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Nilto Maciel
A poesia de Soares Feitosa
1.Reminiscências
Li, há algum
tempo, o seu livro feito manualmente. Foi uma surpresa imensa. E
escrevi carta para você falando de sua poesia. Agora recebo outro
livro, impresso em modelo tradicional, Psi, a Penúltima, Ed. Papel
em Branco.
Sua poesia é
nobre, clássica, moderna, rica. Há tempos não leio poesia do nível
da sua. E isso é muito bom! Sinal de que sempre estão surgindo
grandes poetas, apesar de vivermos um tempo de pouco tempo e espaço
para a poesia.
Gostei muito
dos poemas de reminiscências, mas também do poema da raposa (Psi).
Ora, toda a sua poesia é ótima, tocante, emocionante, sem deixar de
ser cerebral, trabalhada, feita com suor, dedicação, pesquisa. E o
talento sedimenta tudo, porque sem ele nenhuma poesia vem à tona.
2.
Olha, Tomé, o teu pássado foi-se embora!
Poeta Feitosa,
isto é maravilhoso.
Você, leitor
sagaz e poético, sabe onde está a Poesia.

Quem não sabe
passa a vida dizendo besteiras e rabiscando "versos" que nunca
passarão de lama em contraste com os passarões dos Poetas como
Saramago e você. Tenha a minha admiração por tudo o que você tem
escrito e anotado.
Nilto Maciel
3. Penúltimo Canto
Grande Poeta
Soares Feitosa, receba um caloroso abraço de amizade e
admiração. Li o "Penúltimo Canto" como se estivesse morrendo. Não
por
sentir dor, não por estar desesperado, não por me sentir velho. O
poema
é um apocalipse, um final, quase um ponto final na poesia. Ainda
haverá
o que dizer poeticamente, depois desse "Penúltimo Canto". Não
perguntemos nada aos católicos, aos protestantes, aos chamados
evangélicos, aos muçulmanos — que eles são todos pilatos com cara de
cristo. Ou então não perguntemos nada a ninguém. Estou cansado, sem
fôlego, exausto, depois da leitura do seu poema. Não por ser ele
longo.
Também é longo o "Lusíadas". E eu o li com muito prazer. Aprendi
muito.
Continuo aprendendo, embora não seja mais tempo de aprender nada.
Talvez
seja apenas o tempo de apreender as palavras, o sentido delas, da
traição, da guerra, da fome, da iniqüidade, da vileza, de tudo o que
está na poesia maior, naquela que diz tudo, como este "Penúltimo
Canto".
Porque o último canto não existirá nunca. Abraços cordiais do admirador.
Nilto Maciel
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