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banda hispânica |
Julio Herrera y Reissig |
| (Uruguai, 1875-1910)
Obra poética Los peregrinos de piedra. O. M. Bertani
Editor. Montevideo. 1909. |
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Em defesa da poesia Não
há que ser, como diz um moderno crítico espanhol, dos que maldizem e proscrevem as
formas artísticas que não lhes são de fácil acesso ou que não vão bem com suas
propensões e a índole de seus espíritos. A tolerância é uma saudação da
inteligência ao desconhecido. Tolerar é amar o que se aproxima, e é aproximar-se do que
vem. Ninguém pode ser juiz do que só deve ser julgado pela posteridade, e quem diz
posteridade diz relatividade, e quem diz relatividade tropeça sem querer no infinito, no
incomensurável. O que é o gosto, senão uma quantidade de alucinação, que entra pelos
sentidos, educados por esta ou aquela época, e lacrados por convencionalismos mais ou
menos efêmeros que se desmentem entre si a cada passo, invocando o nome da Verdade? Julio Herrera y Reissig [Trecho de "Conceptos de crítica", 1889.] |
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Poemas
A NOITE A noite na montanha olha com olhos viúvos Riscam o panorama, como espectros agudos, O lago azul de sonho, que nem uma sombra empana, Albino, o pastor louco, quer beijar a lua.
ILUMINAÇÃO CAMPONESA Alternando a capricho o candor de suas prosas, Ante o gênio enigmático da hora, sedentos Largas horas, em transe de eucarísticos medos, E a noite iminente lambe suas mansidões
AMOR SÁDICO Já não te amava, sem deixar por isto Ácido prazer e bárbaro embelezo E já perdida para sempre, ao ver-te intratável, atroz, inexorável, hirsuto
A ALMA DO POEMA Como uma velha estampa se fundia Tal uma pérola, a cidade surgia Piedosos, enclausuramos a leitura
que entrelaçara, em milagrosos versos,
AS PRAGAS Era sua mão uma sentença. E me - Aguça a vista, imbecil: brilha o crime
nas adagas, - Um passo a mais e amanheces, néscio farrapo
de argila! - Seduzido, o polo te arrebata. Sobre a branca
gangrena, - Rema com gênio, insensato! A epilepsia
constringente - Canceroso de soberba, mordido pela neurose: - Condenado arrepiante, onde vais e onde pisas - Quanto sofres, deus leproso do coração; é
horrenda |