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O Prisioneiro

— Soares Feitosa —


Deutsch

Trouxeram-me a prisioneira ao interrogatório.

 

Recusei-me às perguntas porque as respostas
estavam ao passado. Sequer o futuro 
se lhe indagou; que também recusou 
perguntar, quando os carrascos lhe disseram:

 

                                    — Pergunte o que quiser.
 

Ela apenas balbuciou: 
                                    — Eu sei.

 

Mentíamo-nos, 
porque jamais nos víramos.

 

Decretei a prisão imediata de todos os carrascos.
Mantive a prisioneira sob algemas, 
que ninguém é louco de manter 
tesoiro tão rico ao léu;

 

mas, prudência maior, 
soltei-lhe os braços e mudei as algemas

aos meus próprios pulsos.

Ela — 
os gestos diziam que me seriam 
sob afagos.

 

Deixei:
apenas que os olhos, os cabelos úmidos:

 

                                   — Os meus? Os dela?

 

          Era o chamamento.
 
 
 

Fortaleza, noite, 11.12.1999

 

 

 

Sent: Thursday, March 17, 2005 3:29 PM
Subject: Os "papé"

 

Poeta Soares Feitosa,

Recebi há já um tempo os seus “papé”, algumas obrigações, porém, retardaram-me o envio deste comentário. Fantásticos os seus poemas, criam uma espécie de imagem, feita, tecida palavra por palavra, e que, ao menor toque, parece desfazer-se.

Aquele “O Prisioneiro”, principalmente, chamou-me a atenção. A simples frase, “era o chamamento”, cria um espaço escuro e criativo, do qual cada leitor tira a sua conclusão, ou “desconclusão”.

Maravilhoso.

Ângelo Bruno

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Der Häftling

— Soares Feitosa — 


 

Portugiesisch

Man brachte mir die Gefangene zum Verhör. 

Ich verweigerte mich den Fragen, denn die Antworten
richteten sich an die Vergangenheit. Auch nach der Zukunft
fragte man sie nicht; die sich ebenfalls weigerte
zu fragen, als die Henker ihr sagten: 

                                             — Frag, was du willst. 
 

Sie stammelte nur: 
                                             — Ich weiß. 

Wir belogen uns, 
denn wir hatten uns nie gesehen. 

Ich befahl die umgehende Inhaftierung aller Henker. 
Ich liess die Gefangene in Handschellen, 
denn niemand ist so verrückt, und lässt 
einen so wertvollen Schatz frei ziehen; 

doch, mit noch größerer Umsicht,
befreite ich ihre Arme und legte
die Handschellen um meine eigenen Handgelenke. 

Sie — 
die Gesten sagten mir, dass sie 
Zärtlichkeiten für mich sein würden. 

         Ich liess zu: 
         dass nur die Augen, die nassen Haare: 

                                            — Meine? Ihre? 

                   Das war der Ruf. 
 
 

                                              Fortaleza, nachts, 11.12.1999