Tive o
privilégio de ler um ótimo livro ainda inédito, Verdes
versos, de Jorge Elias, e tenho honra de ser a primeira a
dar um depoimento sobre ele, neste blog.
A
prazerosa leitura proporcionou-me momentos de pura estesia.
Mergulhei nas “frações infinitas” de seus versos,
alinhavados uns aos outros em “complexas teias transparentes
/ dentro do vazio de cada um”.
O léxico e
a temática de grande parte dos poemas são voltados para
questões de ordem ontológica e para a espera “do ponto em
que arrebentará a corda que o sustenta sobre o abismo”.
A temática da morte, “o eterno grilhão atado aos pés dos
homens”, surge reiteradas vezes em questionamentos
existenciais: “em que pernas poderemos apoiar esta
existência sem sentido?”
Seus versos brancos (sem rimas) e livres (sem métrica),
característicos dos tempos modernos, se prendem, às vezes, à
metalinguagem, tão presente na produção poética de hoje em
dia.
Notam-se
em seus poemas, a preocupação do fazer literário, do
burilamento da palavra, e sobretudo a intertextualidade,
advinda da leituras de grandes poetas.
Sabe-se
que toda obra nada mais é do que o resultado de inúmeros
textos assimilados pelo autor, ao longo de sua vida. Mesmo
que ele evite cópias, paráfrases, paródias, alusões,
citações, pastiches, etc, sua obra estará sempre impregnada
de conhecimentos adquiridos por meio de textos anteriores. A
intextertualidade acontece, muitas vezes, independentemente
dos propósitos do autor, que já traz em sua bagagem
cultural, elementos oriundos de textos absorvidos e
metamorfoseados por várias gerações. Percebi, na leitura dos
poemas, a grande carga de leituras precedentes à concepção
dessa obra.
“As
palavras estão sempre lá / Com seus olhos atentos / A me
observar do silêncio”.
Além da
paixão pela palavra, partilho com o poeta a paixão “pelos
mil tons de Minas”. “Em cada montanha de Minas descortina-se
minha memória perdida em devaneios”.
Confesso
que, ao receber um envelope contendo poemas intitulados
Verdes Versos, de um médico chamado Jorge Elias, que se
dizia iniciante, não tive grande expectativa. Porém, ao
começar a leitura, encantei-me com tais versos, que nada têm
de verdolenguice. Trata-se de poemas bem maduros que se
prestam a uma ótima colheita. Em outras palavras,
“PUBLIQUE-SE!”
Jô Drumond,
Presidente da Academia feminina Espírito-santense de Letras
Doutora em Comunicação e Semiótica