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Ana Peluso
Versos soltos
Os versos
são soltos.
Os pensamentos
também.
Apenas poeira
ao vento,
nada de fundamento.
Nada de especial.
Centelhas elétricas,
as palavras
ficam no éter
até encontrarem o papel.
I
Minha
Máquina humana
Cansou.
A outra, imaterial,
Luta
Com todas as armas que tem.
Pra manter-se viva.
II
O sopro da vontade entrou pela janela, convidado e convidativo.
Achando-se necessário e sendo.
O sopro da vontade não gostou do ambiente, presente do diabo,
E se fez ausente.
O sopro da vida
Roda, perdido,
Sem o sopro da vontade.
E ambos se buscam
Na necessidade
De fundirem-se,
Eternos amantes
Amigos.
Do amor.
III
Não sendo exata,
Não sendo plena,
Minha solidão
Sucumbe
Ao chamado
Da convivência.
Conveniência
De alguns.
Minha solidão é esmagada
Diariamente.
IV
Algumas pessoas
Enojam-nos a existência
Pelo simples fato da falsidade
Com que tratam a nós
E nossos assuntos
Pessoais.
Algumas fazem isso após receber carinho,
Inclusive.
V
Ser leviano
Nada mais é do que nutrir uma necessidade
De destruir.
VI
Você
Acredita na "leviandade"
Na legião dos disfarces
E me debilita
A alma
E agita
Minha alma.
Me extingue a paciência
Me desaponta a ciência
De onde estávamos
Antes que você
Gostar de quem
Te engana.
VII
Palavras são tão sagradas
Que se profanadas
Por intenções
Põe dilemas
Em minha mente
Quanto à liberdade
De usa-las.
VIII
Guardei um brilho
De estrela
Dentro de uma garrafa,
No bar da sala.
Qualquer hora dessas,
Aparece para um drink...
IX
O olhar do moço se confunde
Na despedida.
Já não se sabe
A ida,
Fica?
Vai?
O olhar do moço
É triste
Na partida.
Por medo de conhecer
A possibilidade
Do amor
Prefere
Se retirar.
Uma lágrima
Corre por seus olhos,
Mas não percebe
Que se tornou dono
Delas,
Quando não aprendeu
A partilhar.
X
Sentimento
Pendurado
Na parede
Como diploma
Atestando o óbito
Do sentido.
Sentimento
Emoldurado
Para a visita
Reparar
Na moldura.
Sentimento
Congelado
E servido
Com uísque.
Sentimento
Emparedado
Perdido
Entre o vão e a viga.
E a vida passa.
O sentimento
Fica.
E morre
Sufocado
Pelo medo
Em rever-se.
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