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Soares Feitosa

Da caixa postal aos

corrós de açude:

uma visita ao poeta Ascendino Leite

 

 

Dos  Leitores

 

Luciene Reis

De: luar@uai.com.br [mailto:luar@uai.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 30 de abril de 2004 19:31
Para: Soares Feitosa
Assunto: Re:

 

Soares Feitosa,
que alegria ser convidada pra essa festa!

Comemorar os 90 ascendinos anos de Ascendino Leite sob a sua
batuta é algo que nem julgo merecer.

Obrigada pelo convite e parabéns a vocês!!!

Eu fico,às vezes, imaginando se você fosse pintor, ao invés de poeta...o que aconteceria conosco ao ver suas telas. Ler você é viajar em primeira classe com direito a 360 graus de vista panorâmica.

Um grande abraço!

Luciene Reis

 

Rodrigo Magalhães

De: Rodrigo Magalhães [rgmagalhaes@hotmail.com]
Enviada em: sexta-feira, 30 de abril de 2004 20:33
Para: soaresfeitosa@uol.com.br
Assunto: O Ascendino Leite

 

E o Ascendino teve tempo pelo menos para se conter nos olhos? Colocaram o dedo na emoção dele, fizeram a celebração. Eu me debrucei sobre cada palavra, mas algumas, justas, levaram-me para um narrativa que, mesmo não vivida, guardarei como coisa minha: 

E, para fazer aparelho igual, rádio, a gente botava besouros mangangás dentro de uma caixa de fósforos, uma imprudência, no bolso, os bichos roncando bonito, grosso e macio. Dizíamos que eram notícias da guerra, do rádio da casa paroquial, em ondas-curtas, em espiquíngles, que ninguém entendia, nem o padre. Mas para quê?! Era bonito!

Abraço grande,

Rodrigo.

 

 

Maria Helena Nery Garcez

De: helenaneri@terra.com.br [helenaneri@terra.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 30 de abril de 2004 23:28
Para: Soares Feitosa
Assunto: Peixe na caixa postal

 

Meu caro Soares Feitosa,

 

Pra início de conversa, devolvo: Poeta é você, ora essa!!!  Valha-me Deus!, como diria a Teresa D´Ávila, que belo texto! O peixe Ascendino em seu aquário postal (3065), fisgou-me com suaMaria Helena Nery Garcez Lembrança do Vale. Aí me veio a imagem de minha mãe, aos 94, trazendo o Camões pra nossa sala de estar, em voz poderosa: Deu sinal a trombeta castelhana/ Horrendo, fero, ingente e temeroso... Comovía-nos, nos derradeiros versos, quando baixava a voz, assi dizendo: E as mães, que o som terríbil escuitaram/ Aos peitos os filhinhos apertaram.  

Ah! que também vinha o Luís Gonzaga à nossa sala, trazido pela mão de meu pai. Desde dentro da caixinha, fazia nossa alegria com a história do tatu bola filho do tatu bolinha. Ontem mesmo, não é engraçado?, dando uma aula sobre o António Nobre, também o Gonzaga acabou entrando na roda. Lembra do:

Menino e moço, tive uma torre de leite,

Torre sem par! 

Oliveiras que davam azeite...

Um dia, os castelos caíram do Ar!

 

As oliveiras secaram,

Morreram as vacas, perdi as ovelhas,

Saíram-me os ladrões, só me deixaram

As velas do moinho... mas rotas e velhas!

 

Não é o canto-chão do dono do tatu bola cuja sorte desandou ao chegar em Lagoínha? Bexiga deu na nega, colega! E deu mofo na farinha... Até cantei a lenga-lenga toda pra essa turma que só conhece o révimetal do roquenderol pra baixo...

A verdade é que quem nunca ouviu o valente Manézinho Araújo, o  da linha de frente, aquele que quando canta filho desconhece pai... não sabe nem metade do que nossa terra tem de bom.  

Meu grande abraço, Poeta cearense, e obrigada pela revelação do Ascendino Leite!

