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Rodrigo
Pesántez Rodas: luzes do Equador
(entrevista
conduzida por Floriano Martins)
FM
- Graças à poesia o homem pode retornar às fontes de sua concepção
original, ao conhecimento de sua própria e inesgotável origem.
Em tal proposição radica a dimensão que origina a invenção poética,
suas riquezas formais, a própria jóia da imaginação. O que
busca tua poesia, através de seu diálogo com o mundo? Quais
assuntos acreditam resolver as palavras através de teus versos?
RPR - Minhas vivências e meus testemunhos diretos ou
referenciais, ou seja, meu subconsciente e meu consciente. O que
trago desde antes de ser na memória coletiva e o que me tocou
presenciar ou herdar como parte de um ser individual. Meus versos
ou as palavras que configuram meus versos não acreditam nem
resolvem nada. São marcas do caminho que vamos fazendo em
companhia de si mesmo e dos demais.
FM
- Recordo uma entrevista com Lawrence
Ferlinghetti em que o poeta estadunidense observa que há
tempo escritores ou pintores de seu país não fazem “declaração
social ou política importante”. Creio que o vital na declaração
de um artista radica em seu conteúdo estético e não em sua
importância social ou política. Parece-me algo evidente. Ernst Jünger
defende que “o artista é antes de tudo responsável ante sua
obra e não ante tal ou qual orientação política”, concluindo
que, “para ele, é uma necessidade ser egoísta”. Estás de
acordo com Jünger quando diz que “em primeiro lugar está o
homem, e seu ambiente vem depois”? Assim sendo, não lhe parece
haver uma eterna confusão nessa discussão em torno da
responsabilidade do escritor e o destino da poesia?
RPR - Se a poesia é vivência ou testemunho do mundo de
cada escritor e de seu entorno sociológico, seu traço político
é evidente, mas não tem porque vincular-se de maneira
incondicional à criação estética. Devemos ser responsáveis e
solidários com o tempo que nos tocou viver e com o ser universal,
sem cair nos sulcos fanáticos ou polarizantes. O destino da
poesia deve estar e esteve sempre nas mãos dos poetas. A
atmosfera política não se configura em nossas mãos, porém
podemos ajudar a vislumbrar os esquemas de uma justiça social sem
bandeiras.
FM
- Em suas leituras de Huidobro, disse o venezuelano Guillermo
Sucre que ali “o fracasso é estético na medida em que é também
existencial: não é possível apagar o acaso, nem a morte”.
Disse também que “a poesia está ligada à busca do que não se
poderá encontrar”, que a poesia é uma impossibilidade. A teu
ver, qual é o verdadeiro âmbito da poesia?
RPR - A poesia não tem âmbito, é parte do espaço,
presença tangível do cosmos, portanto é configuração
ilimitada dentro do limite da palavra.
FM - Em Corriente alterna (1967), disse Octavio Paz
que
“a crítica é o ponto fraco da literatura hispano-americana”,
embora já destacasse naquela ocasião os primeiros momentos do
venezuelano Guillermo Sucre, que posteriormente escreveria um
livro fundamental como o é La máscara, la transparencia
(1975). Tens uma intensa atividade crítica. O que buscas em tal
aventura e qual o diálogo possível (ainda que a afirmação de
uma diferença) entre poesia e crítica, tanto no Equador como em
toda a América Hispânica?
RPR - Todo poeta é um crítico e em todo crítico há um
poeta não desenvolvido (falamos em termos relativos). As duas
esferas: criação e interpretação não são senão verso e
reverso de um mesmo mundo estético. O poeta cria, o crítico
recria, e nesse aparente jogo de imagem estão conjugados os
mesmos elementos associativos e discursivos com que trabalham um e
outro. Possivelmente Octavio Paz
, em seu livro Corriente
alterna, ao dizer que a crítica é o ponto débil da
literatura hispano-americana, o faz a partir do ponto de vista
comparativo, o que está mais relacionado com uma crítica científica,
como no caso dos norte-americanos, dos russos ou dos europeus.
Certamente que nos falta o rigor formal e nos sobra a generosidade
conceitual. Em meus últimos livros, sobretudo em meus estudos
sobre o Modernismo e o Vanguardismo poético no Equador, tratei de
submeter-me ao rigor dos planos lingüísticos, sem desdenhar,
desde já, o horizonte estilístico que em grande parte configura
a mágica atmosfera da criação.
