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Edwin
Madrid:
“Não
se faz poesia para satisfazer demandas de mercado”
Lorenzo Falcão
Edwin
Madrid é um dos mais renomados poetas do Equador atualmente.
Autor de inúmeros livros, já ganhou vários prêmios e alguns de
seus títulos já foram lançados em países como os Estados Unidos,
Espanha e Líbano. Tem formação em Letras e Ciências Econômicas.
É ganhador de muitos prêmios literários e costuma participar de
eventos ligados à literatura em vários países. Madrid atua
também como correspondente de revistas literárias do México,
Colômbia e Brasil. Estará presente na Literamérica. Na
entrevista abaixo fala de assuntos como o seu despertar para a
literatura, nomeia autores e obras que admira e também avalia a
relação entre a literatura e os novos meios de comunicação. Veja
o que tem a dizer mais um convidado especial da Feira
Sul-Americana do Livro. [LF]
LF - O que o senhor gostaria de dizer sobre a
Literamérica, de uma forma geral?
EM - Acho que todos os encontros, fóruns,
atividades que se empreendam para a motivação do mundo do livro,
são válidos e merecem o reconhecimento e o apoio da sociedade,
das instituições e das autoridades onde se realizam.
Literamérica me parece um esforço maravilhoso de integração
sul-americana para conversar sobre o que está se passando agora
mesmo no mundo editorial de cada um dos países participantes.
LF - Em relação a autores, movimentos literários
e assuntos relacionados com a literatura na América do Sul, como
títulos especiais, gostaria de destacar algo para os leitores
brasileiros?
EM - Bom, sou equatoriano, e conheço muito bem o
desenvolvimento de nossa literatura, por isso acho que poderia
recomendar para os leitores brasileiros a Jorge Carrera Andrade
(1903-1978), para muitos o mais notável poeta equatoriano de
todos os tempos. Autor infatigável e viajante incansável dá uma
limpidez cristalina, com o uso magistral da metáfora, à lírica
hispano-americana, chegando sua poesia a ser apreciada por
escritores como Octavio Paz, que assinala: Jorge Carrera Andrade
também tinha olhos nas mãos e tudo o que tocava se transformava
em imagem. Mas o equatoriano vai além, porque a partir de seu
primeiro livro, Estanque inefable (1922), se coloca na vanguarda
da poesia de nosso continente junto a Vallejo de Trilce (1922),
a Mistral de Desolación (1922), a Neruda com seu Crepusculario,
Jorge Luis Borges com Fervor de Buenos Aires, de 1923,
respectivamente ou La suave patria (1924) e Piedra de
sacrificios (1924) dos mexicanos Ramón López Velarde e Carlos
Pellicer ou do mesmo Carlos Drummond de Andrade com seu primeiro
livro Alguna Poesía (1930).
Logo, Carrera Andrade é um dos grandes da
Hispano-América, que não tem tido a divulgação necessária para
ser apreciado em sua real plenitude. Seria maravilhoso que os
brasileiros se interessassem por sua obra que é ampla e variada.
LF - Em nível de literatura mundial e ao longo da
história da humanidade, o senhor poderia mencionar alguns
autores e/ou obras que destaca como especiais? Porque?
EM - É muito difícil para eu fazer uma lista de
autores e obras fundamentais. Porém, do meu modesto ponto de
vista, e devido a minha formação, posso mencionar cinco ou seis
autores ou obras às quais sempre retorno. Uma delas é o Poema de
Gilgamesh, classificado como a primeira das grandes epopéias
literárias da humanidade. Um texto que se cataloga de 2750 a.C.
Eu imagino aos homens, porque suponho que foi escrito por vários
autores, igual a Bíblia; imagino, pondo pela primeira vez seu
sentimento na escrita. Isso me parece uma loucura e muito mais,
quando se trata de um texto que confronta as grandes
interrogações que o ser humano sempre enfrentou: a vida, a
morte, o amor, a existência. Mas também estão autores
contemporâneos como Borges ou Kafka, os dois porque me
deslumbram com o absurdo que tratam as limitações de uma
sociedade acostumada aos cânones triviais. Há também Dom Quixote
e a saga de García Márquez, que sempre que se volta a ler, se
descobre novas coisas. Porém, acho que para que seja tocado por
uma obra ou um autor, se deve produzir um encontro de leitura no
momento e no espaço apertado quando leitor e obra o esperavam.
