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Cláudio
Willer
Mesma coisa com relação
à crítica. A seguir, reproduzo trechos da diatribe de José
Paulo Paes sobre o estado atual da crítica literária. Cito
o que Leila Perrone-Moisés escreveu em um livro recente. Também
recentemente, Roberto Schwarz deu declarações sobre crítica,
na mesma linha. Ao que parece, dez em cada dez intelectuais de renome estão
de acordo a respeito disso, de que houve uma grave queda de qualidade nas
mediações entre a literatura e seus possíveis leitores.
Mas há um detalhe, que ninguém, ao que parece, quer comentar
ou discutir: A CRÍTICA SÃO ELES!
Se fossem às redações, sugerir ou explicar o que deve
ser feito, acredito que seriam ouvidos. Ainda pretendo reapresentar este
texto, em separata ou capítulo de livro, precedido por uma abertura
como esta, em tom de chamamento dos intelectuais a suas responsabilidades.
1. A DÉCADA DE 80 E O FORMALISMO Reproduzi, em minha coletânea de poemas de Allen Ginsberg (Uivo, Kaddish e outros poemas, L&PM, na edição ampliada de 1999), declarações do poeta Philip Lamantia sobre as razões da resistência à poesia Beat nos Estados Unidos: uma escrita de natureza analógica, metafórica, não-realista, foi praticamente interditada nesses cinqüenta últimos anos, mesmo sendo uma prática corrente, quase um hábito na França. E, ainda: mesmo tolerando uma vanguarda à margem - Joyce, Faulkner, talvez Burroughs hoje - a consciência literária americana se fixou no realismo e no positivismo. Nunca duvidei de que essa denúncia do positivismo, realismo e cientificismo pudesse ser projetada no panorama brasileiro. Sabia disso em 1983, quando um amigo, recém-matriculado em Letras na PUC (Universidade Católica de São Paulo), mostrou-me o que estavam a ensinar-lhe, uns exercícios parecidos com álgebra e lógica simbólica. Ao bater os olhos naquelas fórmulas e diagramas, lembrei-me de quando, décadas atrás, havia estudado e lecionado Psicologia. No fundo, a mesma coisa, sessões de aplicação e legitimação científica dessa ou daquela ramificação do positivismo, na versão empirista em Psicologia, nas modalidades formalistas em Letras. Essas, reflexo do que Octavio Paz, em 1970, denominou de imperialismo da lingüística (em Teoría y Práctica de la Traducción). E do que Alfredo Bosi, em 1978, chamou de ostentação eufórica do código (em O Ser o Tempo da Poesia). No final daquela década, fui convidado à mesma PUC, ao mesmo curso de Letras, para um debate, daqueles realizados na abertura dos períodos letivos. Dirigi-me ao anfiteatro como a uma arena, para criticar a formação de uma geração de aplicadores de fórmulas e diagramas treinados para, por sua vez, burocratizar uma subsequente geração destinada a ensinar a mesma coisa, do mesmo modo, em colégios e faculdades. Farpa adicional, observei que na França, na Europa em geral, primeiro se lê Rabelais, depois se estuda Bakthine. Aqui, não: Rabelais ou Dostoievski aparecerão aos olhos do estudante para ilustrar o que vêm a ser carnavalização e polifonia. E Camões, Vieira, Machado, Lima Barreto, Drummond, Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan e Rubem Fonseca terão algumas de suas páginas lidas, devidamente xerocopiadas, em função das chances de "cair" em provas ou no vestibular. Surpresa: os presentes, professores da PUC, concordavam comigo! Partilhamos críticas à instrumentalização do ensino e pesquisa a serviço desse ou daquele modelo, apresentado como monopólio da verdade científica. Repudiamos, todos, a troca de lugar entre metalinguagem e linguagem, método e objeto, carro e os bois. A questão era o que fazer, como ensinar literatura após a vigência do que eles mesmos denominavam de cientificismo. Adiantaram, aquelas abjurações da ortodoxia? Às vezes acho que não. Outro dia, um estudante de Letras, desta vez da USP, ao ver algo que havia preparado sobre biografias de escritores, comentou que, em seu curso, ao examinarem Camilo, a orientação era ater-se exclusivamente ao texto. Não podiam associar o descabelamento de suas narrativas, o pathos, a exasperação, a seu comportamento e dramas pessoais. É redutor explicar a obra de Camilo por neuroses e tragédias, mas é igualmente empobrecedor fazer de conta que não existiram. Antes que alguém venha lembrar que tragédias pessoais aconteceram depois, são posteriores a obras dele, direi que um tema ao qual tenho me dedicado é o do autor como personagem de si mesmo. Os modos como realiza sua "persona" e encarna o que leu e escreveu. Ninguém melhor do que Baudelaire para ilustrá-lo, com sua coerência entre o escândalo de As Flores do Mal e os cabelos pintados de verde, insultos a burgueses etc. A vida, lugar de encontro entre texto
e contexto, interessa ao ascender à literariedade, traduzida ou
antecipada pela criação. García Lorca haver sido mártir,
poeta assassinado, está dentro da sua poesia. Ao ler Artaud,
lemos o internado em manicômios, inclusive por ele fazer questão
de nos lembrar disso. Da aura de Abissínias míticas até
os gabinetes de trabalho, passando por inumeráveis bares e casas
noturnas, permanece algo, a iluminar o que seus freqüentadores escreveram.
