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Elaine Pauvolid
Que Paris era uma festa todo mundo sabia na década de 20 e não apenas Hemingway que se não deu título ao livro de contos reunidos postumamente, viveu como se cantasse isso aos quatro ventos durante sua breve vida de 62 anos. Não foi seu único nobre estrangeiro. Gertrude Stein, Man Ray e Isadora Duncan fizeram de lá suas preciosas casas. A década de 20, para os franceses, foi a sobrevivência à Grande Guerra. Época na qual norte-americanos foram amados, nos primeiros anos, para mais tarde serem execrados como retaliação da população ao governo estadunidense que, em 1927, cobrará de uma França perto de um colapso econômico, as pesadas dívidas de guerra. Paris abrigará, depois da guerra
civil russa, príncipes, princesas e damas de honra que, numa espécie
de filme surrealista, ocuparão cargos de chofer, porteiro, e dama
de companhia para os novos ricos. É a cidade onde surge o Surrealismo
- mas não o esgota como bem mostra o livro "Surrealismo e o Novo
Mundo" (organizado Hemingway, assim como os demais americanos
que viveram ao lado do Surrealismo não aderiu ao movimento - exceção
é Man Ray. Passou ao largo dele como se Breton nem existisse. Gertrude
Stein, que abriu guerra contra o dadaísmo e foi aclamada pelos dadaístas
como dadá, não gostou dos primeiros contos do jovem Hem que
freqüentava sua casa para deleite da mulher que adorava observar "tipos".
Foi com ela e seus amigos que o provinciano americano sofisticou seu linguajar,
e foi na livraria Shakespeare, locadora de livros e ponto de encontro da
intelectualidade estadunidense que fez suas melhores leituras. O escritor
não nasce pronto. Henry Miller, leitor compulsivo, atesta-o da mesma
forma. Hem se construiu e se desconstruiu quando acabou com a própria
vida com uma espingarda em 2 de julho de 1961. Seus textos trazem sempre
a marca de sua biografia, até mesmo a idéia de morte estará
presente terrivelmente em Por quem os Sinos Dobram, um calhamaço
sobre a guerra civil espanhola que, na vida |
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