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diálogo entre izacyl guimarães ferreira & claudio willer

Izacyl Guimarães FerreiraNesta seção de Agulha já foi publicada uma entrevista sobre o jornal O Escritor, da UBE, com seu então editor, Erorci Santana. Contudo, o jornal passou a revista, com modificações substanciais. Tornou-se uma publicação mais encorpada e bem mais substanciosa, justificando a entrevista com seu editor, o poeta Izacyl Guimarães Ferreira, também presidente do conselho da UBE. [CW]

CW Desde quanto você conhecia O Escritor? Dê um breve histórico de sua relação com esse periódico.

IGF Conheci o jornal O Escritor ao começar a freqüentar a UBE, em 2001. Era sócio havia anos, mas residia no exterior, tendo voltado em 1999. Antes, vi alguns números na casa de meu amigo Ricardo Ramos. Mas só me “relacionei” com o jornal, de fato, ao participar da Diretoria da UBE, em 2002. Fui convidado a integrar seu Conselho Editorial ao propor-me a escrever uma seção sobre poesia, que me parecia faltar e ser necessária. A idéia foi aceita e passei a assinar, desde o número 99, de julho de 2002, as duas páginas de título Poesia, Poetas, Poemas. Constava de pequenas notas em que eu apresentava um comentário e um poema ou dois: de “grandes” nomes, de autores “para não esquecer”, estrangeiros traduzidos por mim, e gente mais “nova”. Como matéria de fundo, um estudo ou uma entrevista com algum poeta, brasileiro ou hispânico. Outro aspecto de meu envolvimento foi o caderno A Separata, que trouxe para o jornal o que ele não tinha: criação literária. É uma realização de que tenho certo orgulho.

CW O que determinou essa mudança de formato de O Escritor, de jornal para revista?

IGF Basicamente, deixar de ser um veículo noticioso dos e para os sócios da UBE, para ser um veículo aberto ao mundo cultural do país. De certa forma, ampliando o que já vínhamos fazendo desde os últimos números do jornal. A pauta padrão da revista resume sua orientação. Há sempre uma “memória” da UBE (fatos relevantes de seu passado) um dossiê do autor retratado na capa, as seções críticas assinadas por Fábio Lucas e por mim, A Separata, as seções de ensaios e artigos, e, vindo do jornal, também, as resenhas de livros. Estas presenças e a ausência de notas, notícias, cartas, sócios novos etc. (tudo o que é mais perecível e fica para o boletim) marcam, creio, um veículo menos datado. E, ainda, a parceria feita com o Projeto Portinari, que dá qualidade visual à revista, além de trazer para hoje um artista que nos enriquece e não pode ser esquecido, especialmente por seu valor, mas também por sua intensa ligação com a literatura.

CW A mudança não é apenas de formato, evidentemente, mas de conteúdo. Pode explicar em que consiste?

IGF Uma decisão de diversificar e enriquecer a comunicação da UBE, com a reativação do portal e a criação de um boletim noticioso, tipo “house organ”, para que O Escritor pudesse, como revista, ser mais durável fisicamente, e ser mais aberto enquanto veículo literário. Ao sugerir essa transformação fiquei sabendo que anos atrás ela havia sido proposta pelo José Carlos Garbuglio, dado que consta da primeira edição da revista, em novembro de 2005, na seção Memória, lembrado por Possidonio Sampaio.

CW Há um projeto, uma diretriz editorial de O Escritor que poderia ser resumida em algumas linhas?

IGF O projeto decorre do que disse acima: ser um veículo mais aberto do  que era o jornal, no sentido de não restringir-se à entidade UBE mas ser uma revista literária sem limitação cultural alguma, de pensamento ou de ortodoxia estética que restrinja o leque de colaboradores. Como diretriz, disso conseqüente, manter a mais alta qualidade possível, para o que conta com um Conselho Editorial no qual não há traço identificador de ideologia ou filiação estilística e que aprovou na íntegra a orientação proposta pelo editor: ser uma revista essencialmente literária mas que não deixa de lado questões de política cultural do interesse da entidade e dos escritores.

CW Como circula O Escritor?

IGF Por ora, circula pouco. Entre os sócios efetivos, os autores, potenciais patrocinadores. Está em curso um programa de captação de recursos para, com aumento da tiragem, colocar a revista à venda em pontos selecionados, exposta em bibliotecas e escolas da rede estadual.

CW Que retorno tem tido O Escritor em termos de aceitação, diálogo, difusão etc.?

IGF Com apenas dois números editados, já se pode, porém, afirmar que é um sucesso. E-mails, telefonemas, cartas, pedidos de participação dos sócios e de não sócios parecem ser comprovação do acerto do projeto.

CW Só associados da UBE podem participar desse periódico? Qual o critério para escolha ou recepção de colaboradores e colaborações?

IGF A revista é aberta. Embora deva dar mais atenção aos associados, ela abriga e abrigará colaboradores não associados. O critério é, em ambos os casos, o da qualidade. Critério subjetivo, por certo, mas não há outro. E é exercido pelo editor, que quando em dúvida consulta os nove membros do Conselho Editorial. Até esta data, recusamos dois textos e estamos com outros dois em avaliação. O assunto é delicado. Talvez devêssemos ter explicitado que as matérias são solicitadas, mas tal opção foi descartada. Vocês são editores e conhecem bem o problema, embora não tenham as limitações impostas por uma publicação associativa.

