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Revista de Cultura nº especial II
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Fortaleza/ São Paulo, setembro de 2000
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ADRIANO HERRERABARRÍA PELOS LABIRINTOS DO TEMPO
Erik Wolfschoon
A pintura de Adriano Herrerabarría é antes de tudo o registro de uma odisséia lacerada e brutal pelos labirintos do tempo. o tempo que ameaça e se fecha sobre todas as criaturas e as aprisiona nos claustros voluptuosos do Poder. O poder que a tudo abate e malversa e deforma na epiderme cruel e transparente desses atores - Profetas, Gárgulas e Peregrinos - encerrados no cenário único onde repetem, com implacável constância, o relato de seus mitos. Mitos que não são os da origem, do passado fundacional e ou memória, mas sim que prefiguram e sustentam acusações e crimes. A autenticidade desta pintura - de profunda substância literária, muito além do indiscutível logro pictórico - radica em sua exploração reiterada de um universo fechado de injustiças e barbáries, colonizado pela marginalidade e no qual a natureza é como uma miragem de violências. Herrerabarría faz entrar essa fauna de feiticeiros, verdugos e encantadores - os mesmos palinuros de Faulkner e de Sade - no território alienado das cores com a mesma premeditação e cálculo com que o mestre sienês do século XIV faz surgir das trevas o triunfo da morte: é antes de tudo a precisão do gesto, a coreografia dos movimentos reiterados sobre o muro o que define o ritmo mental dos personagens, suas atitudes. Na pintura de Herrerabarría o espaço nega o tempo, que se abate e engole tragédias e épicas e anula assim a possibilidade de uma cultura histórica. Daí a minuciosidade textual, o engano paciente e estremecido, a unidade distanciadora do discurso em que Adriano Herrerabarría acumula, sem pretender diferenciá-los, espantalhos, incidentes e paisagens e satura a superfície onde representa os acontecimentos de uma morosidade unânime: é a regressão desde o Patriarca - acaso o Demiurgo? - que devora a seus filhos e se precipita antes do gênese, anônimo, sem corpo e confundido.
 
 

A CRÍTICA E HERRERABARRÍA

agherrerabarría2.JPG (34543 bytes)Destaca em Herrerabarría a experimentação constante nas técnicas tradicionais do procedimento das artes plásticas, fundamentalmente na Têmpera ao Ovo, encauste, afresco mural, técnica mista e impressões variadas em papel.

Mas não se detém na maneira de fazer, que renuncia ao trabalho fácil - nas esgotantes jornadas do ateliê -, mas sim fertiliza seu trabalho na integração humanística que todo grande artista requer. Herrerabarría amplia seus horizontes em uma formação cultural de valores que o colocam nos mais complexos problemas de nosso tempo, sobre os quais tem Adriano firmes convicções.

Jesus Sotelo Inclán (México)

 

agherrerabarría3.JPG (40602 bytes)Herrerabarría é um mestre egresso da Normal J. D. Arosemena, filho de um lugar proletário. Não extorquiu as raízes de sua origem. Conhece seu ponto de partida. É guiado por seu berço, sua consciência do que realmente É e do que quer seguir sendo.

Herrerabarría, o mestre de escola, educa com suas obras plásticas. Com as sínteses atormentadas e pictóricas do Sermão da Montanha, com o pranto do indígena que silenciam as montanhas, com as lágrimas da imensa porcentagem dos que sofrem e que ninguém se detém para lhes ajudar, porque as lágrimas se vão para os grandes oceanos, para que os mares sejam maiores.

Bonifacio Pereira (Panamá)

 

agherrerabarria4.JPG (21766 bytes)Mas se Herrerabarría pertence, por eleição voluntária e por formação acadêmica, à geração jovem de pintores mexicanos tem uma personalidade irrenunciável, violenta e terna a um só tempo, que inquestionavelmente vem de sua origem panamenha.

Por exemplo, seus tratamentos pictóricos, tão característicos de seus verdes, que tão certeiramente descobrimos em sua pintura desta etapa (50-60), lhes chegam por sua filiação nativa. O salvarão em sua tarefa a honradez com que se consagra e às disciplinas de oficina e a apaixonada busca do mais significativo de nossa ERA.

José Attolini (México)
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