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hispânica

Banda Hispânica (collage, Floriano Martins)

Alberto Girri

(Argentina, 1919-1991)

Obra poética

Playa nova. Editorial Nova. Buenos Aires. 1946.
Coronación de la espera. Ediciones Botella al Mar. Buenos Aires. 1947.
Trece poemas. Ediciones Botella al Mar. Buenos Aires. 1950.
El tiempo que destruye. Ediciones Botella al Mar. Buenos Aires. 1951.
Escándalo y soledades. Ediciones Botella al Mar. Buenos Aires. 1952.
Línea de la vida. Editorial Sur. Buenos Aires. 1955.
Examen de nuestra causa. Editorial Sur. Buenos Aires. 1956.
La penitencia y el mérito. Editorial Sur. Buenos Aires. 1957.
Propriedades de la magia. Editorial Sur. Buenos Aires. 1959.
La condición necesaria. Editorial Sur. Buenos Aires. 1962.
Elegías italianas. Editorial Sur. Buenos Aires. 1962.
El ojo. Editorial Losada. Buenos Aires. 1963.
Poemas elegidos. Editorial Losada. Buenos Aires. 1965.
Envíos. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1967.
Casa de la mente. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1968.
Antología temática. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1970.
Valores diarios. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1970.
En la letra, ambigua selva. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1972.
Poesía de observación. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1973.
Quien habla no está muerto. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1975.
Galería personal. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1975.
El motivo es el poema. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1976.
Bestiario. Ediciones La Garza. Buenos Aires. 1976.
Obra poética, I. Editorial Corregidor. Buenos Aires. 1977.
Árbol de la estirpe humana. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1978.
Obra poética, II. Editorial Corregidor. Buenos Aires. 1978.
Lo propio, lo de todos. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1980.
Obra poética, III. Editorial Corregidor. Buenos Aires. 1980.
Homenaje a W. C. Williams. Editorial Sudamericana. Buenos Aires. 1981.
Lírica de percepción. […] 1983.

Collage, Floriano Martins

 

Em defesa da poesia

Legitimidade do poeta. Provavelmente, somente o que se anima a rejeitar o poema como produto artístico. E então, de imediato, a suspeitar que o justo reside nesta conciliação: a capacidade de esquecer-se da obra de arte unindo-se à de assimilar, mudar os procedimentos mais convencionais, os clichês que até mesmo os melhores textos relevam para convencer inteiramente.
[…]
Luta pela expressão (expressividade), esforço para recobrar a memória de um Paraíso Perdido, algo que às vezes, com inesperados clarões, se atualiza. E, como uma Queda, sobrevém quando já não acreditamos que essa memória poderia seguir se fazendo ouvir. Por sorte, há também uma terra de ninguém, aberta entre memória e Queda; região livre onde nos é permitido exercitar nossa tarefa, igual o que cumpre um devoto e fatigante cultivo.
E não é pouco o que recolhemos, o sentimento de que a única eternidade a que se tem acesso é a do presente, a sensação de apalpar o tempo, o material, a matéria do poema. Se excluíssemos tais frutos não haveria o poema.

Alberto Girri

[Trechos de El motivo es el poema. Buenos Aires. 1976.]

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Collage, Floriano Martins

 

Poemas
(traduções de Floriano Martins)

MUSEU: POR FORA O MUTÁVEL, POR DENTRO EVASÃO

Remoção do imóvel
ideal de cabeças e torsos,
de cabeças inclinadas para um lado
como se tivessem um verme no ouvido,
de bocas abertas, estáticas,
como se fossem ouvir por ali,
a tradição
do monolítico, somático,
que em um dado momento crucial
é interrompida por ambigüidades,
e até então
eqüidade absoluta da beleza,
substituída por normas pessoais do gosto,
Rodin
exigindo da pedra
um dissolver-se em ar, em luz,
Brancusi
lançando-se com pedras, madeiras, metais,
a desmatar o caminho
até a positiva verdade do espaço livre,
e tão seguros
tão sadicamente senhores
de fazer com que os traços humanos
"não sejam mais belos que os dos sapos".
Uma perturbação:
observando
essas admiradas e orgulhosas peças
o crítico diria que os artistas
exploram a vida como um Amazonas,
e acabam por enfrentar
o duplo rosto das coisas.
E um prêmio:
o que nos mantém alerta,
depressão, hostilidade, ansiedade,
desapego emocional,
vem tomar aqui o fôlego
que de tanto em tanto necessita,
o que traz a contemplação
do real quando se atreve a sair
de seu lugar detrás dos olhos,
dentro do crâneo.

 

OS PESSIMISTAS NÃO SÃO EXCEÇÕES

Padecem de sonhos
arquetípicos correntes,
com freqüência
sonham que sobem em barcos
e percorrem as entranhas, passeam
pelo convés, ali se estendem,
dormem, caem ao mar
e vão dar no ventre de um peixe.
Como qualquer um,
aprendem que a vigilância
e a nutrição em condições adequadas
os conservarão fortes, saudáveis,
porém seu estímulo mais apressado
se apóia em que nada desviará
a fatalidade de que ontem fomos borbulhas,
amanhã múmias,
depois montículos de cinza.
O exclusivo, inconfundível,
está em sua compaixão:
sempre que realmente
escrutinam e esmiuçam o que se passa
determinam silenciá-lo,
isolá-lo;
e em sua generosidade, reconheçamos,
quando, sem reservas,
nos oferecem compartilhar a profecia
ancestral que os irmana, advertência
de que a derradeira batalha do mundo,
ainda não disposta, haverá de produzir-se
entre otimismo e pessimismo,
com a vitória, inequívoca,
ostentando o signo do pessimismo,
a negação criadora.

 

NA LETRA, AMBÍGÜA SELVA

1
O ritmo do escrito
é o ritmo do que escreve,
e o texto, o poema,
em parte mecanismo verbal,
em parte sistema de correspondências,
é com o mundo uma só identidade.

2
A forma equivale
a convicção interna,
e a letra a emprega com vistas
a prover o mundo de significados,
e ainda para o Significado,
e ainda para subjugá-lo
com o prejuízo de que a palavra
traduz e verte o idealizado.

3
Linguagem e estilo
penosamente edificam hierarquias,
e ao consegui-lo
o mundo fica em suspenso, extático,
mesmo que em seguida se decomponha o produto,
sua linhagem se vulgarize,
soe escarnecido e degradado
como esponjosa, murcha potência,
e as linhas melhores, as exemplares
e musicais tiradas, sobrevivam apenas
como por trás de um vidro, burla e tédio,
oh pobre Olimpo!

4
Campos onde o que mais despoja
é o que avança?
Ardil e recompensa
para os que perseveram
enfermamente atentos em apoderar-se
da totalidade atrevendo-se
ao banal absoluto de escrever
"Fechem essa porta"?, ou "Quisera dormir"?
Quanto trace a escritura
será interpretado, obterá resposta,
como aos piedosos é permitido
orar segundo lhes pareça, convencidos
de que Deus escuta e lê
até as pisadas de uma formiga.

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