LF - Nas últimas décadas, com o avanço da
tecnologia e o conseqüente desenvolvimento do audiovisual e da
própria internet, tem se falado muito que a literatura vem
perdendo espaço e o interesse da parte de muita gente. O senhor
acredita nisso? E como é a situação de seu país em relação a
isso?
EM - Acho que o desenvolvimento dos meios de
comunicação tem democratizado a informação. O leitor tem mais
acesso à busca de informações. O mau é que a tecnologia, em
nosso meio, segue sendo de um setor não muito amplo da
população. As escolinhas rurais, inclusive as que estão nos
bairros periféricos das grandes cidades, não têm acesso a essa
tecnologia; e, portanto, devem seguir confiando no livro
impresso como mecanismo de conhecimento. E penso que a
literatura e o livro sempre ocuparão o mesmo lugar que até agora
ocuparam na cultura dos povos. Não o digo pelo romantismo de que
o livro impresso tem cheiro de papel e tinta, e sim, porque é
muito difícil que o livro, tal como o conhecemos agora, deixe de
ser um objeto cultural e passe a se transformar em um objeto
virtual.
LF - A obra de um autor, normalmente, tem a ver
com as influências externas e com sua experiência de vida. O
senhor acha importante que uma obra enfoque questões ideológicas
e humanitaristas, já que a literatura também é entendida como
uma ferramenta para a transformação social?
EM - Parece-me uma verdadeira limitação que um
autor utilize a literatura para expor determinadas colocações
ideológicas. Até poderia pensar que esteve bem quando os
escritores tinham como escola ao Realismo Social, e tinham que
ser considerados como “escritores comprometidos”. Mas, na
atualidade, não acho que a nenhum escritor interesse certo tipo
de cabeçalho; já a literatura, a poesia, é uma aposta pela vida
e contra a estupidez do homem lobo do homem. Não há volta que
dar, na escrita não se mente a si mesmo e despoja-se de toda
parafernália que o mercado pretende criar como modelo de
escritor.
LF - Até que ponto, a seu ver, é importante
considerar tais aspectos; e o senhor acha que isso tem a ver com
a qualidade da obra?
EM - Posso falar pelo contexto equatoriano, onde
a geração anterior foi dependente de uma posição política de
esquerda, e isso tem sido um trauma que minha geração tem
tratado de romper porque o mundo mudou, e o inimigo já não é tão
visível. Faz 50 anos que esquerda e direita eram perfeitamente
os brancos e não tinha espaço para meias tintas. Hoje existe uma
inversão das posições onde, verdadeiramente, o principal a nos
interessar é que um escritor escreva bem, seja rigoroso consigo
mesmo e com sua escrita, com uma honestidade a prova de ferro.
Então, o que você assinala que a literatura também é entendida
como uma ferramenta para a transformação social, será advertido
em sua obra por mais ficção que esta tenha.
LF - E a sua experiência como escritor, como e
quando o senhor a detectou, e o que o levou a optar por essa
carreira literária?
EM - Meu gosto ou aproximação à escrita se dá de
um modo mecânico: um dia decidi que eu também podia escrever
aquilo que lia. Assim me sentei e escrevi. Por aqueles tempos eu
tinha 15 ou 16 anos, e minha família decidiu viver no campo. Eu
me aborrecia ali e queria sair correndo à cidade, Eu era um
animal urbano e a tranqüilidade escandalosa do campo me
esmagava, mas descobri que o melhor que podia fazer no bosque e
com o canto da água e dos pássaros, era ler. Então me
transformei em um leitor voraz, lia tudo que caía em minhas mãos
e o que havia nas casas vizinhas. Logo esse ato mecânico se foi
transformando em uma maneira de viver. Graduei-me em
bibliotecário, me casei com uma grande poeta e tenho publicado,
acho que mais da conta.
