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Alvaro
Miranda: os signos precipitados
(entrevista
conduzida por Floriano Martins)
FM - Conhecimento através da intuição, inteligência
ardente, balé de formas significativas, caudal de interrogações
metafísicas etc. Como te chega a poesia?
AM - A poesia me chega como dor do mundo, o que os românticos alemães definiram como Weltschmerz,
e essa dor universal, esse padecimento do mundo, é também, ao
estilo trágico romântico, uma insatisfação existencial. A
inteligência e a emoção estão presentes, como corresponde à
poesia moderna deste século, e é a primeira quem controla a
segunda. Assim deve ser, penso, em toda poesia que pretenda seu nível
de seriedade e dignidade. A intuição é instrumento adequado
para aprofundar a realidade porque, como dizia Bergson, nela se
fundem o instinto e o entendimento. Busco que a poesia seja, então,
uma experiência de realidade apreensível mediante a linguagem,
regida pelo intelecto em sua função neutralizadora, distanciada
de uma emoção que persista, intransferível e necessária, no próprio
fundo das coisas.
FM - Criar é antecipar-se à morte?
AM - Francisco de Quevedo disse esplendidamente: “Ontem
se foi, o Amanhã ainda não chegado, / Hoje se está indo sem
parar um ponto. / Sou um foi e um será e um é cansado.” Talvez
porque sinto que somos “presentes sucessões de defunto”,
vivemos com a morte na letra, muito frequentemente. É possível
que seja forma de exorcizar sua efígie. O certo é - sabiam-no
Quevedo e outros grandes da poesia - que se vive
morrendo e o poeta, sensível como é, não pode evitar essa
sensação de morrer duas vezes. Ainda que também, mortal
paradoxo, criar seja burlar - sinto-me tentado a escrever vencer,
mas não a vencemos - a morte. É difícil esse jogo onde nos toca
ser sempre perseguidos, em qualquer caso.
FM - Duram as palavras ou o que dizem elas?
AM - No princípio Aristóteles soube que as palavras eram
representação das coisas. Não podendo trazer as coisas à nossa
presença trazemos o signo que as representa. De modo que, desde o
início, foi clara a relação direta entre a coisa (o objeto) e a
palavra. Depois vieram os lingüistas. Soube-se que o signo não
podia apreender a total realidade objetiva, como o demonstra a
catacrese e o poliptoto. Conheceu-se a impossível transferência
da coisa ao signo. Compreenderam-se os imperturbáveis limites
humanos. Eu me ligaria ao ABC da moderna lingüística deste século
e, com Saussure, confirmaria o conceito integrador do Signo
como união de significante e significado, de imagem acústica e
conceitualização. Quando Borges escreve a palavra “rosa” é
o signo, não a rosa de seu jardim, porém qual dura mais: a rosa
escrita ou a outra, cuja fragrância perfuma a casa?
FM - Já te
disse em outra oportunidade que percebo uma certa afinidade entre
a tua poesia e a do mexicano José Emilio Pacheco (1939),
principalmente se levarmos em conta os livros mais recentes de
ambos (Los trabajos del mar, 1984 - dele -, e o teu Dejaré los
signos precipitados, 1987). Poesia de grande efervescência crítica,
fusão de denúncia social - acentuada por um severo niilismo -
com ingredientes especificamente literários. Concordas comigo? De
que outros poetas te sentes próximo (penso aqui na infinita
cadeia de diálogos que tua poesia mantém com Huidobro, Éluard,
Pound, Girondo, Vallejo
, Pavese,
Marlowe, tantos mais)?
AM - José Emilio Pacheco é um poeta que me interessa, mas
tem sido muito pouco difundido em nosso país. Não conheço Los trabajos del mar e tive oportunidade de ler alguns poemas soltos
dele. Recentemente descobri, em Tarde
o temprano, algumas analogias inquietantes com Dejaré los signos precipitados, mas quero apressar-me a declarar -
antes que alguém fale de influência ou plágio - que se deve a
uma particular afinidade em função de preocupações estéticas
comuns. Afinidade que se traslada, do mesmo modo, ao campo temático.
Creio nessas afinidades (s)eletivas. E haveria uma possível lista
de poetas que, por uma ou outra razão, percebo-os próximos e nítidos.
