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revista de cultura # 62 |
discos da agulha
Basta prestar atenção em toda a beleza e suavidade presentes em Down on my knees, uma das faixas destaque desse disco, e logo é possível perceber o talento dessa alemã de alma nigeriana. Por essas e outras canções dispersas ao longo de Joyful, primeiro cd da artista, mergulhamos, não somente nas suas expressões pessoais, mas também em uma série de influências em cuja fonte bebeu a cantora. O álbum traz em si elementos que remontam principalmente ao reggae e ao soul, deixando exalar, em boa medida, um certo sotaque africanizado. Joyful agrada pelas nuances intensas que atravessam a escolha do repertório. Trata-se de um trabalho que conta com bons arranjos e, acima de tudo, com a voz doce e cheia de personalidade de Ayo. Sua interpretação é vigorosa em canções como Help is coming, Letter by letter e Life is real. Por trás das letras desse seu disco de estréia, a cantora percorre um caminho marcado pelo lirismo, traço fundamental de seu canto. Para quem gosta de boa música, eis um som que se encaixa perfeitamente quando a palavra de ordem é qualidade. [Fabrício Brandão]
Desde a conversa que tive com Celso Fonseca, na Nona Leva da Revista Diversos Afins, abriu-se uma expectativa em torno de seu novo trabalho, Feriado, nome já revelado pelo próprio artista àquela época. O fato é que o álbum veio e com ele também uma certa aura de energia alto astral que percorre toda a escuta da obra. Dentro daquilo que se poderia chamar de despojamento em razão de uma primeira leitura do nome do disco, impera os recursos suaves de uma liberdade criativa que busca outros horizontes sem perder o seu traço essencial. E essa atmosfera leve e positiva já é sentida quando somos apresentados aos sampleados de Barato Total (música de Gilberto Gil) na primeira faixa do disco, Não se afasta de mim. A composição que leva o nome do CD, feita em parceria com Ronaldo Bastos, além de trazer um ritmo bem cadenciado, apresenta a participação bastante acertada de Ben Lamar, músico norte-americano que toca e compõe com o Filial, grupo carioca de hip hop. Por aqui, também o samba passeia majestoso em Beleza, Queda e Você não entende nada (canção de Caetano Veloso). Feriado revela o apuro de Celso em buscar outras possibilidades no ofício de dar forma a suas composições. Prova disso está em Viajando na viagem, música que exala um suingue na medida certa e onde o próprio Celso faz uma dobradinha com Marcelo D2. Um dos pontos altos do disco é a surpreendente transformação pela qual passou o hit Se ela dança eu danço, funk do MC Leozinho. O arranjo e a construção melódica da música engrandecem a composição pelo fato de voltar as atenções à letra, aspecto que passava despercebido, pelo menos para mim, na sua versão original. Num álbum que sabe muito bem visitar as alamedas de nossa música, a atitude positiva transcende as canções e nos empurra para os claros de tudo. Afinal, a vida urge sempre e cada vez mais. [Fabrício Brandão]
Engana-se quem pensa que tudo já foi visto e até mesmo sentido. Mora no olhar de cada um a perspectiva de se desenhar percepções de todos os cantos da existência. De fato, as palavras que saltam por entre sentimentos e seus respectivos signos andam por aí, à cata de quem pretenda se lançar ao desafio de construir outras paisagens. Cabe, portanto, a cada um assumir a sua identidade, mostrar a própria face e assumir para o que veio. Esse tipo de afirmação é a que pode ser encontrada no trabalho da pernambucana Isabela Moraes. Dona de uma voz que assinala personalidade, a cantora e também compositora atira suas expressões aos ouvidos de quem se permita sentir um ambiente musical com uma cara muito bem definida. Bandeira em Marte, seu primeiro disco, traz uma característica fundamental para quem deseja trilhar uma estrada autêntica e pessoal, a de ser um álbum predominantemente autoral, com letras e arranjos delineados pela própria artista. A voz firme e precisa de Isabela atravessa canções que mesclam sentimentos das relações e temas ligados a questionamentos sociais e existenciais. A faixa A cura, por exemplo, é marca bem clara de algumas indagações que projetam a nossa vida como um verdadeiro palco de mistérios. Intensidade é a maior virtude da interpretação de Preta, um dos pontos altos do disco. Bandeira em Marte, gravado ao vivo, além de passear pelas vias essenciais da MPB, prova que a artista sabe visitar com suavidade gêneros como o samba e o frevo. Em seu modo de compor, a cantora deixa nítidas as influências trazidas pela poesia, seja em versos românticos ou nas linhas que traçam uma leitura mais crítica de aspectos de nossa sociedade, como é o caso de Preconceito lingüístico, música cuja letra evoca virtudes e ciladas embutidas nos usos das palavras. Habituada a compor desde os 12 anos de idade, Isabela Moraes não constrói suas bases sem que os apelos intuitivos e sensíveis de seu olhar estejam presentes. Ao que tudo indica, os caminhos prometem ser longos para quem sabe fazer ecoar sua própria expressão. [Fabrício Brandão]