LF - Em seu caso particular, como a realidade e o
cotidiano influenciam no seu processo criativo?
EM - Interessa-me uma poesia do homem ordinário
no que se diga ou faça alcançar um lugar extraordinário. Acho
que a poesia é algo que nasce na linguagem de todos os dias; e
que o poeta converte essa linguagem banal em um brilho, em algo
extraordinário. Que a poesia não só diga algo e sim que deixe
algo, algo que não sei, e que tampouco dou a vida por conhecer.
Não me interessa descobrir nada na poesia, só seguir minhas
latências que se movem com minha experiência de vida. Inclusive
como leitor me interessam os livros onde sinto que há certa
potência de pensamento e certa graça da vida diária.
LF - No Brasil, muita gente acredita que é
praticamente impossível um escritor, salvo raras exceções,
sobreviver única e exclusivamente, de direitos autorais. No seu
país isso também acontece? E o senhor acha que essa realidade
pode mudar algum dia?
EM - Não somente no Brasil, acho que em todos os
países do mundo é quase impossível viver da escrita. Pior se é
um poeta, muito mais quando se trata de um jovem poeta. Está
predestinado a morrer de fome porque a poesia não é rentável.
Isso é o que sustentam os encarregados de dirigir os grandes
editoriais. Porém, acredito que a poesia não se vende e isto tem
que ver com o caráter intrínseco da poesia, que nunca se escreve
para satisfazer as demandas de um mercado determinado. O
fabuloso é que apesar de tudo, a poesia goza de muita boa saúde
e que cada vez mais é descoberta por mais leitores.
LF - O fato de no Brasil se falar uma língua
diferente da que é falada em todos os demais países
sul-americanos, na sua opinião, impede o surgimento de um
conceito de identidade cultural que seja abrangente a todo
continente?
EM - De nenhuma maneira, se bem é certo que há
uma América espanhola, não é menos certo, que Brasil é como se
tratasse de um continente que tem muito peso na região, e tudo o
que tenha que ver com a construção de um conceito de identidade
cultural latino-americana ou sul-americana, passa por contemplar
a riqueza cultural que tem Brasil e o resto dos países
sul-americanos.
Agora o que, ao menos em meu caso, vejo, é que os
escritores, tanto brasileiros como do resto da América Latina,
estamos de costas. Por exemplo, eu conheço muito pouco do que
agora mesmo produzem os escritores brasileiros; talvez, só aos
grandes nomes que têm pulado as fronteiras e têm sido traduzidos
ao espanhol. Mas e esses outros escritores que dia a dia
enriquecem a literatura de seu país e do mundo? O que não
acontece com o resto dos países, já que é uma questão de chegar
e se informar de primeira mão, daqueles escritores, que estão
fora dos grandes circuitos editoriais, mas que publicam em seus
respectivos países, ainda que seja em edições de autor. Então a
língua, neste caso concreto, me parece que obstaculiza ainda
mais a circulação da literatura brasileira.
Edwin Madrid: “No se hace poesía para satisfacer las demandas
del mercado”
Lorenzo Falcão
Edwin
Madrid actualmente es uno de los más renombrados poetas del
Ecuador. Autor de inúmeros libros, algunos de sus títulos sus
títulos han sido lanzados en países como los Estados Unidos,
España y Líbano. Tiene formación en Ciencias Económicas. Ha sido
galardonado con varios premios litertarios y ha participado en
los mayores eventos ligados a la literatura en varios países.
Madrid actua también como corresponsal como corresponsal de
revistas literarias de México, Colombia e Brasil. Estará
presente en Literamérica. En la entrevista abajo habla de
asuntos como su despertar para la literatura, nombra a autores
y obras que admira , también advierte de la relación entre
literatura y los nuevos medios de comunicación. Veamos qué más
es lo que nos tiene que decir este invitado especial a la Feria
Sudamericana del Libro en Brasil. [LF]
LF -¿Qué
le gustaría decir a respecto de la Literamérica, en general?