Com alguns dialoguei - como bem disseste em tua pergunta - entranháveis
colóquios subterrâneos que vêm do tempo ou do sangue. São diálogos
a partir da linguagem, a partir da poesia, a partir da vida. Com o
afeto que sempre se tem pelas coisas que se ama. É certo, assim
mesmo, que há crítica em minha poesia. De fato, cinco cadernos
poéticos que publiquei antecipadamente integram uma série
chamada Poesia crítica, na qual estou trabalhando. Há ali uma paulatina
investigação da expressão poética, em termos amplos, que começa
a trabalhar uma linha ou tendência capital na poesia da
modernidade: a interrelação entre criação e crítica. Uma das
vertentes de investigação não excludentes é o plano da crítica
da realidade, que não
se esgota só na denúncia social, mas sim que abarca um espectro
mais amplo para referir as condutas humanas, relações,
psicologias, enfim, uma problemática marcada pelo estudo da
natureza humana. Sinto que o ceticismo resulta como inevitável
conseqüência. Aí aparecem as interrogações metafísicas e,
imediatamente, outra vez, Weltschmerz,
a “dor do mundo”.
FM - O que
este novo livro, Dejaré los signos precipitados (1987),
vem acrescentar à tua poética?
AM - Há uma ideação, um plano conceitual, na criação e
publicação de minha obra que eu espero ter fôlego para levar a
bom termo. Tenho procurado, desde o princípio, desterrar um dos
defeitos mais freqüentes na poesia uruguaia - e suspeito que em
outra ocorre o mesmo -: a improvisação. Padecemos muitos males
pela improvisação, o suficiente para deixar a poesia cativa
dessa falência. Toda minha obra dita de poesia obedece a uma
planificação preconcebida. Meu primeiro livro - Nacimiento habitado - aguarda sua culminação em outro livro que
encerra, circularmente, sua estrutura, e do qual, por enquanto, só
posso adiantar o título: Bajo
cielos que llueven puñales. Os cinco cadernos da série Poesia crítica estão numerados do 1 ao 5, integrando uma unidade.
Constituem a praxis que exemplifica a teorização poético-crítica
em que se vem trabalhando. Escalas
escal(er)as é como uma separata desta série. Por outro lado,
os cadernos assinados por meus heterônimos (M. Olivar Aranda e
Armo Malvadari: disposições anagramáticas de meu próprio nome)
desenvolvem, estilística e tematicamente, linhas diferentes, como
se tratassem de três personalidades criadoras. O livro mais
recente, Dejaré los signos
precipitados, constitui um marco no caminho: amadurece e
expressa as propostas exercidas nos cadernos da série Poesia
crítica, projetando-se, por sua vez, para um possível tríptico
futuro como primeiro esboço. Reconverte e articula a estrutura de
meu primeiro livro, Nacimiento
habitado, com uma linguagem mais seca, direta, ríspida, irônica,
que, ao despojar-se de certa retórica, permite acesso a mais
leitores. É um livro de estrutura circular, que ascende como uma
pirâmide para um centro sígnico e físico, isto é: “Señal de
ajuste” como pórtico que antecede e prepara “Si no hubiera
vivido en vano”, confluem no clímax antagônico de “Fondo de
ojo”, para resolverem-se na conformação intelectual de
“Dejaré los signos precipitados” e o fecho de “Lacre”. É,
contudo, uma declaração de fé estética. Deve então ser vista
como itinerário no processo de transformação que toda poética
implica, work in progress de reflexão criadora onde é difícil vaticinar se
o poeta poderá fechar o ciclo com a palavra que, conscientemente,
elegeu como última.
FM - O que
pensas a respeito da poesia uruguaia contemporânea? (Penso em
nomes bem distintos, a exemplo de Hugo Giovanetti, Roberto
Appratto, Ida Vitale, Salvador Puig, Humberto Megget, Washington
Benavides, entre outros) Há relações possíveis com as gerações
mais distantes, a exemplo daquela a que pertencem poetas como Juan
Cunha, Líber Falco e Sara de Ibáñez?
