mas, quando surgir uma situação de emergência, o radioamador será uma das mais úteis criaturas, não importando a quem estará servindo, o que possa gastar para cumprir sua obrigação como pessoa humana. Nessas ocasiões, como calamidade pública, epidemias, enchentes, e outras catástrofes, o radioamador tem sido de uma eficiência ímpar, às vezes comprando com seu dinheiro remédios e roupas para remeter aos necessitados, indo buscar pessoas para falar com outras em situação difícil, amenizando, assim, corações amargurados pela doença de um filho, etc. É verdade que, para servir aos outros, o radioamador terá que ficar sentado em frente ao seu equipamento de rádio por muitas horas, consumindo energia elétrica, aumentando a sua conta telefônica, trocando noites de sono por outras de vigília, protelando seu descanso e repouso após um dia intenso de trabalho cansativo, privando seus entes queridos do seu carinho e sua companhia, para ficar de ouvido atento no receptor, para solucionar os problemas que assumiu para resolver, naquela atitude de solidariedade humana que lhe é tão peculiar, mas que, depois da missão cumprida, a satisfação de que pôde ser útil a alguém. Ser radioamador é tudo isso e muito mais. É pertencer a uma classe que não visa lucros com o seu hobby, que presta favores sem esperar retribuições, recompensas ou pagamentos pelo serviço prestado, é, finalmente, ser um pouco irmão de cada ser humano.
O Rádio Amadorismo, o mundo em seu
lar. De Roberto M. Rodrgirues PY8-JS
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