Maria Helena Nery Garcez

 

 

Luciano Tosta

From: "Luciano Tosta" <atosta@fas.harvard.edu>

To: "Francisco Feitosa" <ff44ff@uol.com.br>

Sent: Saturday, May 01, 2004 2:51 AM

Subject: Na Caixa Postal

 

Amigo Soares,

Ando louco com esta tal de tese, que ja tirou o meu "tesao" faz tempo! Gostei muito de seu texto e estou ansioso para ler o Ascendino. Da gosto ver a beleza reinar nesta epoca em que as ideologias disputam tambem pelo espaco literario. Luciano Tosta

Aceito que o conquistem, mas o dividam tambem com o belo e o sublime. Hoje tem muito texto sendo valorizado apenas pelas "ideias" e o desenvolvimento estetico passou a ser um criterio - para muitos - relegado. Seu texto mais uma vez surpreende. Ele brinca com o leitor, nao exatamente como Machado de Assis, mas um pouco tambem, pois nos engana, dando um tom de ensaio no comeco e passando a seguir a pura prosa lirica. Mas quando sentimos que ja o dominamos, mais uma vez o texto nos escapole, sorrindo, creio, voltando ao aspecto de ensaio inicial. Jacques Derrida disse, la com suas palavras, que o texto se caracteriza por se esconder do leitor desde o primeiro contato. 

E, quem sabe, tambem uma caixa [postal], onde por mais que tentemos "espiar", nunca conseguiremos enxergar tudo. Assim e tambem este texto seu. De quando em vez vou dar uma espiadinha pra ver o que mais descubro!

Abracos,

Luciano Tosta

p.s. O tempo ainda nao permitiu preparar o material pra pagina!

 

 

Everaldo M. Véras

De: mever@terra.com.br [mever@terra.com.br]
Enviada em: sábado, 1 de maio de 2004 11:34
Para: soaresfeitosa@uol.com.br
Assunto: Re: jornal
Soares Feitosa, Prezado Poeta:

 

Excelente, a matéria. Everaldo M. Véras

O Poeta Ascendino Leite é mais do que meu amigo: é meu irmão mais velho, meu companheiro, meu camarada. Tenho por ele a maior admiração, gosto muito da sua filosofia existencial. Um homem extraordinário.

Parabéns!

Um abraço,

Everaldo M Véras 

 

 

Francisco Perna Filho

De: framper [framper@terra.com.br]
Enviada em: sábado, 1 de maio de 2004 22:12
Para: soaresfeitosa
Assunto: Da caixa postal aos corró de açude

 

Meu Caro Soares,

Gostei muito do seu texto. Emocionante! gigantesco! Lembrou-meFrancisco Perna Filho a minha infância: os besouros na caixa de fósforo,o zumbido, a emoção, a inventividade. É maravilhoso o seu diálogo com Ascedino Leite, poeta de tantos olhares.

Aceite o abraço

do amigo

Chico Perna.

 

Rubênio Marcelo

De: Rubenio Marcelo [rubeniomarcelo@hotmail.com]
Enviada em: domingo, 2 de maio de 2004 04:10
Para: soaresfeitosa@uol.com.br
Assunto: RE: "Da caixa postal aos corrós de açude - uma visita ao poeta Ascendino Leite"

Amigo e conterrâneo Soares Feitosa:

Envolto numa sensação quase-letárgica-in/explicável, a primeira reação que tive, logo após ler esta sua envolvente mensagem-crônica (uma visita ao poeta Ascendino Leite), foi chamar a minha família para também (e imediatamente) compartilhar esta incomensurável beleza literária (e só não convoquei mais gente porque eu estava só no escritório do apartamento, enquanto a mulher e os meus filhos na salaRubênio Marcelo de TV).

Em fração de segundo, voltei a barra de rolagem ao início "Da caixa postal aos corrós de açude..." e, já devidamente acompanhado da minha esposa e dos dois meninos, fui re/lendo – em voz baixa cadenciada – as passagens da sua narrativa magistral... E, assim, transpondo as aldravas órficas da sua afortunada seara, mais uma vez fui (agora, fomos!: eu e minha família) saboreando a sublimidade deste fascinante enredo tão bem vivenciado e vivificado por você e os seus.

Eu, que sou quase-velhote, quarenta e poucos – e que também uma vez, transferido a contragosto, virei paraibano: fui morar em Campina Grande, no bairro Catolé –, forçosamente lembrei-me dos corrós do açude velho da "Rainha da Borbo-rema". Lá havia muitos, eu lembro. À tarde, quando fazíamos um cooper ao redor do velho açude central, víamos dezenas de ‘pescadores’ que, se equilibrando em seus botes-câmaras-de-ar, capturavam em tarrafas os indigitados perciformes.

