Mais de 3.000 poetas e críticos de lusofonia!

 

 

Nilto Maciel
 

A poesia de Soares Feitosa

 

1.Reminiscências
 

Li, há algum tempo, o seu livro feito manualmente. Foi uma surpresa imensa. E escrevi carta para você falando de sua poesia. Agora recebo outro livro, impresso em modelo tradicional, Psi, a Penúltima, Ed. Papel em Branco.

Sua poesia é nobre, clássica, moderna, rica. Há tempos não leio poesia do nível da sua. E isso é muito bom! Sinal de que sempre estão surgindo grandes poetas, apesar de vivermos um tempo de pouco tempo e espaço para a poesia.

Gostei muito dos poemas de reminiscências, mas também do poema da raposa (Psi). Ora, toda a sua poesia é ótima, tocante, emocionante, sem deixar de ser cerebral, trabalhada, feita com suor, dedicação, pesquisa. E o talento sedimenta tudo, porque sem ele nenhuma poesia vem à tona.
 


 

2. Olha, Tomé, o teu pássado foi-se embora!

 

Poeta Feitosa, isto é maravilhoso.
 

Você, leitor sagaz e poético, sabe onde está a Poesia. José Saramago, Nobel

Quem não sabe passa a vida dizendo besteiras e rabiscando "versos" que nunca passarão de lama em contraste com os passarões dos Poetas como Saramago e você. Tenha a minha admiração por tudo o que você tem escrito e anotado.

Nilto Maciel
 


 

3. Penúltimo Canto

 

Grande Poeta Soares Feitosa, receba um caloroso abraço de amizade e admiração. Li o "Penúltimo Canto" como se estivesse morrendo. Não por sentir dor, não por estar desesperado, não por me sentir velho. O poema é um apocalipse, um final, quase um ponto final na poesia. Ainda haverá o que dizer poeticamente, depois desse "Penúltimo Canto". Não perguntemos nada aos católicos, aos protestantes, aos chamados evangélicos, aos muçulmanos — que eles são todos pilatos com cara de cristo. Ou então não perguntemos nada a ninguém. Estou cansado, sem fôlego, exausto, depois da leitura do seu poema. Não por ser ele longo.

Também é longo o "Lusíadas". E eu o li com muito prazer. Aprendi muito. Continuo aprendendo, embora não seja mais tempo de aprender nada. Talvez seja apenas o tempo de apreender as palavras, o sentido delas, da traição, da guerra, da fome, da iniqüidade, da vileza, de tudo o que está na poesia maior, naquela que diz tudo, como este "Penúltimo Canto".

Porque o último canto não existirá nunca. Abraços cordiais do admirador.

Nilto Maciel
 

 

 

Michelangelo, Pietá

Início desta página

Cristiane França