AM - Para considerar a poesia uruguaia contemporânea seria
necessário proceder a uma demarcação prévia: o que se entende
por contemporâneo? Se explicarmos em um sentido lasso, amplo,
abarcaríamos quase todo o século XX, desde a geração de 900 -
Julio Herrera y Reissig, Delmira Agustini, Maria Eugenia Vaz
Ferreira, Vasseur, entre outros - até nossos dias. Os nomes que
mencionas pertencem a diversas gerações, de modo que seria
conveniente, talvez, estabelecer uma ordem prévia. Juan Cunha, Líber
Falco, Sara de Ibáñez, integram a denominada “Geração do
Centenário” - suas primeiras obras aparecem na década de 30,
sendo a primeira obra de Cunha ainda de 1929 e as primeiras de Ibáñez
e Falco de 1940, enlaçando-se assim com a geração seguinte, a
“geração de 45”. Não devemos esquecer que há outros poetas
desse tempo que importaria conhecer: Emilio Oribe, Ildefonso
Pereda Valdés, Parra
del
Riego, Casaravilla Lemos, Alfredo Mario Ferreiro, por exemplo. Em
seguida mencionas dois poetas de 45: Ida Vitale e Humberto Megget,
ambos relevantes. Porteriormente haveria que incluir a Washington
Benavides em uma primeira promoção da geração de 60 (promoção
que conta com poetas importantes, como Marosa di Giorgio e Jorge
Medina Vidal), e a Salvador Puig em uma segunda promoção da
mesma geração (aqui também acompanhado por outras figuras
transcendentes: Enrique Fierro, Cristina Peri Rossi, Roberto
Echavarren, por exemplo). Chegaríamos assim à atual geração
(“Geração da Resistência”) que surge a partir dos primeiros
anos da década de 70 e se desenvolve durante a presente década.
A ela se integram duas promoções: os poetas surgidos nos anos
70, como Roberto Appratto, Hugo Giovanetti e eu mesmo (mais
Eduardo Milán, Alfredo Fressia, Juan María Fortunato, Marcelo
Pareja, Rolando Faget, por exemplo) e aqueles que aparecem, com
obra édita, mais recentemente, nos anos 80: Elder Silva, Jorge
Castro Vega. Este ordenamento prévio torna-se imprescindível
para demarcar, na evolução da poesia uruguaia, as características
particulares e gerais de autores e gerações. Quantos às relações,
rupturas, involuções, mereceriam, provavelmente, um extenso
ensaio. Digamos, sintetizando, que à brilhante geração de 900
segue-se uma nutrida floração poética pelos anos 20 e 30, com
alguns marcos relevantes. Posteriormente aparecem, em forma
sucessiva e quase integrada, as gerações de 45 e 60 (aquelas que
Ángel Rama
unifica
em uma só denominação: “Geração da crise”), o que requer,
atualmente, um rigoroso trabalho de revisão crítica. Chegamos
assim a esta geração à qual pertenço. Nossa atividade na
revista Poética,
co-dirigida com Roberto Appratto, procura realizar um trabalho sério
de reflexão lúcida projetada em nossa história e, por sua vez,
com capacidade geradora de propostas possíveis.
FM - Lembro
um desabafo de Mário de Andrade (Diário de São Paulo,
1944), no tocante à situação brasileira no contexto
latino-americano: “Nós não estamos sós, pois que nos pensam e
muito; nós estamos abandonados - o que é terrivelmente pior”.
Recorto, de uma de nossas cartas, um momento em que afirmas
considerar a literatura brasileira como sendo, formalmente, uma
das mais interessantes e criativas. Há também, em alguns de teus
versos, referências ao Concretismo, por exemplo - isto sem falar
no fato de que já organizaste uma mostra da poesia brasileira
contemporânea para a revista Poética. Desde quando vem este
interesse e o que exatamente o justifica?
AM - O poeta vive em uma zona recortada do esquecimento.
Sua obra deve ir contra o esquecimento. Quando se pensa na
abundante quantidade de poetas ibero-americanos, de qualidade
indubitável, que permanecem desconhecidos ou pouco conhecidos,
sente-se a necessidade de fazer algo contra o abandono, contra a
solidão, contra o esquecimento. Meu interesse pela poesia
brasileira nasce de um interesse prévio, natural e amplo, por
toda a poesia. A poesia também é um modo de vida. Não concebo
minha existência sem a escritura, sem a leitura de poesia. A isto
somo uma inata curiosidade crítica para com o poético. É outra
forma da eterna busca da iluminação, é outra maneira de
pretender a epifania. Também, como descobridor, o poeta está
dotado da faculdade de revelar com profundidade. Sinto, na poesia
brasileira, aquela “natureza sem freio com energia primigênia”
que anunciara Whitman para a América. Mesmo na escritura poética
percebe-se uma intensa vibração de vida. O Concretismo, por
exemplo, vale também como corte transformador, poiein
em movimento, e o poiotés
continua sendo o antigo Fazedor
dos gregos. O que me impressiona na poesia brasileira é a potência
expressiva. Há riqueza e força em sua linguagem, há
aproveitamento cabal do poder sugestivo da palavra, há concentração
imaginativa. Recordemos, com Goethe, que “só é verdadeiramente
poeta o que soube apoderar-se do mundo e expressá-lo”. Isto é
sensível em vários poetas brasileiros: a transferência de mundo
convertido em linguagem, matéria e forma interpenetradas,
esteticamente organizadas. Agora, desde quando vem meu interesse
pela literatura brasileira… Desde a vontade e a consciência do
conhecimento de poeta. O importante é que persista, renovando-se.