CW Encontrou alguma dificuldade ou dificuldades ao assumir a edição da publicação? Qual, ou quais?

IGF Nenhuma importante. De início, cabe lembrar que a idéia ou sonho da revista vinha de muitos anos e outros dirigentes. Mas foi preciso vencer certo conservadorismo de uns quantos que sentiam saudades antecipadas do jornal. Quanto à minha escolha, a presença por três anos no Conselho Editorial do jornal (mais que conselho, éramos mesa de redação) foi dado suficiente para uma indicação natural, sobretudo porque havia sido minha a proposta de fazer-se a revista. E como fui diretor de planejamento e criação de algumas agências de publicidade, o que equivale mutatis mutandis a uma função de editoria, a adaptação foi simples.

CW Como funciona o www, o portal ou sítio da UBE?

IGF O portal, que mantém o nome O jornal da UBE, tal como a revista mantém a numeração de O Escritor, tendo “começado” com o número 111, funciona com a participação da Scortecci Editora que o opera, sob responsabilidade editorial minha e a redação do novo diretor interino Gilbert Zarmati. Abertíssimo, resgata matérias do jornal, divulga vários sites e publicações, estudos, resenhas, notícias, entrevistas. E, sobretudo, as novidades que são as biografias dos sócios e as páginas pessoais deles, sejam por links gratuitas ou compradas para administração pessoal on-line. Completado um ano no ar, vamos alterar um pouco seu visual para facilitar a leitura e a busca de matérias. Vejo o portal www.ube.org.br como peça fundamental (ainda pouco entendida e explorada) da presença da UBE no país. E também no exterior, de onde chegam matérias e opiniões.

CW Seu currículo como escritor não é pequeno. Pode resumi-lo e dizer como sua experiência propriamente literária, como autor, se projeta na orientação editorial de O Escritor?

IGF De fato: já estou na rua há mais de meio século… pois estreei em 1953. Quinze títulos publicados, todos de poesia, meia dúzia de distinções a que concorri empurrado por amigos, uma penca de opiniões emitidas sobre outros poetas, algumas traduções. Eu me apresento como alguém que faz, traduz e comenta poesia. Mas creio que minha experiência de autor não se projeta na orientação editorial de O Escritor. Pelo menos conscientemente. Isso no que se refere a julgar o que recebo. Pode projetar-se no que peço a terceiros. Desde a parceria com o Projeto Portinari, que nos garante capas e ilustrações por anos a fio, aos autores aos quais solicito textos - de criação, ensaio, resenha de livros etc.

CW E sua experiência como administrador cultural, pode resumi-la e dizer se e como se projeta na orientação editorial de O Escritor?

IGF Minha experiência se resume a duas áreas, como você recorda: Ter sido adido cultural e diretor de institutos de cultura do Brasil no exterior, após ter dirigido os setores de planejamento e criação em agências de publicidade e o marketing da área comercial da TV Globo e depois a subsidiária Globo Vídeo, cuja implantação eu sugeri e administrei. Aqui sim, creio que os 15 anos no exterior, somados a uns 25 em posições diretoras em empresas, me deram uma visão gerencial incorporada já a meu modo de trabalhar seja lá no que for. Então, noções de organização de conteúdo, de prazo, gente, distribuição de assuntos, escolha de nomes etc., se projetam na minha função de editor de revista.

CW E com relação a sua experiência como profissional de marketing e comunicação?

IGF Acho que a revista é, em si mesma, fruto de uma visão de marketing. No sentido de que faltava um marketing mais agressivo à UBE e a revista é um instrumento valioso para que ele passe a existir. Pois nos mostra ao “mercado”, isto é, aos autores, aos sócios. E é, portanto, um veículo preciosíssimo de comunicação. Creio que sem o currículo que trazia destas áreas eu não teria me envolvido com o jornal, com a revisão do portal ou a criação da revista nos moldes e na aparência que ela tem - formato, sobriedade, a parceria com o Projeto Portinari. No entanto, quero estar afastado do marketing dela, ou do marketing da UBE como um todo. Por sorte temos quem cuide disso agora. Posso opinar e opino, mas quero me concentrar na execução do que já está implantado.

CW É capaz de antever conseqüências da circulação e recepção de O Escritor (para a UBE, para a vida literária brasileira)?

IGF Ao propor a revista imaginei que seria um salto de qualidade, quer como formato, quer como orientação editorial, quer como marketing da UBE. O Escritor foi jornal por 25 anos. Que a revista possa dobrar essa duração não será sonhar em vão. Vamos dobrar a circulação, e outras atividades da UBE, como os concursos, que já trouxeram dezenas de sócios, mais o portal, acessado centenas de vezes por dia, são pequenas façanhas que somadas parecem garantir a presença da UBE e da revista nas cabeças de quem nos interessa, na estima dos sócios, de autores de nomeada dispostos a colaborar. Acho que a UBE ganhou prestígio com a revista, seja entre os sócios, seja entre leitores e colaboradores eventuais. Eles fazem a vida literária brasileira e acho que a revista já está conquistando seu lugar ao sol nesse restrito mas vivo território.


 

O Escritor

Revista da UBE União Brasileira de Escritores

Editor

Izacyl Guimarães Ferreira

conselho@ube.org.br

 Rua Rego Freitas 454 – 12º andar, conj. 121

São Paulo SP 01220-010 BRASIL

www.ube.org.br

 

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