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Samuel Penido
Canto 13
Carregamos para longínquos depósitos
pianos silenciados
carregamos pedras
para as novas pirâmides
e troncos decepados
peças de vidro e metal.
Carregamos dois mundos de uma só vez
o velho mundo
com seus documentos
encardidos, dilacerados
o novo mundo
com seus instrumentos
coloridos, eficientes
Carregamos de tudo.
Carregamos caixas, caixões,
bondes, trilhos
há que fundar um novo chão.
Carregamos rios de dinheiro
para as arcas d’el-rei
e jóias para a mulher de satã.
Carregamos andores e o humano desdém
e cadafalsos
para todas as heresias
e muros
para todas as lamentações.
Carregamos de tudo
o peso e o vazio.
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