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Herculano Neto 

aneto44@yahoo.com.br

Poussin, The Empire of Flora

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Poesia:

Bloco 1

Bloco 2


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica: 


Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Valdir Rocha, Fui eu

 

Um cronômetro para piscinas

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

Herculano Neto



Biografia:


HERCULANO NETO
, nasceu Álvaro Herculano Barboza Neto, em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Letrista de música popular, é parceiro do, também, santamarense Roberto Mendes (tendo a canção “Faz de Conta” gravada por Raimundo Fagner no disco “Donos do Brasil”). Produziu e participou em 2003 do CD do grupo de recital “INÉDITOS & DISPERSOS”. Integrou a coletânea de poesia OS OUTROS POEMAS DE QUE FALEI, Prêmio Banco Capital de Literatura - ano III, ao lado dos poetas Geraldo Maia, Miguel Carneiro, Vanessa Buffone, Marcus Vinicius Rodrigues, Moacir Eduão e Neide Cortizo. Em 2005 fez parte da antologia de novos autores santamarenses SOB PRESCRIÇÃO (Laetitia Editore), com Ediney Santana e Jorge Bóris, onde publicou contos, crônicas e poemas. Possui dois livros inéditos: um de prosa e outro de poesia; além de canções com Milton Primo, Márcio Valverde, Guito Argolo e Dum Lima. É editor do fanzine cultural, edição impressa e on-line, O Ataque. Outros textos do autor em seu blog: http://herculano.zip.net
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

Herculano Neto



Fortuna crítica:

 

Quando a gente descobre um novo poeta, sempre fica na dúvida se é mais um "ajuntador de palavras" ou um promotor de rimas previsíveis e imagens redundantes. Na verdade, a palavra Poeta deveria ser mais preservada e dirigida apenas àqueles que provassem, por léguas de letras e texto invulgar, o merecimento do distintivo. São poucos, portanto, os que assim podem ser considerados. Herculano Neto, com certeza, pertence a esse elenco de raros. A sua palavra comprime tantos mundos que, ao menor gesto compreensivo da sensibilidade, ela "explode" em suas mãos, em seu olhar, em sua consciência. Poeta de versos curtos e emoção intensa, cada imagem nos arrebata, em ritmo que prende a respiração e nos faz soltar um grito. Quem diz: "meu amor é uma carta que voltou, mas o meu ódio tem endereço certo", olha nos olhos do mundo como quem desafia as dores e a hipocrisia. Como quem contrapõe-se ao óbvio, e a um mundo redundante e vazio oferece poesia. Bem-vindo Herculano Neto, ao mundo dos que criam mundos. Venha, e traga a chave das palavras!
 

Jorge Portugal
 


 

Herculano Neto apresenta algumas investidas em busca dos efeitos das palavras, as aproximações das metáforas, caminhos para apreender as possibilidades da poesia.
 

Aleiton Fonseca
 



“Faz de Conta”, parceria de Herculano Neto com Roberto Mendes, remete ao Fagner dos anos setenta nos versos “nem sempre andei assim, nem sempre fui tristeza”; alguém se lembra de “não sou alegre nem sou triste, sou poeta”? Versos como “faz de conta que o tarde é cedo, o agora não espera”, são de quem vive o tempo e o ritmo da poesia pela beleza.
 

Geraldo Medeiros Junior
 



Herculano Neto, célere em sua mensagem, retira do prosaico o momento epifânico do verso; erigindo, pois, o monumento ao inesperado. A solidão instalada no cômodo espaço do peito lírico moderno.
 

Sebastião Marques
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Acis and Galatea

 

 

 

 

 

Herculano Neto



CAIXA-POSTAL

O meu amor é uma carta que voltou,
mas o meu ódio tem endereço certo.



ESSES ESSES

Esse gosto de
já na minha boca,
Esse cheiro de
vá na minha roupa,
Esse gosto de
menta em sua boca,
Esse seu cheiro
de perfume barato.






A noite é longa e estou em casa:
com meus discos;
reprises suportáveis;
livros emprestados;
sonhos inacabados
e refrigerante sem gás na geladeira.



CORAÇÃO DESAJEITADO


Derrubando
Tropeçando
Esbarrando
Confundindo.

Até o coração é desajeitado.



ARRUMANDO AS MALAS


Vídeo antigo,
foto antiga,
cartas falsas,
tudo um pouco falso
um tanto opaco e distorcido.

“Você nunca tentou ser meu amigo”
foi o que ela disse antes de botar o pé na estrada,
sem Kerouac,
com Baudelaire
e sem a paciência de quem espera por mudanças.



INÉDITO & DISPERSO
Para Ana Cristina César


Publicado deixei de ser inédito,
mas esse espírito disperso,
esse,
é impublicável.



QUEBRADEIRA


Ontem teve roda de samba
e eu fui para o samba quebrar...

... quebrei o prato ...



IRONIA


Invadiram a casa:
picharam os quadros;
quebraram os vasos;
chutaram os gatos;
mas a minha ironia ninguém levou.



OS OUTROS


O sétimo selo
O sexto sentido
O quinto elemento
O quarto poder.

A terceira visão
A segunda chance
À primeira vista.

O último dos moicanos.



RÁDIO NOVELA


Chorava e chovia
na mesma porção d’agua.

E os estilhaços da vidraça
aceleravam o coração.

 

 

 

 

Herodias by Paul Delaroche (French, 1797 - 1856)

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Paulo Bomfim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Rebecca at the Well

 

 

 

 

 

Herculano Neto



FAZENDO DE CONTA


Nem sempre andei assim;
às vezes andei por aí.



UM MISERÁVEL A VER NAVIOS


Sempre perco,
Sempre falta,
Sempre sofro,
Sempre fico a ver navios.

Sempre despedaço,
Sempre aguardo,
Sempre reinicio,
Sempre fico com as mãos abanando.

Miserável esmolando afeto é o que sou.



MALÍCIAS


Eu amo, mas não me arrisco
tenho um coração aflito
repleto de malícias.

Eu amo um animal arisco
que tem um coração distinto
cansado de carícias.



À BEIRA


Naquelas mãos de renda
(desfiando o amor)
estive por um fio.

Naquelas mãos de fonte
(bebendo a cântaros o amor)
estive por um fio d’agua.



O SEU RETRATO


O seu retrato já não
me incomoda
o seu sorriso já não
me incomoda
o seu perfume já não
me incomoda
sua lembrança já não
me distrai.


BATALHA NAVAL


Meus sonhos naufragaram.


MEIA-NOITE TRAVESTIDA


Deixei-a na Rua da Forca,
sozinha,
inebriada,
inibindo a chuva.

Deixei-a na Rua da Forca,
com todos os seus brilhos,
suas cores
e assessórios adicionais.



PANO DE BOCA


Lúrido.
Lúgubre.
Lúbrico.
Lúcido.

No espelho do camarim apenas um ser lúdico.



COSTAS NUAS


O longo vermelho,
frente única,
não esconde a tristeza
da moça que retoca a maquiagem.

Sozinha no banheiro.



CARNAVAL


Sou uma porta-bandeira.
Sem samba-enredo,
sem cadência,
sem fantasia.

Sou uma porta-bandeira.
Sem mestre-sala,
sem alegoria,
sem bandeira.

Uma mera passista disritmada pela avenida.

 

 

 

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), L'Innocence

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Myriam Fraga

 

10.11.2006