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Rubenio Marcelo
O poeta mais fecundo e mais
esquecido
da nossa literatura
Múcio Scévola Lopes Teixeira, um dos
mais produtivos poetas da nossa Literatura, nasceu em Porto
Alegre/RS, às 19:00 horas do dia 13 de Setembro do ano de 1857.
Filho de Manuel Lopes Teixeira e de Dona Maria José Sampaio
Teixeira, foi aluno do Colégio Gomes, na capital gaúcha, aonde
conviveu com Demétrio Ribeiro, Assis Brasil e Júlio de Castilho.
Aos 15 anos de
idade, publicou seu primeiro livro de versos, intitulado “Vozes
Trêmulas”, que foi considerado pelos críticos da época, sobretudo
por Fagundes Varela, como uma “verdadeira revelação”. A partir daí
não parou mais e, ao longo do tempo, alcançou a incrível marca de
mais de cem livros editados.
De Gregório de
Matos, literato baiano da Escola Barroca, ao real-naturalista
Machado de Assis, foi Múcio Teixeira o escritor brasileiro que mais
produziu, tanto em prosa, quanto em verso.
Jornalista e
diplomata, poeta polemista por natureza e percuciente crítico
literário, Múcio Teixeira, em 1896, mudou-se para o Estado da Bahia,
onde tornou-se amigo particular da família de Castro Alves,
especialmente da irmã do “Poeta dos Escravos”, Adelaide de Castro
Alves, que presenteou o nosso Patrono com os originais de “Espumas
Flutuantes”.
Em 1899, foi
residir no Rio de Janeiro com a esposa e seus seis filhos, dentre
esses, Múcio Teixeira Júnior, que veio em 1913, morar na então Vila
de Campo Grande (futura capital do Mato Grosso do Sul), onde
tornou-se uma das figuras mais importantes da Cultura e Educação;
tendo sido o proprietário do tradicional Ateneu Rui Barbosa, colégio
conhecido, à época, pela competência dos seus professores e alunos.
Dentre as
incontáveis obras de Múcio Scévola Lopes Teixeira, o Poeta
Desconhecido – como asseverou Argus Cirino - destacam-se: Vozes
Trêmulas; Violetas; Sombras e Clarões; O Inferno Político; Novos
Ideais; Cérebro e Coração; Fausto e Margarida; Calabar; Os Gaúchos;
e Os Minuanos.
Poliglota,
falava e escrevia com desembaraço o francês, inglês, alemão,
italiano, castelhano e esperanto, além de conhecer profundamente o
latim, grego, hebraico e a língua portuguesa, Múcio Teixeira
conheceu em vida a glória e a desdita; a opulência e a miséria; a
virtude e a infâmia, sem nunca se deixar seduzir por quaisquer
desses fantasmas de aniquilação efêmera.
Como que a
adivinhar a aproximação da morte e tomado de frustração e
desencanto, ao perceber que o trabalho de toda sua vida não fora
reconhecido, Múcio resumiu o seu testamento nesta quadrinha:
“As minhas glórias de outrora
Com tantos as reparti,
Que sobem outros, agora,
Escadas que já desci”.
Múcio Teixeira,
que havia adotado no último lustro da sua vida o pseudônimo de
“Barão Ergonte”, faleceu no Rio de Janeiro na madrugada do dia 8 de
Agosto de 1926; e ao seu enterro, compareceram além de parentes e
amigos, diplomatas, parlamentares, autoridades militares e
representantes da Academia Brasileira de Letras que homenagearam, na
ocasião, o homem exemplar e maior poeta dos pampas.
Generino dos
Santos, um erudito tradutor de Dante, definiu o bardo Múcio Teixeira
com a seguinte expressão:
“O grande vate Sul-Rio-Grandense, operosíssimo polígrafo, por si
só, valia todo o Parnaso Brasileiro, que, em vida, moveu-lhe guerra
de silêncio”.
A voz do poeta
calou-se há mais de setenta anos.
Com a
desvalorização da arte, somada à inversão de valores na poesia, na
música e na literatura em geral - com geração após geração
empilhando frases absurdas, ridículas, sem rimas nem melodias como
se fossem versos -, poderá ocorrer que permaneça calada por outro
tanto.
Ainda assim,
fica um lampejo de esperança para que um dia o grande poeta
levante-se do pó.
Até lá,
resta-nos o consolo de saber que a chama ardente dos seus
prodigiosos ideais permanecerá para sempre.
*Rubenio Marcelo
(Academia Sul-Mato-Grossense de Letras - Cadeira 35)
Obs: O poeta Múcio Teixeira é o patrono da Cadeira 35 da ASL.
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