EM -
Creo que todos los encuentros, foros, actividades
que se emprendan para la motivación del mundo del libro, son
válidos y merecen el reconocimiento y el apoyo de la sociedad,
las instituciones y de las autoridades donde se realizan.
Literamérica, me parece un esfuerzo maravilloso de integración
sudamericana para conversar sobre lo que está pasando ahora
mismo en el mundo editorial de cada uno de los países
participantes.
LF -
Acerca de autores, movimientos literarios y
asuntos relacionados con la literatura en la América del Sur,
como títulos especiales, ¿le gustaría destacar algo para
lectores brasileños?
EM -
Bueno, soy ecuatoriano, y conozco muy bien el
desarrollo de nuestra literatura, por eso creo que podría
recomendar para los lectores brasileños a Jorge Carrera Andrade
(1903-1978), para muchos el más notable poeta ecuatoriano de
todos los tiempos. Autor infatigable y viajero incansable aporta
una limpidez cristalina con el uso magistral de la metáfora a la
lírica hispanoamericana, llegando su poesía a ser apreciada por
escritores como Octavio Paz quien señala: Jorge Carrera
Andrade también tenía ojos en las manos y todo lo que tocaba se
transformaba en imagen. Pero el ecuatoriano va más allá
porque a partir de su primer libro Estanque inefable
(1922) se coloca en la vanguardia de la poesía de nuestro
continente junto al Vallejo de Trilce (1922) la Mistral
de Desolación (1922), a Neruda con su Crepusculario,
Jorge Luis Borges con Fervor de Buenos Aires, de 1923,
respectivamente o La suave patria (1924) y Piedra de
sacrificios (1924) de los mexicanos Ramón López Velarde y
Carlos Pellicer o del mismo Carlos Drummond de Andrade con su
primer libro Alguna Poesía (1930).
Desde luego, Carrera Andrade es uno de los grandes de
Hispanoamérica que no ha tenido la divulgación necesaria para
ser apreciado en su real plenitud y sería maravilloso que los
brasileños se interesaran en su obra que es amplia y variopinta.
LF -
A nivel de literatura mundial a lo largo de la
historia de la humanidad, ¿podría usted mencionar algunos
autores y/u obras que destaca como especiales? ¿Por qué?
EM -
Se me hace muy difícil hacer un listado de
autores y obras fundamentales. Sin embargo, desde mi modesto
punto de vista, y debido a mi formación puedo mencionar cinco o
seis autores u obras a las que siempre regreso. Una de ellas es
el Poema de Gilgamesh, clasificado como la primera de las
grandes epopeyas literarias de la humanidad. Un texto que se
cataloga del 2750 a. C. Yo imagino a los hombres, porque supongo
que fue escrito por varios autores, igual que la Biblia;
imagino, poniendo por primera vez su sentimiento en la
escritura. Eso me parece una locura y mucho más, cuando se
trata de un texto que confronta los grandes interrogantes que
siempre se plantea el hombre: la vida, la muerte, el amor, la
existencia. Pero también están autores contemporáneos como
Borges o Kafka, los dos porque me deslumbran con el absurdo que
pone al descubierto las limitaciones de una sociedad
acostumbrada a los cánones triviales, o El Quijote y la saga de
García Márquez, que siempre que se vuelven a leer se halla
nuevas cosas. Sin embargo, creo que para uno sea topado por una
obra o un autor, debe producirse una cita de lectura en el
momento y en el espacio justo cuando lector y obra lo esperaban.
LF -
En las últimas décadas, con el avanzo de la
tecnología y el consecuente desarrollo del audiovisual y de la
propia Internet, se ha hablado mucho que la literatura está
perdiendo espacio y el interés de parte de mucha gente. ¿Cree
usted en eso? ¿Y cómo está la situación de su país a respecto de
eso?