por isso, descartar biografias torna a leitura menos empolgante. James
Joyce por Richard Ellman ou García Lorca por Ian Gibson são
necessários para a melhor compreensão desses autores. Bons
estudos biográficos não conflitam com a idéia de autonomia
do texto literário e da linguagem.
2. A DÉCADA DE 90 E A CRÍTICA DA CRÍTICA
Não endosso, de modo algum, críticas generalizadas à universidade. Quem quiser abrir fogo contra estruturalismos e formalismos, ou dirigir a mira a esse ou aquele expoente acadêmico, tem que de apresentar propostas alternativas. Em caso contrário, o que disser não passará de mais um chamado ao obscurantismo, à supressão do que as universidades têm de produtivo. A propósito, vêm da área acadêmica, feitas por scholars, algumas contribuições recentes à crítica da crítica. Uma delas, o livro de Leila Perrone-Moisés, Altas Literaturas (Companhia das Letras, 1998), trata da simbiose moderna entre crítico e criador. Reexamina tendências da crítica no século XX, esse corpus fragmentado desde os confrontos, há duzentos anos, entre românticos e clássicos, e, há cem anos, entre simbolistas-esteticistas-decadentistas e realistas-naturalistas. Contudo, nesse livro há diagnósticos de crise, não só da crítica, mas da literatura toda, que me parecem um tanto apocalípticos. A autora chega a indagar: a literatura fundamentada em valores, tal como concebida pelos modernos, ainda existe? Vê queda de prestígio da criação de qualidade, da invenção: A literatura, que durante séculos ocupara um papel relevante na vida social, tornou-se cada vez menos importante. E, ainda: O desafeto progressivo pela literatura é um fenômeno internacionalmente reconhecido. (...) A literatura não desapareceu, mas recolheu-se a um canto. Haveria, portanto, crise do valor literário, determinado com muita facilidade, e uma quantidade equivalente de equívocos, pelo academicismo classicista, e com dificuldade pelos novos paradigmas. No meu entender, isso não acontece em um vazio, em uma pos-modernidade que se segue à vigência do que, acima, denominei de cientificismo. Já estava embutida naquele momento da história dos estudos literários. Há décadas, Gore Vidal acusava a estruturalistas, então em fase de implantação no ambiente acadêmico americano, de jogarem no mesmo saco Sidney Sheldon e Joyce, banalidades e grandes obras. Contudo, são oportunas advertências
feitas em Altas Literaturas, quanto ao risco de, no lugar dessas
teorias, vir algo ainda pior, o estudo de literatura confinado a um capítulo
dos "estudos culturais" ou da sociologia dos multimeios, e, pior, com o
exame do suposto conteúdo ético ou antiético da obra,
por essa ser mais ou menos politicamente correta. Isso é censura
querendo voltar pela porta dos fundos. Se há uma obrigação
do crítico, independente da filiação, em qualquer
nível, jornalístico ou acadêmico, é, em primeiro
lugar, ser um militante da liberdade de expressão, mesmo não
sendo este um tempo de publicações suprimidas e páginas
da grande imprensa obrigadas a publicar receitas e versos de Camões
(por sua vez, até há pouco, estudado em colégios em
edições expurgadas de trechos "perigosos" por criticarem
o absolutismo e elogiarem o paganismo). O Marquês de Sade, Baudelaire,
Lautréamont, Henry Miller, Ginsberg e William Burroughs devem ser
vistos, não como excentricidades, mas como protagonistas de momentos
decisivos, que nos possibilitam dizer e fazer, hoje, aquilo a que temos
direito. Nunca é demais repetir que o maníaco do parque,
meninos-assassinos norte-americanos etc., não se inspiraram em qualquer
um desses autores. (1)
