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banda hispânica |
Leopoldo Lugones |
(Argentina, 1874-1938) Obra poética Las montañas del oro.
Imprenta de Jorge A Kern. Buenos Aires. 1897. |
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Em defesa da poesia
A linguagem é um conjunto de imagens, comportando, se a olhamos bem, uma metáfora cada vocábulo; de maneira que encontrar imagens novas e belas, expressando-as com claridade de concisão, é enriquecer o idioma, renovando-o ao mesmo tempo. Os encarregados desta obra, tão honorável, pelo menos, quanto a de refinar os ganhos ou administrar a renda pública, posto que se trata de uma função social, são os poetas. O idioma é um bem social, e até mesmo o elemento mais sólido das nacionalidades. O lugar comum é mau, uma vez que acaba perdendo, por excesso de uso, toda a significação expressiva; e a originalidade remedia este inconveniente, pensando conceitos novos que requerem novas expressões. Assim, o verso cunha a expressão útil por ser a mais concisa e clara, renovando-a nas mesmas condições quando depura um lugar comum. Além do mais, o verso é uma das belas artes, e já se sabe que o cultivo destas civiliza os povos. A gente prática conta com esta verdade entre suas noções fundamentais. Quando uma pessoa que se tem por culta diz não perceber o encanto do verso, revela uma relativa incultura, sem prejudicar, contudo, o verso. Homero, Dante, Hugo, serão sempre maiores que essa pessoa, simplesmente por terem feito versos; e é seguro que ela desejaria encontrar-se em seu lugar. Desdenhar o verso é como desprezar a pintura ou a música. Um fenômeno característico de incultura. Leopoldo Lugones [Trecho do prólogo de Lunario sentimental. Buenos Aires. 1909.] |
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Poemas A ÚLTIMA CARETA A miséria ri. Com sórdida costeleta A fome é seu pandeiro, a lua sua moeda Vai em dominó de farrapos, zumbe sua copla
irônica, E sob a ignomínia de tão sinistra máscara
A ESTRELA DA DOR Na solidão tenebrosa O astro agrava no céu severo Ah, por isto tens tanto dela, A BRANCA SOLIDÃO Sob a calma do sonho, Nada vive a não ser o olho A lua cava um branco abismo Há uma cidade no ar, É uma cidade ou um barco E de imediato cruza um vago E permanece apenas na noite infausta ENIGMA DO ERRANTE BARDO Farto de andar em penas Osolón de Ploguel, mudou de terra e nome, Um dia entre os dias Nada havia mudado; Do outro que era ele mesmo Para conhecê-la sobe que com a mão posta O NINHO AUSENTE Só restou no ramo Céu acima e trilha abaixo, Já tem bem alto seu vôo Pobre pássaro afligido |