hélio rôla & floriano martins
AFRESCOS DO INFERNO
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Dentro do que vemos, prefiguradas pedras em suas cavidades ígneas, quais pastores se revelam no monólogo das súplicas? Que seiva cessa na imitação do que lemos? Pródiga a imagem que as envolve, lúbrico o rastejo da língua, imensa a evidência. Do paradoxo, o que saberemos? Das roídas gravuras de seus corpos, cuja exaustão derrama-se em desígnio de frêmitos, seios, devassados papiros, proclama de ancas, agulhas de sons e crivadas faces da angústia de um tempo incomum, saberemos o quê? Ao nome apega-se a voraz criatura, tomada pelo livro das lamúrias, lido fora do leito.
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Fundo do ser, qual será? Que nobre entulho orgulha-se da soalheira de seus derrames? Engendra quais cicatrizes o delírio no espelho? O que for, o que somos, temos aceito, corpos caindo em círculos, miséria desencontrada, rios de mármore, parágrafos em soluços, batismo daquilo que vemos, o que nos cabe? Nódoa que afirma o crime na oculta criatura que nos persegue, deforma, ímpeto da forma que a pedra respira em canto, a repetir-se não sendo mais que lágrima, urina, orfandade da areia guardada no verso, torpe memória, quais sombras roem, ao caírem do espelho, a memória em soluços do que ainda vemos?
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r e t o r n o à g a l e r i a
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