3. MAS, AFINAL, DO QUE É MESMO QUE ESTAMOS FALANDO?
Outrora, jornalismo e literatura não eram dissociados. Há pouco mais de um século, Zola e Machado de Assis ganhavam a vida colaborando em jornais que, por sua vez, iam publicando capítulos de suas obras. O trânsito entre ambos ainda era tranqüilo nos anos 50-60, tempo de Sérgio Milliet e suas colaborações em rodapé. Hoje, a área acadêmica, envolta em seus impasses, tem pouco a oferecer ao jornalismo cultural. Este, por sua vez, merece o diagnóstico sintético feito por José Paulo Paes, em um artigo sobre o centenário de Milliet (no Jornal da Tarde): nas poucas resenhas de livros que a grande imprensa brasileira condescende ainda em publicar, a auto-suficiência do magister dixit costuma alternar com a anodinia do press release disfarçado. Imprensa, mercado editorial e universidade se tornaram mais complexos; por isso, burocráticos. Na imprensa há de tudo: aquilo que José Paulo Paes denunciou, ao lado de bons artigos (inclusive os dele); pautas requentadas e outras de interesse. Seu decréscimo de qualidade, de 1980 para cá, não deve ser imputado só a editores, colaboradores e donos-diretores de jornais. Havia acontecimentos extra-mídia, na sociedade, que eram estimulantes, desde resistência anti-autoritária até a movimentação em poesia a apresentar-se como inovadora, cujos autores, naquele momento, tinham algo a dizer. Além disso, há diferenças de escala. O mercado editorial era menor. Lançava uma quantidade de títulos mais fácil de assimilar em umas poucas páginas semanais. A mediocridade das listas de mais vendidos de hoje, comparadas às de vinte anos atrás: até que ponto isso é resultado do declínio do jornalismo cultural? Ou, inversamente, não será o presente jornalismo cultural o reflexo de uma configuração do mercado? Provavelmente, as duas alternativas são corretas. Mídia e mercado se alimentam. A extensão e duração desse círculo vicioso é indeterminável, a julgar pela promoção sistemática, na imprensa, de vozes divergentes que não passam de perseguidores do sucesso de escândalo obtido pelas provocações de Paulo Francis. Folheando-os, vejo, aqui, o defensor do obscurantismo a pretexto de criticar a universidade; ali, a legítima expressão de coisa alguma além do ressentimento; adiante, o precioso afetado incapaz de ocultar a ausência de propostas. Devo citar nomes? Não, apenas daria publicidade ao efêmero. Agora são estes; antes, havia outros; e logo terão sido substituídos. Hoje, jornalismo é profissão. Jornal é parte de corporação. A imprensa, por isso, tornou-se regrada, ordenada. Medo e insegurança permeiam qualquer burocracia. Daí o periodismo literário buscar legitimação em instâncias extra-jornalísticas. Uma delas, a universidade. Outra, o mercado. Apoia-se na instituição acadêmica, pois currículos são um aval de qualquer coisa, assim esvaziando o fértil meio de campo que devia ser ocupado pelo franco-atirador, o intelectual não-acadêmico, substituído por gente escrevendo para os colegas e o orientador, mostrando que estudou a lição de casa. Apoia-se no mercado, e exibe a onipresente propensão à banalidade, à promoção do sucesso de ocasião, proporcional ao tratamento que a editoria de música, ao lado, dará a seu último hit. Imprensa e universidade refletem um
fenômeno moderno, a especialização e conseqüente
curricularização da vida, do mundo. Quem pretender alguma
chance profissional tem que apresentar certificados e títulos, comprovando
informação sistematizada e institucionalizada. Cursos estão
aí para ordenar o conhecimento. A ordenação acarreta
a equivalente burocratização. Diante disso, precisamos, dramaticamente,
dos personagens e instâncias da desordem, dos desarrumadores do saber.
A crítica, no sentido amplo da palavra, da qual todos os demais
deveriam ser extensões, se exerce negativamente. Esquecendo
isso, naufragaremos em uma estéril enxurrada de positividade, normatizada
por manuais de boa conduta literária. O escândalo, aí
está algo que não pode ser considerado datado, circunscrito
no tempo. Ao fazer, em palestras, o elogio da rebelião e provocação
em Baudelaire, Rimbaud, Jarry, surrealistas, Artaud, a Beat, às
vezes alguém, na hora do debate, argumenta que tais exemplos pertencem
a um passado de sociedades repressivas (seja qual for o passado, do final
do século XVIII do Marquês de Sade à década
de 60 da contracultura). Penso o contrário: esse padrão de
artista radical e independente é atual e necessário.