In Alma Do Nordeste, Santos Neto offers a diversified program, one that includes a wide palette of hues consisting of folk-based pieces and musically-transposed personal encounters with the region's “soul” (hence the “Alma” of the album's title), spirit and diverse cultural elements. Like his mentor, the Carioca (or Rio-based) pianist succeeds in transmitting the region's multifarious beauty and appeal. Aided by a slew of capable Brazilian musicians, Santos Neto frames his pieces in a contemporary-sounding, jazz-infused setting with soft fusion overtones that sometimes verge on the festive. Out of the happy bunch, the sweet slurs of harmonicist Gabriel Grossi command attention on the two more pop-ish tracks, “Rede, Sossego e Chamego” and “Biboca,” as do the fretless glissandi of Dudu Lima, whose playing recalls Jaco Pastorius, the late bassist and friend of Pat Metheny. While their compositional styles and artistic aspirations are quite different, many will find in this music a comfortable extension of the Metheny Group's amazingly popular recordings of the 80's and early 90's. One also learns that Santos Neto was greatly influenced by percussionist Airto Moreira. So it comes as no surprise to find a fierce musical leader and master technician in drummer Marcio Bahia—especially his playing on “Amoreira,” with its crazy coda, but also on “Forro Vino,” a driving track with tight, syncopated accents. Exemplifying the old saying that all music is folk music, the opener “Festa na Macuca” recalls the accordion-squeezed, gumbo-drenched Creole shindigs heard in southern Louisiana. Drawing on the homeland's African heritage and, consequently, more ritualistic/spiritual traditions, “Passareio” is a percussive vignette with a pair of flutes wailing above sampled natural sounds, superimposed rhythmic patterns and repetitive drum beating. In sum, it may not be too far-fetched to state that, in the album's peculiar co-sponsorship by Brazil's Ministry of Culture and energy giant Petrobras, as well as by its own artistic factory, Alma Do Nordeste somewhat symbolizes Brazil's sociological dichotomy: enthusiastically looking ahead into the future, yet inhabited by the weight of its history; looking for ways to honor the past, while at the same time, going beyond it. Track listing: Festa na Macuca; Saudade de Sua Gente; Amoreira; Passareio; Sao Pedro na Jangada; Rede, Sossego e Chamego; Fulo Sertaneja; Alma do Nordeste; Biboca; Forro Vino; Borborema; Donkey Xote; Vermeio Agreste Lampiao. Personnel: Jovino Santos Neto: piano, melodica, flute, ambient sounds, fifes; Toninho Ferragutti: accordion (1,2,13); Gabriel Grossi: harmonica (6,9); Carlos Malta: flute (8), fifes (4); Eduardo Neves: soprano sax (3,5), tenor sax (5), flute(13); Marcelo Martins: flute (1,6), soprano sax (7,11,12), tenor sax (10,13); Josemen Honaine: 10-string guitar (6,8,13); Dudu Lima: bass; Marcio Bahia: drums; Tiago de Serrinha: triangle, caxixi, gongue, zabumba, pandeiro, maraca, frame drum, xequere, reco, agogo & effects; Pernambuco: cattle calls (8); Durval Pereira: zabumba, ganza, pandeiro, matracas, quiexada, reco, triangle & effects. [Martin Gladu]
Em entrevista concedida a Martial Solal – e publicada em www.andaluciajazz.com/entrevistas.htm – Marta Valdés comenta a respeito deste excepcional trabalho com Chano Dominguez: - ¿Cómo se gestó el disco con Chano? - Chano recibió de Martirio una cinta con canciones mías que yo interpretaba a voz y guitarra y sintió deseso de hacer un disco con mi música porque encontró en ese material algo que le daba la pauta para poder desarrollar un trabajo jazzístico, sólo que -como dice él- "en clave de español". Quiso que fuera yo quien las cantara porque las llevo en la memoria y no es lo mismo aprendérselas para la grabación que aportar un elemento básico ya asimilado. Yo quise que estuvieran también obras de cuatro grandes autores cubanos, porque mi música forma parte de un contexto, no surgió de la nada. El disco se ensayó en El Puerto de Santa María aprovechando mi presencia en España en dos momentos distintos. Grabamos en el estudio Kyrios en Madrid en abril del 99. Allí viví una de las experiencias más intensas de mi ya larga vida, ahora en busca de un nuevo canal expresivo, arropada por el piano de Chano, el contrabajo de Javier Colina y la batería de Guillermo McGill. - El pianista gaditano afirma haberla adoptado como "madre musical" ¿qué opina?
- Todavía no
entiendo qué he hecho yo para merecer una dicha semejante y no tengo manera
de devolvérsela equitativamente porque él es quien, más bien, me ha enseñado
a caminar perdiendo el miedo poco a poco, por - ¿Cómo seleccionaron el material de entre su abundante producción? - Escogí yo el material entre algunos clásicos míos que no pueden faltar, otras canciones que ponen a prueba el genio del músico a la hora de improvisar o que deseaba escuchar un poco jazzeadas y añadí el tema ¿Hacia dónde? que ya Chano había incluido en su CD IMÁN. - ¿Se ha sentido cómoda entre armonías puramente jazzísticas? - Es que las armonías de mis canciones son puramente jazzísticas y es por eso que él escogió mi obra para un acercamiento al repertorio de canciones que me gustaría recalcar que son, como dice él, de la estirpe de los "standards" americanos; sólo que la poca difusión, en mi caso, no los ha llevado a esa categoría como sí ha sucedido con ¿Cómo fue?, de Ernesto Duarte o Debí llorar, de Piloto y Vera, ambos incluidos en el disco. parceiros da agulha nesta seção |
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