EM -
Creo que el desarrollo de los medios de
comunicación ha democratizado la información. Es decir, el
lector tiene más acceso a la búsqueda de información. Lo malo es
que la tecnología, en nuestro medio, sigue siendo de un sector
no muy amplio de la población. Las escuelitas rurales, inclusive
las que están en los barrios marginales de las grandes ciudades
no tienen acceso a esa tecnología; y por lo tanto deben seguir
confiando en el libro impreso como mecanismo de conocimiento. Y
pienso que la literatura y el libro siempre ocuparán el mismo
sitio que hasta ahora en la cultura de los pueblos. No lo digo
por ese romanticismo de que el libro impreso tiene olor a papel
y tinta, sino, porque es muy difícil que el libro, tal como lo
conocemos ahora, deje ser un objeto cultural y pase a
convertirse en un objeto virtual.
LF -
La obra de un autor, normalmente, hay que ver con
las influencias externas y con su experiencia de vida. ¿Cree
importante que una obra enfoque cuestiones ideológicas y
humanitarias, una vez que la literatura también es entendida
como una herramienta para la transformación social?
EM -
Me parece una verdadera limitación que un autor
utilice la literatura para exponer determinados planteamientos
ideológicos. Hasta podría pensar que estuvo bien cuando los
escritores tenían como escuela al Realismo Social, y tenían que
ser considerados como “escritores comprometidos”. Pero, en la
actualidad, no creo que a ningún escritor le interese cierto
tipo de membrete; si ya la literatura, la poesía, es una apuesta
por la vida y contra la estupidez del hombre lobo del hombre. No
hay vuelta que darle, en la escritura uno no se miente a sí
mismo y se despoja de toda parafernalia que el mercado pretende
crear como modelo de escritor.
LF -
¿Hasta
qué punto es importante considerar tales aspectos? ¿Cree que eso
tiene que ver con la calidad de la obra?
EM -
Desde luego, puedo hablar por el contexto
ecuatoriano, en donde la generación anterior fue fiduciaria de
una posición política de izquierda, y eso ha sido un trauma que
mi generación ha tratado de romper porque el mundo cambió, y el
enemigo ya no es tan visible como hace 50 años, donde izquierda
y derecha eran perfectamente los blancos y no había espacio para
medias tintas. Hoy, existe una atomización de las posiciones,
donde verdaderamente, lo único, que tiene que interesarnos, es
que un escritor escriba bien, sea riguroso consigo mismo y con
su escritura, con una honestidad a prueba de hierro; entonces,
lo que usted señala que la literatura también es entendida como
una herramienta para la transformación social, será advertido en
su obra por más ficción que esta tenga.
LF -
Y su experiencia como escritor, ¿cómo y cuándo la
detectó usted? ¿Qué lo llevó a optar por la carrera literaria?
EM -
Mi afición o acercamiento a la escritura se da de
un modo mecánico: un día decidí que yo también podía escribir
aquello que leía; así que me senté y escribí. Por aquellos
tiempos yo tenía 15 o 16 años, y mi familia decidió ir a vivir
al campo. Yo me aburría allí, quería salir corriendo a la
ciudad, yo era un animal urbano y la tranquilidad escandalosa
del campo me abrumaba, pero descubrí que lo mejor que podía
hacer en el bosque y con el canto del agua y de los pájaros, era
leer. Entonces me convertí en un lector voraz, leía todo lo caía
en mis manos y lo que tenían las casas vecinas. Luego ese acto
mecánico, se fue transformando en una manera de vivir. Me gradué
de bibliotecario, me casé con una gran poeta y he publicado,
creo más de la cuenta.
LF -
En su caso particular, ¿cómo la realidad y el
cotidiano influencian en su proceso creativo?
EM -
Me interesa una poesía del hombre ordinario en la
que se diga o haga alcance un sitio extraordinario. Creo que la
poesía es algo que nace en el leguaje de todos los días; y que
el poeta convierte ese lenguaje banal en una fulguración, en
algo extraordinario. Que la poesía no solo diga algo sino que
deje algo, algo que no sé, y que tampoco doy la vida por
conocer. No mi interesa descubrir nada en poesía, solo seguir
mis latencias que se mueven con mi experiencia de vida. Incluso
como lector me interesan los libros donde siento que hay cierta
potencia de pensamiento y cierta gracia de la vida diaria.