4. NO ENTANTO, NEM TUDO É ASSIM
Em segundo lugar, haver novas publicações que preencham o meio de campo, nem grande jornalismo, nem produção estritamente acadêmica - Cult, Medusa, Monturo, Azougue e afins - é animador. Só precisam de mais apoio, financeiro e da mídia, para darem sua plena contribuição, arejando o ambiente. Sobreviverão as que não forem decalques da grande imprensa. É por aí, através dos periódicos, que poesia e crítica respiram. No início do século, em lados opostos do Canal da Mancha e do vanguardismo, Pound e Breton faziam que a literatura se movesse através de revistas, veículo da melhor criação e crítica naquele momento, em um dos muitos exemplos de como o periodismo cultural pode ser decisivo, definindo movimentos e tendências. Pela dificuldade econômica, hoje, desse tipo de iniciativa, apoiá-las deveria ser prioridade da administração pública. Reconheço um parti pris, por minha principal referência ser o excitante panorama cultural dos anos 60, marcado pela expectativa apocalíptica de mudanças na forma de catástrofe, utopia, ou ambos. No entanto, a contrapartida disso era o provincianismo. Nem incomodava a imprensa mostrar maior ou menor simpatia ao que fazíamos, pois podíamos nos dirigir diretamente ao público: estavam todos lá, gravitando na mesma órbita. Desde então, mudou a escala de certos fenômenos. Da crítica em jornais com dez a cem mil exemplares, passamos às tiragens nipônicas, cem mil a um milhão de exemplares. Portanto, a outra coisa. A diferença quantitativa, obviamente, acarreta diferenças qualitativas, para melhor e para pior. Algo da dispersão na quantidade pode ser enfrentado pela administração cultural. O exemplo são experiências de ensino extracurricular, arejando a transmissão do conhecimento em ciclos de palestras e oficinas literárias. Promovem a formação de grupos, a troca de figurinhas, algo que, naquela outra década, acontecia naturalmente, sem mediação institucional. Consciente de, por enquanto, retirar baldes d’água de um oceano de carências, acho viável um sistema dinâmico, heterodoxo, incluindo cursos, ciclos de palestras, debates, depoimentos de autores e oficinas. Da minha perspectiva, como administrador cultural, não vejo essa ameaça toda ao valor e à própria literatura. Há crise, ou crises, porém localizadas nas instâncias mediadoras: ensino e produção teórica, mercado editorial, jornalismo. A resposta a ela está na quantidade e interesse do público presente a palestras, leituras, oficinas. Crise cultural, e, por extensão, da crítica, não acontece por falta de neurônios e informação, mas, principalmente, por falta de recursos. Para ser claro: quando preparei uma coletânea de obras de Artaud, em 1983, examinei uma edição norte-americana, aquela preparada por Susan Sontag, dez vezes maior. Na abertura da edição, agradecimentos às instituições que a haviam patrocinado. É óbvio que, dadas as mesmas condições para sobreviver enquanto produzia, faria algo dessa dimensão. Em resumo, muito do que falta, e do que faz falta, em matéria de alternativas ao marasmo e falta de perspectivas, apareceria se houvesse mais recursos, sob forma de bolsas não-acadêmicas e subvenções, através de instituições mais ágeis e modernas, em favor da cultura. Haveria incompatibilidade entre o chamado que fiz à rebelião radical, e o apelo ao patrocínio, público ou privado? De modo algum. Basta ler a biografia de Baudelaire. Mesmo condenado e censurado, acabou recebendo subvenções governamentais, adiantamentos de editores e pagamentos por artigos na imprensa, que minoraram sua miséria e lhe permitiram avançar na criação. Houvessem-lhe dado mais, e teríamos mais textos explicando, profeticamente, o que é modernidade, como o maravilhoso se realiza nas cidades, porque a obra de arte é um sistema de relações e não uma representação, e a criação é um produto da imaginação ativa e não a cópia da realidade. Temos mecanismos de subvenção para teatro e cinema, e entendo que poderia haver mais ainda. Porém, considerando que palavra é mediação fundamental, constitutiva da cultura, deveria haver mecanismos equivalentes em favor do livro, da literatura, de idéias. Fala-se, com razão, da importância da educação. Pois bem: favorecer a palavra escrita faria, rapidamente, subir o nível educacional. A quantidade e qualidade do investimento em livro e literatura podem definir o futuro deste país. A inteligência não pode continuar entregue ao miserabilismo oficial e à burocracia das corporações. Essa é uma grande questão política, da qual a sociedade deve ser sensibilizada. Se insisti na carga de negatividade
inerente à boa crítica, insisto, com igual ênfase,
na positividade do trabalho em favor da cultura. Problemas de crítica
e administração cultural são aspectos da mesma configuração.
Mudaram, nas últimas décadas. Contudo, as soluções,
ou, ao menos, as propostas a apresentar, são quase as mesmas.
NOTA (1) O notável ensaísta norte-americano Roger Shattuck, em Os Limites da Literatura (Companhia das Letras, 1998 - fui induzido à leitura dessa obra por artigos de João Alexandre Barbosa na revista Cult), para sustentar sua argumentação de que se deve estabelecer limites à obra de autores como o Marquês de Sade, cita o caso de Ian Bradley e Mira Hindley, praticantes de rituais escabrosos que chocaram a opinião pública na década de 60. Para mim, esse exemplo só demonstra uma coisa: a queda de nível cultural, até mesmo dos assassinos. Naquela época, inspiravam-se em Sade; agora, se inspiram em jogos eletrônicos. |
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