FM - Hugo
Gola, no prólogo à Obra Completa de Juan L. Ortiz (En el aura
del sauce, 1970), lamenta o desdém com que a cultura
argentina tratou, durante várias décadas, obras de autores como
Macedonio Fernández (1874-1952) e o próprio Ortiz (1896-1978),
referindo-se aos graves prejuízos daí advindos. Ainda no tocante
à poesia argentina, poderíamos pensar em Jacobo Fijman
(1898-1970), cuja obra permaneceu esquecida durante longos anos,
sendo resgatada somente em 1983, graças a um esforço conjunto de
Eduardo Vázquez, Juan-Jacobo Bajarlía, Victor Redondo e Carlos
Riccardo - responsáveis pela edição de sua Obra Completa.
Imagino que esse tipo de desastre cultural deva ocorrer também em
relação à poesia uruguaia.
AM - Sim, este tipo de desastres culturais ocorrem,
lamentavelmente, em todas as partes. Nem tudo o que a maquinaria
promocional difunde resulta, em definitivo, no melhor. Com freqüência
permanecem na sombra, desconhecidos, autores de qualidade literária
transcendente. Ficam à espera de alguém que os saiba ler. Em sua
oculta luz há muitos criadores aguardando a revelação que nem
sempre chega e às vezes tarda. O supérfluo costuma ocupar,
portanto, seus lugares. Na Argentina, por exemplo, e fora de lá,
não se conhece do poeta Dario Cantón tudo o que sua obra exige.
É um caso. Sem dúvida que há outros. No Uruguai existe toda uma
zona de poetas à margem das consagrações detonantes, que
reclamam uma atenção lúcida: Parra
del
Riego, Pereda Valdés, Alfredo M. Ferreiro, María A. Bonavita,
Pedro Piccatto, são alguns nomes que deveriam ser mais atendidos.
O Uruguai ainda espera uma leitura crítica dos poetas de todas as
gerações, estabelecida em cotejo paralelo com a poesia
universal. Só assim se poderia calibrar a real dimensão de seus
poetas. Por exemplo: para conhecer o exato lugar que ocupa a atual
poesia uruguaia haveria que confrontá-la com o que produzem as
promoções mais recentes no resto do mundo. Igual procedimento
deveria ser adotado em todas as gerações poéticas. Talvez,
desse modo, nos livrássemos do desconcerto que décadas de crítica
subjetiva e parcializada tem semeado.
FM - Aldous
Huxley situava o nacionalismo como a religião que prevalece em
nosso século e, como tal, acusava-o de determinar valor absoluto
em partes fragmentárias da humanidade, condenando assim aqueles
que o aceitam a uma disputa crônica com seus vizinhos. Até que
ponto acreditas que tal noção de nacionalismo como religião
tenha sido determinante para a situação na qual a humanidade se
encontra mergulhada atualmente?
AM - Herskovit expôs que a cultura é universal na experiência
humana e que cada manifestação local é única. A referência à
religião convoca uma imagem de culturas primárias que
consideraria, no mínimo, arriscada. É claro que a precisão
conceitual em termos de diversidade de culturas exige categorias
que definam e perfilem os elementos constitutivos essenciais das
mesmas, mas não aparece tão claro que a demarcação estimulada
pela diversificação propenda a uma exageração que estimule
auto-suficiências. O atual debate filosófico em torno do eixo
modernidade/pós-modernidade nos recorda - o que por si já era
necessário - que uma vez mais há consciência de crise nas
culturas ocidentais. Sem hiperbolizar na catástrofe, o que é
bastante mal, é certo que o isolamento dos países, das nações,
contribua à ignorância, à pobreza de idéias, ao estancamento
ou ao retrocesso. A partir de Poética
temos procurado aportar nosso trabalho como um nexo de
conhecimento entre os homens. Não é possível - quanto menos
assim parece exigi-lo uma história comum da qual somos devedores
- que se conheça tão pouco sobre, por exemplo, a literatura e a
arte dos países vizinhos. Nos unem diversos fatores de maior ou
menor intensidade: a condição de latinos, a língua, paralelas
histórias comuns, até vínculos familiares, inclusive. Voltaria
a perguntar: o que nos separa? O que nos leva a viver como ilhas
culturais, conhecendo pouco e nada de outros países?
