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Banda Hispânica (collage, Floriano Martins)

Pedro Granados

Pedro Granados (Lima, 1955) ha publicado los siguientes poemarios: Sin motivo aparente (1978), Juego de manos (1984), Vía expresa (1986), El muro de las memorias (1989), El fuego que no es el sol (1993), El corazón y la escritura (1996), Lo penúltimo (1998) y Desde el más allá (2002); asimismo una novela: Prepucio carmesí (New Jersey: Ediciones Nuevo Espacio, 2000). Su obra crítica figura en revistas especializadas como Cuadernos Galdosianos, INTI, Lexis, etc. y tiene en preparación la publicación la que fue su tesis de PhD en Boston University, "Poéticas y utopías en la poesía de César Vallejo". Además, Granados colabora con regularidad en la prensa tanto en papel como electrónica, sus artículos versan fundamentalmente sobre poesía contemporánea y, desde hace ya algunos años, viene dedicándose a la lectura de la poesía dominicana sobre la que ha publicado un ensayo, "La poesía que vendrá: Nueva poesía dominicana", y tiene en preparación otro: "Corrientes imaginarias del Caribe Insular Hispano: Henríquez Ureña, Lezama Lima y el neobarroco". Pedro Granados actualmente trabaja en Framingham State College (Massachussets) donde dicta un curso de poesía hispánica contemporánea que --entre otros objetivos-- se propone bosquejar una antología de la poesía más reciente que se escribe tanto en Latinoamérica como en España.

Collage, Floriano Martins

 

Em defesa da poesia

1. Quais as tuas afinidades estéticas com outros poetas hispano-americanos?

Gostaria de começar a enumerar e, provavelmente, não terminar e continuar enumerando: Rafael Cadenas, Jorge Eduardo Eielson, Jaime Sáenz, Alejandra Pizarnik, Nicanor Parra, Martín Adán, César Moro, Raúl Gómez Jattín, Luis Hernández Camarero, Emilio Adolfo Westphalen, Lezama Lima etc., etc. Mas, de alguma maneira, estes poetas já estão incluídos de dois bem grandes: Borges e Vallejo. Ambos tão apaixonados, e nem por isso menos lúcidos; enormes resumidores e desmontadores de nossa cultura. E, claro, ainda que mais elaborado no estilo este que aquele, ambos, por sua vez, bons filhos do simples e insondável José Martí, e herdeiros do gênio de Rubén Darío; também se poderia dizer: um mais completo que o outro; Vallejo, que incorpora à sua poesia – quase que por um milagre – a materialidade do concreto e, por isto mesmo, os quatro pontos cardeais do que somos e do que se passa agora mesmo. Borges é o mito, o amor e a ironia diante do espetáculo do real, lhe falta a utopia do concreto (embora ainda hoje indecifrável) que percebemos ao ler Vallejo. Ambos poetas, creio, estão conjugados de algum modo em minha própria poesia.

2. Quais contribuições essenciais existem na poesia que se faz em teu país que deveriam ter repercussão e reconhecimento internacionais?

Meu país é de uma pobreza material extremíssima; mas que amassa uma tradição oral lendária que parece confundir-se com o rumor das penalidades da sobrevivência e do trânsito irrespirável da capital. A gente de meu país há bastante tempo esqueceu a celebração da dissipação, da felicidade. Sol muito antigo, não somente o de Cuzco, mas também o da própria cidade de Lima, que nos interpela cúmplice como um avô em qualquer insuspeitável lugar ou momento, e nos faz desejar ardentemente a vida ou vivamente a morte. Mas vida ou morte de verdade, não somente frustração, domesticada prudência ou comprazida acomodação. Um sol que nos convida a ser felizes, ao excesso, à solidariedade, à aventura humana; a adotar a posição fetal também e o auto-aniquilamento, se necessário. Sol de Pachacámac, em minha cidade natal, como mãe acolhedora: mamapacha. Com a vigilância deste deus tutelar, invocando-o ou não, escreveram todos os poetas peruanos; não somente os mal chamados indigenistas (Arguedas?), mas sim os considerados marginais ou exóticos ou puros: José María Eguren, César Moro, Jorge Eduardo Eielson, por exemplo. Este sol tem permitido, desde o Inca Garcilaso de la Vega em seus Comentarios reales, penetrar o fundo das coisas e trazê-las à intempérie e, em algumas vezes, conduzi-las intactas ao poema. A verbosidade, portanto, não é o apoio do poeta peruano, não é seu pretexto. Neruda jamais poderia haver nascido no Peru. A necessidade imperiosa de traduzir uma linguagem outra, uma cultura outra, uma ternura outra, que infinitamente lhes supera, para algo que não é a linguagem, esta sim, tem sido sua incumbência. Toda a boa poesia peruana é então, desde o princípio, ante-poética, ante-retórica, por fidelidade ao material tão complexo que encara seu ofício de tradução. País híbrido e desarticulado, o Peru tem em sua poesia seu único produto de exportação. Em todo o demais está colonizado, manipulado, fodido. Porém o que a poesia sabe é que no Peru todos somos índios, felizmente, até o mais distinguido, e seu – de cada um – é aquele sol que vela como um avô, como uma mãe ou como um espelho. Aqui reside a poesia do Peru, os logros do presente e também sua utopia.

