Clique aqui para conhecer o maior site de Poesias da Internet !!! Soares Feitosa
Av. Antônio Justa, 3.440 /501
CEP: 60165-090 - Fortaleza, CE
Fone 085.242.27.60 - Email
Novidades da semana

Você quer participar?

Veja como é fácil

 
Manuel Bandeira


Remetente:
Maria Julieta Mendonça Viana" <julieta@internext.com.br>

 
 
        Os Sapos
 
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
 
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
 
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
 
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
 
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
 
Vai por cinquüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
 
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
 
Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
 
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
 
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
 
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".
 
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
 
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
 
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
 
Manuel Bandeira in "Estrela da Vida Inteira"


Página inicial do Jornal de Poesia


Página inicial de Manuel Bandeira