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Erik Wolfschoon
A pintura de Adriano Herrerabarría
é antes de tudo o registro de uma odisséia lacerada e brutal
pelos labirintos do tempo. o tempo que ameaça e se fecha sobre todas
as criaturas e as aprisiona nos claustros voluptuosos do Poder. O poder
que a tudo abate e malversa e deforma na epiderme cruel e transparente
desses atores - Profetas, Gárgulas e Peregrinos - encerrados no
cenário único onde repetem, com implacável constância,
o relato de seus mitos. Mitos que não são os da origem, do
passado fundacional e ou memória, mas sim que prefiguram e sustentam
acusações e crimes. A autenticidade desta pintura - de profunda
substância literária, muito além do indiscutível
logro pictórico - radica em sua exploração reiterada
de um universo fechado de injustiças e barbáries, colonizado
pela marginalidade e no qual a natureza é como uma miragem de violências.
Herrerabarría faz entrar essa fauna de feiticeiros, verdugos
e encantadores - os mesmos palinuros de Faulkner e de Sade - no território
alienado das cores com a mesma premeditação e cálculo
com que o mestre sienês do século XIV faz surgir das trevas
o triunfo da morte: é antes de tudo a precisão do gesto,
a coreografia dos movimentos reiterados sobre o muro o que define o ritmo
mental
dos personagens, suas atitudes. Na pintura de Herrerabarría o espaço
nega o tempo, que se abate e engole tragédias e épicas e
anula assim a possibilidade de uma cultura histórica. Daí
a minuciosidade textual, o engano paciente e estremecido, a unidade distanciadora
do discurso em que Adriano Herrerabarría acumula, sem pretender
diferenciá-los, espantalhos, incidentes e paisagens e satura a superfície
onde representa os acontecimentos de uma morosidade unânime: é
a regressão desde o Patriarca - acaso o Demiurgo? - que devora a
seus filhos e se precipita antes do gênese, anônimo, sem corpo
e confundido.
A CRÍTICA E HERRERABARRÍA
Mas não se detém na maneira de fazer, que renuncia ao trabalho fácil - nas esgotantes jornadas do ateliê -, mas sim fertiliza seu trabalho na integração humanística que todo grande artista requer. Herrerabarría amplia seus horizontes em uma formação cultural de valores que o colocam nos mais complexos problemas de nosso tempo, sobre os quais tem Adriano firmes convicções. Jesus Sotelo Inclán
(México)
Herrerabarría, o mestre de escola, educa com suas obras plásticas. Com as sínteses atormentadas e pictóricas do Sermão da Montanha, com o pranto do indígena que silenciam as montanhas, com as lágrimas da imensa porcentagem dos que sofrem e que ninguém se detém para lhes ajudar, porque as lágrimas se vão para os grandes oceanos, para que os mares sejam maiores. Bonifacio Pereira (Panamá)
Por exemplo, seus tratamentos pictóricos, tão característicos de seus verdes, que tão certeiramente descobrimos em sua pintura desta etapa (50-60), lhes chegam por sua filiação nativa. O salvarão em sua tarefa a honradez com que se consagra e às disciplinas de oficina e a apaixonada busca do mais significativo de nossa ERA. José Attolini
(México)
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