3. O que impede a existência de relações mais estreitas entre os diversos países que conformam a América Hispânica?

Amo o Brasil. Nossas relações não são fluidas ou estreitas, mas isso não impere que as pessoas que escutaram ao menos uma vez sua música-poesia sintam-se cativadas para sempre. A poesia do Brasil - o feitiço de sua sensualidade, a claridade de seu pensamento - é o contrapeso necessário à orfandade e certo espírito barroco preponderantes nos Andes. No entanto, é muito certo aquilo de nosso mútuo desconhecimento. Quando estive vivendo uma temporada em Manaus, inclusive entre colegas poetas, ali se conhecia, do Peru, apenas a César Vallejo e a Manuel Escorza. Simpatia e carinho existem entre nossos povos; de maneira que a autarquia é consequência da pura falta de interesse de nossos líderes políticos e culturais (nem sempre os mais idôneos para remediar tais coisas). Isto sim, sem um mínimo de investimento econômico, existindo já a boa vontade, pouco é possível fazer. Recordo, como bom exemplo, que há uns 20 anos a Embaixada do Brasil no Peru publicava edições bilíngues de poetas brasileiros contemporâneos, eram volumes delgados e em rústica, mas que cumpriam amplamente sua incumbência: aproximaram-nos de mineiros, cariocas ou paulistas, da maravilhosa poesia brasileira.

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Collage, Floriano Martins

 

Poemas

Dominicanísimos

Para Elimane

UNO

El sudor
le gana al poema.
La alcantarilla
a mi voz.
Una irregularidad, apenas.
Un terrón de azúcar desconcertado
ante tantísimo eco.
Así el niño que vende,
y la muchacha que compro
ni con palabras
ni con besos.
Poesía de cara a la desconcertante
habilidad de unas serranas
de uñas multicolores
y engominados labios.
El sudor
puede más que la sed.
Porque aquél es secreto y el anhelo
sólo puede mover montañas.
Poco a poco
corto trocitos
que añado a mi licuadora.
A la noche de Santo Domingo
es preciso palanquearla con un fierro
antes de asirla y cortarla bien.
Noche densa y aceitosa que resbala
-como por un embudo-
hacia las nalgas de mi ocasional muchacha.
Muchísimo más negras que su propia cara.

 

DOS

Una muchacha negra
va uniendo los cabos
de lo desconocido.
En veinte uñas
-y conectado a ella-
yo más bien soy su instrumento.
Una bocina por donde escapa
un nudo de ruidos
monocordes y muy antiguos,

 

TRES

La noche no depende de ti.
Esta noche, este cuello de botella
que compulsivamente atraviesas,
para nada depende de ti.
El semen tuyo, agua furtiva
que te asemeja a un arrollo
o a una chispa inocente,
en realidad no te pertenece.
Te has perdido en la noche
-como en el juego de los niños-
y no has vuelto ni han vuelto a encontrarte.
Sólo recuerdas el manso viento de la gente.
Sólo recuerdas el brillo de aquellos ojos:
una luz resbalando resignada
frente a tu puerta.
Todas las anécdotas al respecto
se reducen a esto.
Todo lo que has vivido también.
Una calle modesta y muy mal iluminada
y compulsivamente atravesada. Y la noche.

 

CUATRO

Al paso. No te apures.
Hasta el hoyo del papel
o de aquella india
de perfil tan moreno.
¿Qué es lo que se mueve
por ahí? Más ná.
Montao, y qué.
Con oro, y qué.
Como dice Chicho Severino
en su tan conocida bachata.
Hay problemas. Al poema
lo defendemos con un par de botellas rotas,
salvo si nos vienen con piedras.
Entonces, nos vamos.
Me llamas para atrás. Cónchole.
Ante la curva de la piedra
prefiero la de tu vestido.
Y encaramado como un mango
tu tan sinuoso paso espero.
¡Bendito palo!

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