FM - Quando
surgiram as Ediciones del Mirador e de que forma ela vem atuando
no mercado editorial uruguaio?
- Ediciones del Mirador é um selo independente que publica
principalmente criação poética. Fundada em 1980 com a publicação
do número 1 da série Poesia
crítica - um caderno intitulado Apertura,
construcción y cierre -, quase imediatamente inicia outra
coleção: “Cuadernos Nueva Poesía”. A intenção principal
era dar conta - em um período histórico particularmente difícil
- do surgimento de uma nova geração de poetas uruguaios. Frente
aos altos custos de edição, os cadernos resultaram uma
alternativa válida que conjugava presença estética, baixos
custos e boa circulação. Logo, vieram as outras coleções:
“Libros del Mirador”, que editou poesia e ensaio, e a recente
“Gris-Poesía”, onde também se atende ao desenho e à
preocupação por aproximar a escritura de poetas uruguaios
dispersos pelo mundo, como Héctor Rosales, atualmente radicado em
Barcelona, assim como antes Alfredo Fressia e Daniel de Mello, que
vivem no Brasil. Frente à dificuldade de difundir a nova poesia,
Mirador surgiu como modo
alternativo de edição para testemunhar que a poesia uruguaia
se renovava em número e qualidade. Em seu fundo coexistem a
continuidade da literatura uruguaia com a transformação
imprescindível que define o gênero poético.
FM - Que
escola gostarias de fundar: a do homerismo futurista, do safismo
existencialista ou do sofoclismo surrealista?
AM - Nenhuma delas. Por uma simples razão: já estão
fundadas. Aí o que se deve resgatar é o gesto, a atitude, acaso
uma projeção programática: a união do clássico e do moderno,
por um lado - os extremos se tocam também no tempo - e o gesto
lançado adiante: uma proposta de modernidade
que progride, que se transforma, que vive e dinamiza sua própria
poética. No fundo, o torneio dialético: que dessa união de
teses e antíteses advenha a síntese que esperamos.
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ALVARO MIRANDA
(Uruguai, 1948)
Poeta, ensaísta e editor. Em 1980 criou as Ediciones del
Mirador. Foi um dos responsáveis pela criação de revistas como Poética
e Foro Literario. É diretor de uma coleção de literatura da
Editorial Técnica.
Obra poética
Nacimiento habitado (Primera producción 1971-1976). Ediciones del Mirador. Montevidéu. 1978.
Apertura, construcción y cierra. Ediciones del Mirador. Montevidéu. 1980.
La vida en sintaxis. Ediciones del Mirador. Montevidéu. 1981.
Palabra libre. Ediciones del Mirador. Montevidéu. 1982.
El mundo no es como uno lo usa. Ediciones del Mirador. Montevidéu.
1982. [sob o heterônimo de M. Olivar Aranda]
Escalas
escal(er)as. Poemas para ascender y descender. Ediciones del Mirador. Montevidéu. 1983.
Inducción completa. Ediciones del Mirador. Montevidéu. 1983.
¿Qué está pasando? Ediciones del Mirador. Montevidéu. 1984.
Las fibras conductoras. Ediciones del Mirador. Montevidéu.
1985. [sob o heterônimo de Arno Malvadari]
Dejaré los signos precipitados. Ediciones del Mirador. Montevidéu. 1987.
La cochera de Fairbanks. Ediciones del Mirador. Montevidéu.
1989. [sob o heterônimo de M. Olivar Aranda]
Pánico púnico. Ediciones del Mirador. Montevidéu.
1989. [sob o heterônimo de Arno Malvadari]
Los lentos remeros sobre espesas aguas. Ediciones del Mirador. Montevidéu.
1995.
Cámara
profunda. Ediciones
del Mirador. Montevidéu. 1998. |