Não sei se respondo
ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu
na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria
e estou crescendo numa pedra.
Não tenho
a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito,
ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza
é a da sede e a da chama.
Com esta pequena
centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não
sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca
dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente,
algo ainda não é flor em mim.
Não estou
perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer
a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou
a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém
que espera ser aberto por uma palavra.
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