FM - Falemos um pouco de Hugo Mayo (1895-1988). Embora
poemas seus tenham sido incluídos na antologia Indice de la nueva
poesía americana (1926), organizada por Alberto Hidalgo, Vicente
Huidobro e Jorge Luis Borges, não encontramos referência a este
poeta em alguns destacados estudos acerca do agitado período das
vanguardas literárias hispano-americanas. A título de exemplo,
observo que tanto Hugo J. Verani (Las vanguardias literarias en
Hispanoamérica, 1986) quanto Nelson Osorio Tejeda (Manifiestos,
proclamas y polemicas de la vanguardia literaria hispanoamericana,
1988) não mencionam Hugo Mayo ou mesmo sua aclamada aventura
editorial com a revista Motocicleta. Contudo, sabemos que ele
inaugura o movimento de vanguarda no Equador. O fato de sua obra
somente haver sido reunida em livro nos anos 70, teria sido o único
obstáculo ao reconhecimento de sua importância?
RPR - Sobre Hugo Mayo e seu grande silêncio continental,
no que pese seu valor literário, há duas razões: primeiramente,
a não publicação de seus poemas dentro de um livro em seu
devido tempo, e a falta de críticos ou estudiosos de sua obra.
Foi preciso esperar minha chegada para que seja publicado seu
primeiro livro, Poemas de
Hugo Mayo, na editora da Casa de Cultura Equatoriana, Núcleo
de Guayas, quando eu ali desempenhava a função de subdiretor da
Seção de Literatura, ou seja, quando o poeta passava já dos 80
anos de idade e seu horizonte estético estava quase perdendo-se
na complexidade das novas modas literárias. Fiz uma boa seleção
de sua poesia de diferentes tempos e estilos e o livro começou a
correr, a tal ponto que muitos dos estudiosos do fenômeno literário
da vanguarda em especial e da literatura em geral dão notícia
dele. Em Manual de la
Literatura latinoamericana, de Isaías Peña Gutiérrez
(Educar Editores, Bogotá, 1990), e Mihai Grünfeld, professor do
Vassar College em Nova York, em seu livro Antología de la poesía latinoamericana de vanguardia (Edición
Hiperión, Madri, 1997), falam de Hugo Mayo e selecionam poesia do
livro que mencionei. Seis anos antes publiquei um livro intitulado
Sete poetas do Ecuador, onde incluí Hugo Mayo com um estudo e uma
boa seleção de sua poesia. O livro foi distribuído quase
inteiramente nos Estados Unidos. Assim abordamos o conhecimento e
difusão de sua obra que hoje heroicamente despertou.
FM - Ainda sobre Hugo Mayo, gostaria de saber porque
exatamente relacionas o surrealismo com uma “poesia de
entretenimento” e quais, de fato, as conexões entre Hugo Mayo e
surrealismo.
RPR - Hugo Mayo não foi surrealista. Vincula-se, em sua
primeira etapa, com o dadaísmo e certamente que entre Tristán
Tzara, criador deste, e André Breton, do outro, há diferenças
notáveis na maneira de manejar a linguagem. O dadaísmo foi
ruptura e não criação, atitude iconoclasta não somente na
literatura mas sim ao nível de outras manifestações artísticas;
o surrealismo aproveitou-se dos processos oníricos e da abertura
que deu ao subconsciente Freud para elevar novos horizontes na
concepção do fato poético. Todos estes movimentos foram
vanguardistas.
FM - Grande parte da crítica considera Jorge Carrera
Andrade (1903-1976) um dos mais importantes poetas
hispano-americanos do pós-modernismo. No entanto, em teu livro Modernismo
y postmodernismo en la poesía ecuatoriana (1995), observas
que há mais “garra e substância” em Alfredo Gangotena
(1904-1944), assim como “mais estilo” em Gonzalo Moscoso
Escudero (1903-1971), embora haja em Carrera Andrade “mais
variabilidade de esquemas”. Este múltiplo tratamento acabou
propiciando grandes falhas, a exemplo do que também ocorrera com
Pablo Neruda. A teu ver, falhas no que diz respeito ao próprio
ato de criação, mas acrescento também as falhas de recepção,
quando a multiplicidade de recursos impera sobre a qualidade de
utilização dos mesmos. De qualquer maneira, que prejuízos
trouxe este aspecto para a poesia de Carrera Andrade e quais
outros traços comuns podemos encontrar entre este poeta e o autor
de Canto general?
