Escrevo-te enquanto algo
resvala, acaricia, foge
e eu procuro tocar-te
com as sílabas do repouso
como se tocasse
o vento ou só um pássaro ou uma folha.
Chegaste comigo
ao fundo aberto sob um céu marinho,
sobre o qual se
desenham as nuvens e as árvores.
Estamos na aurícola
do coração do mundo.
O que perdemos
ganhamo-lo na ondulação da terra.
Tudo o que queremos
dizer sai dos lábios do ar
e é a felicidade
da língua vegetal
ou a cabeça
leve que se inclina para o oriente.
Ali tocamos um
nó, uma sílaba verde, uma pedra de sangue
e um harmonioso
astro se eleva como uma espádua fulgurante
enquanto um sopro
fresco passa sobre as luzes e os lábios. |