LF -
En Brasil, mucha gente cree que es prácticamente
imposible que un escritor, salvo raras excepciones, pueda
sobrevivir única y exclusivamente, de los derechos de autoría.
¿En su país eso también pasa? ¿Cree que esa realidad puede
cambiar algún día?
EM -
No solamente en Brasil, creo que en todos los
países del mundo es casi imposible vivir de la escritura, peor
si uno es poeta, mucho más si se trata de un joven poeta, está
predestinado a morirse de hambre porque la poesía no es
rentable; al menos, eso sostienen los encargados de manejar las
grandes editoriales. Sin embargo, creo que la poesía no se vende
porque no se vende y esto tiene que ver con el carácter
intrínseco de la poesía, que nunca se ha escrito para satisfacer
las demandas de un mercado determinado. Lo fabuloso es que a
pesar de todo, la poesía goza de muy buena salud y que cada vez
es descubierta por más lectores.
LF -
El
hecho que en Brasil se habla una lengua distinta de todos los
demás países sudamericanos, en su opinión, ¿impide el
surgimiento de un concepto de identidad cultural que abarca todo
el continente?
EM -
De ninguna manera, si bien es cierto que hay una
América española, no es menos cierto, que Brasil es como si se
tratara de un continente que tiene mucho peso en la región, y
todo lo que tenga que ver con la construcción de un concepto de
identidad cultural latinoamericana o sudamericana, pasa por
contemplar la riqueza cultural que tiene Brasil y el resto de
países sudamericanos.
Ahora lo que, al menos en mi caso, si veo es que los escritores,
tanto brasileños como del resto de Latinoamérica, si estamos de
espaldas. Por ejemplo, yo conozco muy poco de lo que ahora mismo
producen los escritores brasileños; tal vez, solo a los grandes
nombres que han saltado las fronteras y han sido traducidos al
español. ¿Pero qué de esos otros escritores que día a día
enriquecen la literatura de su país y del mundo? Lo que no
sucede con el resto de países, ya que es cuestión de llegar e
informarse de primera mano, de aquellos escritores, que están
fuera de los grandes circuitos editoriales, pero que publican en
sus respectivos países, aunque sea en ediciones de autor.
Entonces la lengua, en este caso concreto, sí me parece que
obstaculiza aún más la circulación de la literatura brasileña.
POEMAS
*
Existem loucos que se disfarçam de poeta e vão
pelo mundo recitando garatujas. Entretanto, também estão as
loucas que se vestem do amor de tua vida e andam por aí
jurando-te fidelidade. Se um dia cruzarem em teu caminho, foge
como se tivesses à frente o próprio demônio.
Existen locos que se disfrazan de poeta y van por
el mundo recitando garabatos.
Aunque también están las locas que se visten del
amor de tu vida y caminan por allí jurándote fidelidad. Si un
día se cruzan en tu camino huye como si tuvieras al frente el
rostro del mismísimo demonio.
*
Ontem estive na festa de Tito, mas não pense que
perdi meu tempo, pois me distraí observando ao ladino Procolo,
que ia de mesa em mesa mostrando seu livro de versos ruins e mal
medidos. Também vi o cegueta Tarcísio mergulhando nos vinhos sem
nenhuma discreção, e estava Porcio Latrino com a barba bem
crescida e seu enigmático sorriso de plebeu. Mas, refresco para
meus olhos foi tua afamada Aurelia, que usava decote
pronunciado. E não perguntes mais nada, amigo, posto que fugí
com ela assim que a lua se pôs sobre minha cabeça.
Ayer estuve en la fiesta de Tito y no creas que
perdí mi tiempo, pues me entretuve observando al ladino Procolo
que iba de mesa en mesa entregando su libro de versos cursis y
mal medidos. También vi al cegatón Tarcisio apurándose los vinos
sin ninguna discreción, y estaba Porcio Latrino con la barba
crecida y su enigmática sonrisa de plebeyo. Mas, refresco para
mis ojos fue tu afamada Aurelia, quien lucía escotes
pronunciados. Y no preguntes más amigo, porque huí junto a
ella, apenas la luna se colocó sobre mi cabeza.