RPR - Inegavelmente Carrera Andrade é um de nossos mais
altos poetas surgidos depois do Modernismo no Equador e penso que
sua obra cimentou em grande parte o prestígio da poesia
hispano-americana nos últimos 50 anos. Porém Alfredo Gangotena e
Gonzalo Escudero estão na mesma altura e talvez Gangotena lhe
supere em força e magia telúrica. Contudo, não caminharam, não
foram difundidos, não se colocaram dentro do contexto poético
hispano-americano como Carrera Andrade, daí a diferença no
tratamento. Ratifico que Escudero é um mestre na oportuna e
original maneira de manejar a linguagem como estilo.
FM - Segundo Carrera Andrade, o franquismo prejudicou em
muito as relações entre Espanha e América Hispânica. Em carta
que te escreveu em 1969 declara: “quase todos os escritores de
nossa América tomaram posição a favor da República, motivo
pelo qual não têm entrada suas obras agora”. Contudo, mesmo
hoje é praticamente nulo o diálogo entre poetas espanhóis e
hispano-americanos, no que pese os esforços de um crítico como o
espanhol Jorge Rodríguez Padrón ao lembrar que não haverá
“leitura da diferença” enquanto não houver diálogo. Então
eu te indago primeiro sobre a justificativa de que a falta de diálogo
entre Espanha e América Hispânica tenha sido determinada pelo
franquismo. Em seguida, gostaria de saber tua opinião sobre um
possível inventário de perdas em torno dessa ausência de diálogo.
RPR - A carta escrita por Carrera a que fazes referência,
na verdade corresponde a esse lapso histórico que a Espanha
viveu. A censura imposta por Franco foi cruel para o âmbito
cultural e literário de então. Nenhum escritor que tomou parte a
favor da República podia entrar com sua obra na Espanha. Além do
mais a narrativa teve maior acolhida que outro gênero literário
pelas editoras da península. Depois, nossa condição de
terceiro-mundistas pesa muito na abertura cultura. Recordo que
Vicente Aleixandre, grande poeta, grande leitor e bom amigo meu,
em nossas conversas particulares, costumava apenas mencionar
Carrera Andrade e alguma que outra referência bibliográfica. Nas
universidades espanholas, alguns professores e não poucos alunos
não sabem sequer onde fica nosso país. Fiz algo por difundir o
nosso em poesia quando participei de seminários e debates nas
universidades de Madri, Pamplona e Sevilla. Vou te dar um exemplo
entre tantos para confirmar minha afirmação. O Dr. José María
Valverde, catedrático de Estética da Universidade de Barcelona,
em sua monumental obra Historia de la literatura universal (Editorial Planeta, Barcelona,
1985), em 10 tomos, escrita em parceria com o Dr. Martín de
Riquer, catedrático de Literaturas Românicas da mesma
universidade, no volume # 7 (pg. 486), diz textualmente:
“Enquanto o romance da natureza e do índio abria caminho
dificilmente em Cumandá,
do colombiano Juan León Mera (1832-1894)”. Isto não é má fé,
é ignorância voluntária. Dom Juan León Mera é equatoriano de
Ambato, berço também de Juan Montalvo, um dos maiores ensaístas
da América Hispânica no século XIX e a quem estes ilustres
catedráticos universitários ignoram olimpicamente. Pois bem,
Juan León Mera obteve fama primeiramente na Espanha e não no
Equador, isto graças a Dom Juan Valera, que acolheu seus escritos
com deleite e sagaz visão crítica e que honrou copiosamente com
uma relação epistolar este nosso novelista que foi, além do
mais, o primeiro presidente da Real Academia da Língua, capítulo
Equador.
