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banda  hispânica

eunice odio

 

(Costa Rica, 1922-1974)

Obra poética

Los elementos terrestres. Ediciones El Libro de Guatemala. Guatemala. 1948.
Zona en territorio del alba. Ediciones Brigadas Líricas. Mondoza. 1953.
El tránsito de fuego. Ediciones del Ministerio de Cultura. San Salvador. 1957.
El rastro de la mariposa. Alejandro Finisterre Editor. México. 1970.
Terrirorio del alba y otros poemas. Editorial Universitaria Centroamericana. San José. 1974.
Eunice Odio: Antología. Rescate de un gran poeta (Selección y orden de los textos por Juan Liscano). Monte Avila Editores. Caracas. 1980.

Em defesa da poesia

Para que quero ser rica se posso ser poeta? Deus sabe que preferiria pedir esmola, se fosse preciso, antes que me fosse negado o grande "dom carismático". Se me fosse dado escolher, entre formar parte dos poderosos da terra e ser parte dos que podem dar vida nova à palavra, em nenhum momento vacilaria. E se me dissessem que me dão um grande poema em troca da miséria extrema, e que só um poema grande, escolho o poema grande, mesmo que seja somente Um. Assim foi desde que descobri que a poesia não era em mim uma "afeição", mas sim "um destino implacável".
[…]
Pelo que me toca, enquanto tenho tempo, lápis e papel, sei muito bem como fazer para dizer coisas de tal modo, que qualquer pessoa, com um mínimo de sensibilidade, ou um máximo de hiper-sensibilidade, tem por força que ficar retida dentro do círculo mágico. É uma espécie de "assalto a mão armada, com traição e vantagem, ainda que não premeditado".
[…]
A solidão não deve durar tanto, e o poeta deve misturar-se à humanidade. Observá-la, adivinhá-la, padecê-la, alegrar-se com ela, confiscá-la, mordê-la. Me disponho a isto e o conseguirei com a ajuda de Deus.
[…]

Devo esclarecer que não aderi ao supra-realismo, como disse uma crítica venezuelana. Minha poesia e meus contos são, por exemplo, o contrário da escritura automática. Um e outros estão pensados a cada centavo e super-estruturados a tal ponto, que é uma das características que os distingue da literatura que hoje se escreve, em espanho ou em qualquer outra língua.

Eunice Odio
[Trechos de cartas dirigidas a Juan Liscano, s/d, citadas por Stefan Baciu em Costa Rica en seis espejos. San José. 1976.]

poemas
(traduções de Floriano Martins)

De noite, com a estrela

De noite,
com a estrela,
muito alto se vê o muro
vizinho sobre o mundo,
e até fenecem cais
em suas águas gastas,
e até há crianças que limpam
uma pena de cotovia.
De noite, com a estrela,
há corações de homem
que oscilam sobre o muro.

 

Retratos do coração

A Olga Kochen

 

Antes de me enamorar de alguma mulher,
lancei meu coração ao acaso e o ganhou a violência.
José Eustacio Rivera

I

Sabendo-lhe cativo do acaso
abandonei meu coração ao vento
e este o entregou à tempestade.
Porém voltou… sabia que voltaria.
Pressinto que um dia voltou do fogo,
para ser fogo do céu ensimesmado.
Incorporou-se à minha carne,
já desatado fruto do relâmpago.

II

Sai do rosto fugaz sem companhia.
Ninguém o vê chegar,
ao pó dar alento,
pasto ao sonho,
ser domínio do dia e movimento.

III

Ser o que sobe no dorso da aurora,
ser a atitude do horto
e não a mão ardente que o toca.

IV

Não habita a manhã,
não caminha ao som do céu,
vai na cabeça do claro dia.
De sua presença restam,
no campo,
rastros como bandeiras.
Companheiro da alvorada,
não vai dentro dela,
no grande rio terrestre de todo o perdido,
com ela vai, em seu ruído,
até a ausência.

V

Foi presença da alma,
face perpétua, "incombustível chama",
é fogo e ao fogo retornará.

VI

Uma lágrima o interrompe
e do céu não resta nenhuma lâmpada.
- Céu vertido em outra idade da alma -.
Não há ninguém em minha criatura,
ninguém me fala em segredo…
Somente uma testemunha matinal
do que foi vertido no silêncio.

VII

Me vejo.
Aonde vai meu coração?
Cai de Deus com um relâmpago.

VIII

Anjo interno…
Detrás de Deus se oculta.
O sonho o tem procurado.

IX

Afirma.
Que afirmação o faz girar,
ser a linguagem
de uma história secreta?
A afirmação do ar.

 

[É a alvorada]

É a alvorada.
Teresa, Anjo trabalhador, deixa o relógio sobre o rio!
É a alvorada de um dia com potestade sobre os pontos cardeais.
É hora de partir.
Teresa, põe a roupa preferida dos pescadores;
põe tuas asas para viajar, Teresa;
para viajar na velocidade da alma;
e antes delas, o manto que te enviaram da Primavera.
Orfeu, diz ao dia que voe.

 

projeto editorial do jornal de poesia

editor geral e jornalista responsável

soares feitosa

coordenação editorial da banda hispânica

floriano martins

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A outra face do editor Soares Feitosa, o tributarista