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Antônio Houaiss
Biografia
Antonio Houaiss, professor, diplomata, filólogo, lexicógrafo e
ensaísta, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 15 de outubro de 1915.
Eleito em 1o de abril de 1971 para a Cadeira n. 17, na sucessão de
Álvaro Lins, foi recebido em 27 de agosto de 1971, pelo acadêmico
Afonso Arinos de Melo Franco.
É o quinto dos sete filhos de Habib Assad Houaiss e Malvina Farjalla
Houaiss. Toda a sua formação intelectual foi no Rio de Janeiro:
primário no ensino público, perito-contador pela Escola de Comércio
Amaro Cavalcanti (1933); curso secundário de madureza (1935);
bacharel (1940) e licenciado (1942) em letras clássicas pela
Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Casou-se,
em 1942, com Ruth Marques de Salles (falecida a 4 de julho de 1988)
e não teve filhos.
Foi professor, tendo lecionado português, latim e literatura no
magistério secundário oficial do então Distrito Federal, de 1934 a
1946, quando pediu exoneração, por força da lei de desacumulação, ao
optar pela carreira diplomática. Foi também membro examinador de
português de vários concursos promovidos pelo DASP para
preenchimento de cargos públicos (1941 a 1943); colaborador
permanente do DASP na elaboração de provas de português para o
serviço público (1942-1945), professor contratado pela Divisão
Cultural do Ministério das Relações Exteriores para lecionar
português e dar cursos sobre questões culturais brasileiras no
Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro de Montevidéu (1943 a
1945).
Na carreira diplomática, por concurso de provas em 1945, foi
vice-cônsul do Consulado Geral do Brasil em Genebra (1947 a 1949),
servindo também como secretário da delegação permanente do Brasil em
Genebra, junto à Organização das Nações Unidas, e integrando
representações brasileiras a assembléias gerais das Nações Unidas,
da Organização Internacional do Trabalho, da Organização Mundial da
Saúde e da Organização Mundial de Refugiados. Foi terceiro
secretário da Embaixada no Brasil em São Domingos, República
Dominicana, de 1949 a 1951, e em Atenas, de 1951 a 1953; primeiro
secretário e depois ministro de segunda classe da delegação
permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas em Nova
York, de 1960 a 1964; membro da Comissão de Anistia de Presos
Políticos de Ruanda-Urundi que em Usumbura examinou os processos de
1.220 presos políticos, anistiados todos pela Assembléia Geral das
Nações Unidas por proposta da referida comissão, em 1962; relator da
IV Comissão da Assembléia Geral das Nações Unidas (tutela e
territórios não-autônomos), em 1963.
A serviço do Ministério das Relações Exteriores, consolidou as
14.000 instruções de serviço no primeiro Manual de serviço (1947)
desse Ministério, ainda vigente, com refundições. Foi assessor de
documentação da Presidência da República, de 1957 a 1960, quando
foram publicados 83 volumes documentais do qüinqüênio presidencial,
segundo plano sistemário seu. Aposentado, em 1964, por terem sido
suspensos seus direitos políticos por dez anos.
Foi secretário-geral do Primeiro Congresso Brasileiro de Língua
Falada no Teatro, realizado em 1956, em Salvador, para o qual
apresentou a tese que se tornou base das conclusões — normas da
língua falada culta no Brasil — e encarregado da elaboração dos
Anais respectivos (Rio de Janeiro e Salvador, 1958). Exerceu as
funções de colaborador e pesquisador na Casa de Rui Barbosa, de 1956
a 1958 e de secretário-geral do Primeiro Congresso Brasileiro de
Dialectologia e Etnografia (Porto Alegre, 1958), elaborando os Anais
respectivos, publicados pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro,
em 1970.
Tem colaborado na imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo, tendo
sido redator do Correio da Manhã (1964-1965). Membro da Comissão
Machado de Assis, desde a sua criação em 1958, e da Academia
Brasileira de Filologia, eleito em 1960. Exerceu a superintendência
na Editora Delta S/A, do Rio de Janeiro, de 1965 a 1970, e foi
editor-chefe da Enciclopédia Mirador Internacional.
Presidente do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro (1978-1981)
e do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Imprensa
(1983-1986). Membro da Comissão constituída pelo Ministro da Justiça
para estudar a legislação censória e suas práticas no Brasil, e
propor medidas anticensórias (março-julho de 1984) e da Comissão
para o Estabelecimento de Diretrizes para o Aperfeiçoamento do
Ensino/Aprendizagem da Língua Portuguesa, instituída pelo Decreto n.
91.372 de 26 de junho de 1985, com relatório conclusivo de 20 de
dezembro de 1985.