FM - Indagado sobre onde se escreve a melhor literatura do
mundo atualmente, disse George Steiner
que
no leste europeu e na América Latina, justificando que “a
grande literatura, o grande pensamento, floresce sob pressão”,
acrescentando ainda que “pensar é um assunto solitário,
canceroso, autista, louco; ser capaz de concentrar-se
profundamente, interiormente”. Ao que parece, o reconhecimento
dessa literatura define-se ainda por sua abordagem fantástica,
exceto por Octavio Paz
, cuja atuação é muito
definida em torno do ensaísmo e de sua projeção política,
digamos assim. Nenhum grande poeta latino-americano - penso em
Gonzalo Rojas, Vicente Gerbasi
, Pablo Antonio Cuadra
, Roberto Juarroz, César
Dávila Andrade, Carlos Germán Belli, José Kozer - tem alcançado
uma posição de reconhecimento internacional pautada por sua própria
obra. A obra em si ainda define o prestígio de um autor?
RPR - Uma grande parte da melhor literatura do século XX
em suas últimas décadas localiza-se na América Latina. Obras
como as de Juan Rulfo, Borges, García Márquez, Onetti, Cortázar,
Vargas Llosa ou Roa Bastos, com testemunhos de aberturas até a
universalização do espaço criativo acima das barreiras da
linguagem. Em poesia, o caminho tem sido diferente. É um gênero,
em primeiro termo, menos comercial e por isto as editoras pouco
fazem por difundi-la e quando se interessam por ela não o fazem
em razão das excelências da obra mas sim pelas conexões ou
situações extraliterárias do autor. Penso que Ernesto Cardenal
é um bom poeta, se quiserem, um grande poeta, porém seu prestígio
deve-se a conjunturas de outra índole, talvez políticas. Penso
que nessa altura estão Vicente Gerbasi
, Carlos Germán Belli ou
nosso César Dávila Andrade e que, no entanto, não gozam do
reconhecimento continental que merecem. O fato de que não tenha
sido dado o Prêmio Nobel de Literatura a Jorge Luis Borges e que
o mesmo não tenha sido dado ainda a nenhum escritor brasileiro,
quando existem mais de um de garra universal, tanto na poesia
quanto na narrativa, reafirma a idéia de que o “prestígio”
às vezes não se senta ou assenta sobre bases intrínsecas mas
sim conjunturais. E ao dizer prestígio entre aspas falo de
reconhecimentos oficiais. Nada mais. A obra sólida ao longo
transcende e permanece. Vallejo
, o peruano dos Heraldos
negros, viverá mais tempo no espaço e no tempo que Neruda.
FM - Creio que estabelecemos uma grande confusão no
entendimento de que sentido é forma. Presume-se que a mensagem,
ao ser considerada essencialmente forma, não tenha mais que
almejar a qualquer outro sentido que não seja meramente
estrutural. Este me parece um dos grandes sofismas de nosso tempo,
responsável pela eloquência do discurso (vazio) da propaganda e
pelo surgimento de algumas anomalias, a exemplo do concretismo
brasileiro ou desta corrente neobarroca que se irradia a partir do
Uruguai e da Argentina e que contamina, no Brasil, justamente os
herdeiros do concretismo. A discussão atual em torno da forma tem
muito pouco a ver com a utilização de metros e ritmos clássicos.
O recurso foi convertido em essência. A obra de um poeta como César
Dávila Andrade, por exemplo, aniquila os equívocos aqui
apontados. Foi totalizadora, a exemplo da poesia de José Lezama
Lima
, sem preocupar-se com as
restrições de qualquer ordem, de fundo ou forma, recobrando os
plenos poderes da espécie humana. O que te parece hoje, afinal,
essa recorrente distração em torno da dialética relação entre
sentido e forma?
RPR - Não se pode falar dos elementos na obra poética. Se
a linguagem como forma de expressão comunica, a idéia se torna
recipiente por sua vez e unifica-se na vertente piramidal dos
sentidos. Além do mais, o poeta não escolhe nem os metros nem os
ritmos. A poesia vem com sua própria indumentária. Daí que
estrofes de verso aberto ou estruturas ancestrais (sonetos, por
exemplo) nada têm que ver com o ato poético. O que se tem que
evitar, sim, é a difamação do gênero sob pretexto de inovações
de linguagem. Tanto em Dávila Andrade como em Lezama Lima
, a poesia surge, ainda
que por diferentes cordas, mas surge e isto é o que perdura.
