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banda hispânica |
Vicente Huidobro |
(Chile, 1893-1948) Obra poética |
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Em defesa da poesia O poeta é o que faz o inventário vivo da natureza, o poeta nomeia as coisas e seu nomear é fazer viver. As coisas começam a existir. Já não pretendo que não existissem antes, porém o poeta as faz existir para o homem, confere a elas esse calor humano que as aproxima de nós, que faz com que entrem nos corações e as acostuma ao nosso ser e a elas nos acostuma. Essas coisas que existiam antes em condição de inventário morto ou obscuro se convertem em acontecimento espiritual. Por isto o poeta é aquele que ilumina, no duplo sentido de dar à luz e de dar luz. Ilumina os cantos opacos, descobre as relações recônditas e depois oferece aos homens seus descobrimentos. É o grande eletrificador do universo. O poeta tem o corpo aberto de par em par ao mundo, é o ser suscetível a todas as vibrações, o homem fácil à chegada das visões e dos fluidos. Não o homem pertinaz que fecha as portas e janelas de seu espírito. O poeta desce às profundidades da alma, sobe à superfície e busca o contato cósmico. Eis aí as fontes da criação. Da criação como a entendo, como descobrimento de correlações ou diferenças e apresentação de um fato novo. Quando se sai do ato essencial se cai no adorno, na Poesia ornamental. Esta era a poesia dominante quando abri os olhos à vida. Havia que estabelecer novamente o fato poético. Daí me nasceu a idéia do criacionismo. Havia que recriar o mundo, descobrindo-o novamente. Sempre acreditei que a poesia é ato de transubstanciação. Este ponto, que desenvolvi amplamente em uma conferência na Sorbonne e em outra em Berlim há mais de dez anos atrás, daria para muitas páginas de explicação. Direi somente que na criação e na expressão poética há um ato taumatúrgico duplo: o de captação da natureza e o que traslada o conhecimento de alma em alma. Ato taumatúrgico, tirando desta palavra seu sentido extra-humana. O poeta não deve imitar a natureza em seus aspectos, mas sim em sua força criativa. Deve fazer com que seu espírito seja como a natureza: fonte de vida. Para o poeta se trata sempre de captar a realidade e de criar uma realidade nova. A poesia cria com seu material
próprio que é a linguagem. Ao poeta lhe estão permitidas todas as aventuras da
linguagem, sempre que as justifique. Contudo, muitas vezes acontece da linguagem se voltar
contra seu homem e o devorar. Isto se dá com os poetas que têm demasiado coração e
pouco cérebro. Vicente Huidobro |
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Poemas Impossível Impossível saber quando esse canto de minha
alma dormiu
Voz de esperança Tens olhos de orgulho desesperado e de fogo
coberto
O passageiro de seu destino I II III |