Gonçalves Dias

Sobre o Túmulo de um Menino

25 de outubro de 1848.
O invólucro de um anjo aqui descansa, Alma do céu nascida entre amargores, Como flor entre espinhos! — tu, que passas, Não perguntes quem foi. — Nuvem risonha Que um instante correu no mar da vida; Romper da aurora que não teve ocaso, Realidade no céu, na terra um sonho! Fresca rosa nas ondas da existência, Levada à plaga eterna do infinito, Como of’renda de amor ao Deus que o rege; Não perguntes quem foi, não chores: passa.