1. Quais as tuas
afinidades estéticas com outros poetas hispano-americanos?
Suponho que se estão vivos ou mortos isto não
interessa. A obra transcende essa condição de estar ou não estar. Maravilha de
maravilhas. Comecei a amar a poesia com Gabriela Mistral, José Martí, Góngora e
Quevedo, Juana de Asbaje, Gustavo Bécquer. Tinha talvez sete ou oito anos. Logo encontrei
José Asunción Silva, Rubén Darío, Thiago de Mello, Alfonsina Storni, Eunice Odio. Mais
tarde, Roque Dalton, Otto René Castillo, Mario Benedetti, César Vallejo (certamente),
Vinicius de Morais, Rosario Castellanos, Juan Gelman, Natalia Burgos, Luis Rogelio
Nogueras, Chiqui Vicioso, Eliseo Diego, Paco Morales Santos, Carlos Cortés, Jaime Sabines
e sigo encontrando afinidades porque sigo encontrando poetas que andam por aí regando a
alma por todos os lados com sua força e sua luz que chega até mim por caminhos
incríveis para me salvar.
2. Quais contribuições essenciais
existem na poesia que se faz em teu país que deveriam ter repercussão e reconhecimento
internacionais?
Do Panamá, é pouco o que se sabe em
qualquer parte. Um canal, uma invasão, ditadores e presidentes, interesses vários, de
vários interessados. Contribuições há muitas. Porém não alcançam o mercado do livro
ou a feira das vaidades. Eis aí a obra de Rogelio Sinán, que morreu de velho, há uns
poucos anos atrás, e ainda seguimos descobrindo o caminho que nos abriu a todos. Demetrio
Herrera Sevillano, que morreu pobre nos subúrbios da cidade que crescia na contramão na
década de 20, e que escreveu uma poesia que transcendia inclusive as auriflamas do
Modernismo. Em muito ele se adiantou às formas de dizer. Duvido muito que uns versos como
"com os lápis de minhas pernas / vou traçando uma ferida que me leva até minha
casa / minha casa de solidão e amor desenganado na penumbra", que tais versos
pudessem ser concebidos por outro que não saísse da dor e da pobreza que lhe pertenceram
a vida inteira.
Toda a poesia escrita nos anos 60, exacerbada
por haver um governo dentro de outro governo, cercas, tratados nefastos, soberania
hipotecada. Toda a poesia panamenha deste século fala de como é viver em um país de
trânsito (adeus, goodbye, so long, farewell, hoje te vi, amanhã
quem sabe), país armado, semeado de minas e cercas de no tresspasing. Os poetas
escreveram tudo, porque a recordação histórica não alcança para contar a dimensão do
perdido, o tamanho da ferida e nossa capacidade para não regar sangue desnecessário,
negociando o pulmão com o amo mundial fazendo uso da astúcia do pequeno. Não nos teria
obtido sangue para sustentar a soberba. Este tem sido um país aberto. Sempre
multicultural, salada de gente. Todo mundo tem algo de todo mundo. Os poetas têm contato
como é viver assim. Não fizemos revoluções, nem conflitos de baixa intensidade, nem
guerrilhas. Não rejeitamos ninguém por sua cor ou origem, tivemos um ditador bom
que pôs nossa causa no mapa mundial e outro que demonstrou que ainda levamos o
subdesenvolvimento nas costas. Enfim, contribuições têm havido muitas. Porém só
descobrimos essas contribuições para nós mesmos. É uma luta. Veremos neste século o
que alcançaremos.
3. O que impede a
existência de relações mais estreitas entre os diversos países que conformam a
América Hispânica?
Simón Bolívar já o tentou. Uma única
América Grande e Unida, dizia. E nada conseguiu. Aparentemente, não basta ter um inimigo
comum que venha de fora. Não basta ter uma língua comum (embora nisto se possa dizer que
temos nos encontrado) e uma pobreza comum. Nossos próprios inimigos internos, criados,
induzidos, injetados, cozinhados nos impedem a claridade para ver as coisas em sua justa
dimensão. Me vem à memória o caso da dívida externa. O caso das invasões e
intervenções estadunidenses. O caso do bloqueio a Cuba, o embargo à Nicarágua, e
outros casos. A Comunidade Centro-americana não existe. Nunca pudemos fazer frentes
comuns. Provavelmente, a territorialidade, isso que trazemos nos instintos, transcende a
cultura, dá significado à política, permeia a economia. As fronteiras não costumam
estar nos mapas. Estão na cabeça. Os interesses dispersos, não sei. Talvez nos
encontremos na música, na pintura, na poesia, no teatro. Ali nos conhecemos e aprendemos
a nos encontrar. Talvez. |
poemas
De la propensión a los silencios
largos
Llena de oscuridad mi boca es una piedra
en su inmovilidad oculta a los absurdos.
Huyo de mi lengua como de la ira
espanto las palabras para que no se posen
en el labio del niño que duerme
ignorando catástrofes y circos.
Las espinas de lo dicho
inundan la enorme gravedad del participio
y ningún verbo es voluntario
para rescatar el juicio o el prejuicio.
Acomodada entonces
en mi oficio transitorio de partícula
voy pareciéndome a la noche
protectora de ensombrecidos seres
que mataron el hambre con acentos
y calmaron su sed en los sepulcros.
El silencio es un pez en mi cabeza
felizmente alimentado con todas las palabras que no dije.
De la propensión a la puntualidad
No es que haya nacido en otra parte.
Mucho menos, que me preocupe el tiempo
en su belleza de abstracta redondez lunática.
Es que los minutos me muerden los talones
hormigas enfurecidas urgiéndome a hacer
a no detenerme en función de los finales.
Es muy cierto
la prisa es un agujero en la calma del insomne
una muralla en la planicie de los sueños
un abrevadero de ilusiones que a menudo fallan
No es que me avasalle el miedo a la tardanza
pero la magia se me acaba
he perdido las fórmulas los jeroglíficos las pócimas
la clave de los secretos que guardaba
las cosas que el sabio Fritz confió a mis huesos
Lo confieso
cada vez soy menos yo
y más lo que he vivido.
Por eso es que me apuro
para no llegarle tarde
a la que realmente he sido
cuando todo se acabe.
De la propensión a los olvidos
La felicidad- me dijeron-
es asunto de poetas ebrios.
Utiles solo para cabalgar la luna
con todo y sus acólitos nocturnos.
Escóndete tras la puerta me dijeron.
No cruces la línea que separa al ahorcado
de su mediodía.
Huye del espejo y sus engaños
únete más bien a una legión de imágenes
promotoras de la ausencia.
Trágate tu amor al prójimo
y sus dinosaurios descalzos.
Esas utopías ya no las compra nadie.
Si descubres un vuelo de monarcas coloridas
dales la espalda
no escuches su caricia en el aire
y el escándalo de sus alas encendidas.
Podrías no recuperarte.
Ama la sombra y sigue sus instrucciones
protégete en su círculo de las tentaciones
que la luz produce
Súmate a la sagrada ley de lo que no se
mueve
eso es lo que perdura.
Todo esto me dijeron.
Pero mi desnudez no tenía bolsillos para entonces.
Tampoco una memoria para el llanto.
He seguido la ruta de las aguas
en su afán de mar y de horizonte.
Y no puedo detenerme todavía |