Ah... outra coisa, poeta Feitosa: quero dizer-lhe que o proprietário esqueceu-se (ou não quis CORRÓ/borar) que no Cumbe aracatiense – ou no Fortim – certamente você e seus companheiros (o belo casal de poetas) poderiam "matar o desejo" de facilmente dar de cara (ou de boca) com o ansiado espécime písceo (o corró). Entretanto, para que se cumprissem as escrituras – e já que você não é da beira do mar: vem de outras terras de dentro do mesmo Ceará – claro que vocês haveriam de trompar com o bicho era mesmo nas paragens bucólicas por detrás da serrania, naquelas terras da sua infância onde o sol poente, em queda brusca, se escondia (e se esconde) no paredão da Serra Branca.

Mas retornando à sua irretocável obra, nobre escritor SF, o que impressiona também é a materialização da alma prosaica e a espiritualização da matéria poética contidas no esplendoroso manancial da sua criação. A peculiar disposição dos vocábulos nas frases e destas nos períodos. Incrível como até as simples vírgulas do seu texto já dizem muito, sugerem, indicam e propiciam aos leitores um clima psico-real, palpável e tangível (uma integração vida/arte, isomórfica total e absoluta):

"Também sou velhote: sessenta, batidos neste janeiro recém. Jovenzinho, dezessete, dava meus primeiros passos no jornal. Depois larguei tudo, fiscal do consumo, de concurso, dos mais jovens entre os jovens. Mas à época do jornal, quando me ligava, de obrigação, aos jornais, acho que lia sobre um certo Ascendino, nos jornais, um besouro doudo, muito doudo. Distante, pois, o meu primeiro contacto com o seu distinto nome."

[...] E os peixes pretos e seus escuros, nas partes mais fritas, mas nem tanto. De sal e brilhos, os corrós de açude, no prato longo. Não e não! Recusarei qualquer descrição que os descreva. Então, de um lado, a mão e sua colher — a mão direita. Do outro, o peixe à esquerda, mão, segurando-o, direto, com a mão, a mão esquerda."

São textos desta estirpe, ó eclético e prolífero Soares Feitosa, que o consagram definitivamente como um dos escritores mais inspirados e originais do nosso país. Parabéns para você! E para o ilustre poeta auroral Ascendino Leite, que fez jus a esta obra-prima.

Poetas Ascendino e Soares, Mestres!, recebam o meu abraço sincero e fraterno.

Rubênio Marcelo

 

 

Gizelda Morais

De: Gizelda Morais [mailto:gizelda@neoline.com.br]
Enviada em: sábado, 1 de maio de 2004 09:57
Para: Soares Feitosa
Assunto: Re: sobre "peixe de caixa postal" e outros assuntos

 

É Soares, seu textos estão cada dia mais soareanos (é assim que se diz?). Em todo caso, cada dia eles soam mais nos ouvidos da gente como uma cantiga nordestina, cheia de humanidade, dessa coisaGizelda Morais áspera, singela e bonita que é o nosso nordeste. Este texto é especial (como todos os seus que tenho lido ultimamente).

Continuo dizendo que espero um ROMANCE, ou um grande texto, seu, pra marcar época na nossa literatura.

 

 

Deise Assumpção

De: Deise Assumpção [mailto:deiseassumpcao@uol.com.br]
Enviada em: sábado, 1 de maio de 2004 22:11
Para: soaresfeitosa@uol.com.br
Assunto: Re: Zunái

Meu caro,

Soa só ares Poeta esse texto.

Admiro essa agilidade de linguagem. É o que mais me impressionaDeise Assumpção em seus textos. Vai tirando assunto de assunto, engatilhado qual mágico com sua cartola.

Depois que almocei uns peixinhos que eu mesma fiz, logicamente no fogão a gás aqui da cidade grande e não na beira do rio nem da ponte, vim abrir a caixa postal, não aquela do correio com número, mas a das @s. E havia este outro peixe. Sobremesa. Guloseima.

Um abraço,

                   Deise Assumpção

 

 

 

Renato Suttana

De: Renato Suttana [mailto:rsuttana@yahoo.com.br]
Enviada em: domingo, 2 de maio de 2004 15:42
Para: Soares Feitosa - Jornal de Poesia
Assunto: RES: Sobre antologias

 

Soares:

Li os "Corrós". Não conheço a poesia do Ascendino Leite (buscareiRenato Suttana vislumbres dela assim que puder), mas acho que você compôs para ele uma bela e delicada homenagem. Que é, também, uma homenagem à poesia.

Coisa de poeta.

Abraço. Saúde para todos, e para o Ascendino em especial.

Renato Suttana