*
Uma senhora com alguns quilos a mais e bem idosa,
papagueando, me disse que não gostava do poeta Quinto Valério
Catulo, porque quando se refere ao amor fala de um homem e uma
mulher fodendo de um jeito que chega a dar alegria. E quando diz
Quito, coloca montanhas de um lado e de outro com casas subindo
as encostas. E quando disse: senhora, eu sou Quinto Valério
Catulo, deixei seu rosto branco como papel e paralizei suas
pernas até que não soube onde se esconder.
Velha idiota!
Una señora entrada en carnes y bien añosa. Sin
ton ni son me dijo que no le gustaba el poeta Quinto Valerio
Catulo porque cuando dice amor, pone un hombre y una mujer
follando que da un contento. Y cuando dice Quito, coloca
montañas a un lado y a otro con casas que trepan las lomas. Y
cuando dije: señora soy Quinto Valerio Catulo puse su rostro
blanco como papel y paralice sus piernas que no supo dónde
esconderse.
¡Vieja torpe!
*
O Famélico Invejo diz que com o dinheiro da
tradução mais o dinheiro do prêmio sou um homem rico. Em sua
mente e em seu coração: poesia is money.
Apenas um morto de fome fala desse jeito.
El Famélico Envidio dice que con la plata de la
traducción más la plata del premio soy un hombre rico. En su
mente y en su corazón: poesía is money.
Solo un muerto de hambre habla de esa manera.
*
Um Tolo Útil escreve que junco não é lixo, que
lixo é junco espalhado pelo chão e que o junco é o lixo do ipê.
Assim lhe aconselharam que dissesse e assim ele diz que é.
Quando expressará o Útil Tolo o próprio lixo que contém o junco
de sua cabeça?
Un Tonto Útil, escribe que junco no es basura,
que basura es junco esparcido por el suelo y que junco es la
basura del capulí. Así le aconsejaron que diga y así dice que
es. El Últil Tonto ¿cuándo expresará la propia basura que
contiene el junco de su cabeza?
*
Me diz, Fedro, quando meu nome aparece nos
jornais, porque você pega o telefone e um por um tenta convencer
os seus partidários de que aquilo é por causa das más artes, se
no final do mês a conta telefônica te doerá da cabeça aos pés?
Dime Fedro, cuando mi nombre aparece en los
periódicos ¿Por qué agarras el teléfono y uno a uno tratas de
convercer a los tuyos, que aquello se debe a las malas artes, si
a fin de mes la tarifa telefónica te arderá hasta la coronilla?
*
Rusio, em
outro tempo O Iconoclasta que se jogava na batalha contra os
gigantes moinhos de vento. Hoje, enquanto arrota, diz não a
tudo, pois passa tirando brilho da placa pendurada na porta do
seu escritório: Secretário da presidência.
Rusio, otrora El Iconoclasta que se lanzaba a la
batalla contra los gigantes molinos de viento. Hoy, mientras
eructa, dice no a todo. Pues se la pasa sacando brillo a la
placa que cuelga de la puerta de su despacho: Secretario de
presidencia.
*
Arrogante
Mencio, você publica uma novela na qual, por atacar-me, descuida
de toda lógica e virtude. Não lhe peço que apague com o cotovelo
aquilo que escreveu com a mão. Apenas devolva-me os lençóis de
seda chinesa com os quais Farsalia fugiu do meu leito antes de
casar-se com você.
Arrogante Mencio publicas una novela en la que
por atacarme descuidas toda lógica y virtud. No te pido que
borres con el codo lo que escribiste con la mano. Solo
devuélveme las sábanas de seda china con las que Farsalia huyó
de mi lecho antes de casarse contigo.
*
Se nosso amor é carvalho de mais de cem anos.
Então deixa que os cachorros mijem à sombra de nossos beijos.
Si nuestro amor es roble de más de cien años.
Entonces deja que los perros meen a la sombra de nuestros besos. |