Delegado do Governo para proceder nos países de língua oficial
portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e
São Tomé e Príncipe) o convite de presença à realização do Encontro
para a Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa (janeiro –
fevereiro de 1986), foi membro da delegação brasileira no Encontro
para a Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa, realizado no Rio
de Janeiro de 6 a 12 de maio de 1986, do qual foi o secretário-geral
e delegado porta-voz brasileiro.
Integrou, em Brasília, na Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência, um grupo interdisciplinar sobre "A política da língua". Em
1988, organizou o Congresso Internacional de Tradutores, realizado
no Instituto Internacional de Cultura (Campos – RJ), tendo sido o
vice-presidente e o secretário-executivo do Encontro.
Em 1989, fez parte, em Lisboa, do Júri do primeiro Prêmio Luís de
Camões, conferido a Miguel Torga. Foi nomeado para o Conselho
Federal de Cultura, do qual participou até a sua extinção. Em 1990,
recebeu o Prêmio Moinho Santista, na categoria Língua.
Ministro da Cultura do Governo Itamar Franco (1993); foi membro do
Conselho Nacional de Política Cultural, do Ministério da Cultura
(1994-1995), de que foi vice-presidente e renunciou dessa qualidade
em abril de 1995. Foi presidente da Academia Brasileira de Letras
(1996).
Obras:
CRÍTICA E ANTOLOGIA: Prefácio, in vida urbana (1956);
Crítica avulsa (1960); Seis poetas e um problema, estudos de crítica
literária, estilística e ecdótica (1967); Augusto dos anjos, poesia,
antologia, introdução e notas (1960); Qual prefácio, in A rima na
poesia de Carlos Drummond de Andrade, de Hélcio Martins (1968);
Introdução, in Reunião: 10 livros de poesia, de Carlos Drummond de
Andrade (1969); Crítica literária e estruturalismo, in II Simpósio
de língua e literatura portuguesa (1969); Drummond mais Seis poetas
e um problema (1976); Homenagem a Joaquim Cardoso, conferência
(1978); Estudos vários sobre palavras, livros e autores (1979).
FILOLOGIA, BIBLIOLOGIA E DOCUMENTAÇÃO: Tentativa de descrição do
sistema vocálico do português culto na área dita carioca, dialectologia e ortofonia (1959); Sugestões para uma política da
língua (1960); O Serviço de Documentação da Presidência da República
(1960); Introdução filológica às Memórias póstumas de Brás Cubas,
fixação do texto crítico (1961); Elementos de bibliologia (1967); A
crise de nossa língua de cultura (1983); O português no Brasil
(1985); O que é língua? (1990); A nova ortografia da Língua
Portuguesa (1991).
ENSAIO POLÍTICO: A defesa (1979); Brasil - O fracasso do
conservadorismo, em colaboração com Pedro do Coutto (1985);
Brasil-URSS - 40 anos do estabelecimento de relações diplomáticas,
obra coletiva (1985); Socialismo e liberdade, em colaboração com
Roberto Amaral (1990); Variações em torno do conceito de democracia,
em colaboração com Roberto Amaral (1992); Socialismo - Vida, morte e
ressurreição (1993); A modernidade no Brasil - Conciliação ou
ruptura? (1995); Os socialistas e a guerra. Separata da Revista de
Informação Legislativa (1991).
GASTRONOMIA E CULINÁRIA: Magia da cozinha brasileira, iconografia de
Alain Draeger (1979); A cerveja e seus mistérios (1986).
FIXAÇÃO CRÍTICA DO TEXTO DE CLÁSSICOS BRASILEIROS: Obras, de Lima
Barreto, em colaboração com Francisco de Assis Barbosa e Manuel
Cavalcanti Proença (1956); O texto dos poemas, in Gonçalves Dias,
poesia e prosa escolhida (1959); Memórias póstumas de Brás Cubas, de
Machado de Assis (1961); Eu, outras poesias, poemas esquecidos, de
Augusto dos Anjos (1965); Edições críticas de Obras de Machado de
Assis, pela Comissão Machado de Assis (1975).
EDITORIA E ORGANIZAÇÃO DE OBRAS DE REFERÊNCIA: Anais do Primeiro
Congresso Brasileiro de Língua Falada no Teatro (1956); Novo
dicionário Barsa das línguas inglesa e portuguesa , 2 vols., em
colaboração com Catherine B. Avery (1964); Grande enciclopédia
Delta-Larousse, 12 vols.; Enciclopédia Mirador Internacional, 20
vols. e 1 atlas (1975); Pequeno dicionário enciclopédico
Koogan-Larousse (1979); Vocabulário ortográfico da Língua
Portuguesa, relator (1981); Webster’s dicionário inglês-português, 2
vols., em colaboração com Ismael Cardim e outros (1982).
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