FM - Uma nota de imprensa em torno da Antología cósmica
de la poesía del Ecuador (1997) diz que o livro, por sua
difusão a partir do México, onde foi editado, deve contribuir
para que os poetas equatorianos não permaneçam inéditos. Anos
atrás, em um desses encontros de escritores, Jorge Enrique Adoum
atribuiu responsabilidade a países como México, Argentina e
Brasil pelo estado de desprestígio da literatura latino-americana
perante o mundo. Penso em um país intensamente ativo, no
barulhento período das vanguardas, como foi a República
Dominicana. Fundamentais contribuições vieram da Nicarágua, de
Cuba, do Equador, do Peru etc. Atualmente enumeramos expressões
poéticas em vários países, Javier Sologuren
, Alvaro Mutis
, Ludwig Zeller, Roberto
Echavarren, Pedro Shimose. Não discuto aqui tua idéia de uma
“poesia cósmica”, que me parece uma segmentação algo
discursiva em relação ao grande avanço estético propiciado
pela poesia hispano-americana. O que gostaria de por aqui em
discussão é a responsabilidade desses países (Argentina,
Brasil, México) no que diz respeito ao destino cultural do resto
da América Latina. Qual tua opinião a este respeito?
RPR - A falta de conhecimento de nossa poesia - a
equatoriana - não está dada por culpa de outros países mas sim
por nossa própria. Algo deixei claro a este respeito em outra
resposta. Através da Antología
de la poesía cósmica, feita graças ao esforço e
solidariedade desse genuíno mecenas que é Fredo Arias de la
Canal, serviu para que muitos países nos conhecessem e muitos
estudiosos nos lessem. Desta viagem editorial iniciada no México
pude dar-me conta da aceitação que vem tendo nossa poesia em
lugares muito distantes e gostos tão divergentes como os Estados
Unidos, Cuba, Espanha, Argentina, Brasil etc. Creio que nos faltou
difusão, nos faltou apoio editorial. A Antología alcançou um bom impacto tanto por sua apresentação
quanto pela própria seleção. Veio a leitura, a releitura e o
critério. Hoje posso te afirmar que nosso âmbito poético já não
estará circunscrito a um ou dois poetas, mas sim a um registro de
nomes muito mais autênticos, ou seja, por autênticos criadores.
Quanto a isto do Cósmico, penso que não influi na
leitura. São arquétipos ufanados e extraídos por aqueles que
como Fredo e como eu pensamos que o cosmos e sua energia canalizam
todas as nossas atividades, por mais íntimas ou secretas.
FM - Em carta encaminhada em setembro de 1965 a Juan
Liscano, quando este dirigia a revista venezuelana Zona Franca,
Jorge Carrera Andrade refere-se à sua esperança de que a América
“culminará, um dia, na união e na liberdade”. Bem sabemos
que a América tem sido cenário das mais brutais modalidades de
degeneração cultural, cujos sinais de resistência não apontam
exatamente para uma visão otimista do futuro. Que pensas a
respeito de algo como o MERCOSUL?
RPR - Creio na Unidade da América, sobretudo naquela onde
as pequenas diferenças nos unem cada dia mais. Creio na
universalidade do homem em sua busca de paz e solidariedade. A união
não se afiança nos nomes ou lembretes, mas sim na cultura de uma
sociedade feita para servir ao homem e não o homem servente de
uma sociedade.
__________
RODRIGO PESÁNTEZ RODAS
(Equador, 1937)
Poeta e ensaísta. Recebeu o Prêmio Vasconcelos (1996), do
México, pela organização de uma Antología
de la poesía cósmica del Ecuador. O Congresso Nacional do
Equador lhe outorgou uma medalha ao mérito literário, em
reconheciemtno à contribuição cultural que tem dado a seu país,
o que inclui livros como La nueva literatura ecuatoriana (1966), Desde el umbral el modernismo hasta el 50 (1990) e Del
vanguardismo hasta el 50 (1999).
Obra poética
Sonetos para tu olvido. 1961.
Vigilia de mi sombra. 1962.
Denario del amor sin retorno. 1962.
La patria y el niño. 1963.
Pasaporte del sueño. 1967.
El espantajo y el río. Casa de la Cultura Ecuatoriana. Quito. 1973.
Jugando a la pájara pinta. Litografía e Imprenta de la Universidad de Guayaquil.
1984.
Atando cabos.
Casa de la Cultura Ecuatoriana. Quito. 1989.
Los silencios del bosque. Universidad de Guayaquil. 2001. |