poemas
ahora
que el amor se me instala
agora que o amor em mim se instala
I
Esclavos del mundo
Con nuestras mortales muñecas
Atadas a aquello que amamos
Que lenta muerte no caer
Y desasir las desgastadas
De terrenales ligaduras
Los pájaros viajan con viento bajo sus alas
Sólo viento
Viento atrapado
Escravas
do mundo
Com as nossas mortais bonecas
Atadas ao que amamos
Que lenta morte não cair
E soltar as desgastadas
De terrenas ligaduras
Os pássaros viajam com vento sob as asas
Apenas vento
Vento apanhado
II
Dentro
En los jardines arañados por la lluvia
-Mujer que tiritas la edad de tu ternura-
Me lanzaré al abismo de tu escote
Para estrellar mi garganta encendida
Que la lluvia ha llegado
Ya nos lo dijeron las flores secas
Ahora es tiempo de ternuras
Dentro
Nos jardins arranhados pela chuva
-Mulher que tiritas a idade da tua ternura-
Lançar-me-ei no abismo do teu decote
Para encher de estrelas a minha garganta acesa
Porque a chuva
chegou
E já nos disseram as flores secas
Agora é tempo de ternura
III
El silencio es un útero
es la muerte
Desde la orilla del
silencio
Te miro mujer de mundo
Y el cielo entero se hermana con la tierra
Sin tus manos blancas que unen elementos
Las guerras y las muertes asoman
Que te dejen con tu voz nueva y desconocida
Que el sabor de tus palabras
Sea siempre lluvia o llanto
O
silêncio é um útero
é a morte
Da margem do silêncio
Olho-te mulher de mundo
E o céu inteiro se irmana com a terra
Sem as tuas mãos brancas que unem elementos
As guerras e as mortes assomam
Que te deixem com a tua voz nova e desconhecida
Que o sabor das tuas palavras
Seja sempre chuva ou pranto
IV
La desconfianza en uno
mismo
Es un perro muerto incrustado en tu pecho
Un animal mojado por aguas negras
Que va lamiendo lentamente tus despistados huesos
Mientras deja su saliva en las ramas de tus tendones
A veces escucho en la noche voces en mis huesos
Y en sus huesos caninos
Aullidos
A desconfiança em
si próprio
É um cão morto incrustado no teu peito
Um animal molhado por águas negras
Que lambe lentamente os teus despistados ossos
Enquanto deixa a sua saliva nos ramos dos teus tendões
Por vezes escuto na noite vozes em meus ossos
E em seus ossos caninos
Uivos
V
En la longitud del cuello
de mi útero
Se esconde el verso más sucio
El verso de la sin razón y el vicio
El vicio de atragantarme
Con tu semen de adolescente
Na
longitude do colo do meu útero
Esconde-se o verso mais sujo
O verso da sem-razão e o vício
O vício de me engasgar
Com o teu sémen de adolescente
VI
Ahora que el amor se me
instala
Puedo dormir en paz y mirarte a los ojos
Aunque me diluya y tiemble mi cuerpo bajo tu mano
Como un perro aterido y hambriento
Ahora que el amor se me instala
Quiero articular palabras
Aunque me derrita si estoy en tus bocas
Deshaciéndome en miles de pieles
Ahora que el amor se me instala
Me disperso como el polvo en el viento
Se disipan mis neuronas
Ahora que el amor se me instala
No quiero volver a hilar
Ni un solo pensamiento cuerdo
Me pregunto quién te ha dado esa fuerza de pájaro
Ahora que el amor se me instala
Agora que o amor em
mim se instala
Posso dormir em paz e olhar-te nos olhos
Ainda que me dilua e trema o meu corpo sob a tua mão
Como um cão inteiriçado e faminto
Agora que o amor em mim se instala
Quero articular palavras
Mesmo que me derreta se estou nas tuas bocas
Desfazendo-me em milhares de peles
Agora que o amor em mim se instala
Disperso-me como o pó no vento
Dissipam-se-me os neurónios
Agora que o amor em mim se instala
Não quero voltar a fiar
Nem um único pensamento lúcido
Pergunto-me quem te deu essa força de pássaro
Agora que o amor em mim se instala
[trad.
al portugués: alberto augusto miranda] |