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revista de cultura #
46 |
discos da agulha
Depois
de 23 anos de carreira como músico, Ataualba Meirelles lança pelo selo Pelourinho
Discos, um disco de música
instrumental bastante original, que mostra algo diferenciado no mercado de
jazz e música instrumental brasileira. O CD levou dois anos sendo gravado
no Virtual Studio em Salvador, conferindo a cada faixa um tratamento
especial, tanto na composição quanto no arranjo. As músicas misturam
ritmos brasileiros e jazz, com música indefinível trazendo um pouco do
serialismo da música contemporânea, para o universo da música
instrumental brasileira, o que torna o CD algo único no mercado. Todas as
músicas são de autoria de Ataualba, que também assina os arranjos. Atuando
profissionalmente como músico desde 1982 (baixista, arranjador e
compositor), Ataualba foi um dos compositores mais originais durante os
anos 80 e 90, dirigindo e arranjando diversos CDs de artistas locais e
nacionais como Margareth Menezes, Gerônimo, Nana Meirelles, Xangai, Fábio
Paes, Edil Pacheco, Batatinha. Recebeu vários prêmios da imprensa como
arranjador e compositor, além de criar trilhas para cinema, Teatro e TV,
inclusive em Luanda (Angola).
O
segundo CD do multi-instrumentista carioca Carlos Malta vem despertando
reações apaixonadas desde sua apresentação no Free Jazz Festival de
97. Carlos Malta, o
virtuoso dos sopros,faz uma releitura contemporanea das bandas de pifano,
viajando pelas raizes nordestinas com uma fluência que entusiasmou músicos
de peso como Alceu Valença. O grupo conta ainda com a flautista Andrea
Ernst-Dias e a percussão de Marcos Suzano, Oscar Bolão e Durval Pereira,
e executa um repertório que tem Luiz Gonzaga, João do Vale, Edu Lobo,
Caetano Veloso e Hermeto Pascoal, além do próprio Malta. Na faixa
"O Canto da Ema", Lenine participa com um vocal inspirado e o
grupo Pedro Luis e a Parede dá o toque de modernidade em Barrigada.
O
nome do CD é Do Bom e do Melhor. A capa, que ostenta um prosaico
caroço de feijão e as cores verde e amarelo, sugere um bocado sobre a
receita brasileira e saborosa guardada na caixinha. Lá dentro tem
Aquarela do Brasil, tem a jobiniana Chovendo na Roseira, tem o clarinete
bem temperado de Paulo Moura. Mexendo as panelas (e o piano, os teclados,
os arranjos...) está o músico Fernando Moura. Do Bom e do Melhor, seu
novo trabalho solo, leva a tradição da música brasileira àquela viagem
sem fronteiras que só a mais nova tecnologia pode proporcionar. [Pedro
Tinoco]
Iso
Fischer estudou piano desde os 11 anos de idade, mas se considera um
autodidata em música, pois desde muito cedo tendeu a eleger seus próprios
caminhos. Compõe
sem parar, milita, conquista espaços para a classe dos músicos. Com seu
grupo “Iso Fischer e amigos”, divide palco com significativos nomes:
Almir Satter, Geraldo Espíndola, Paulo Simões, Guilherme Rondon. Em 1984,
Nana Caymmi grava “Isso e Aquilo”, parceria sua com Guilherme Rondon,
considerada, por júri de notáveis da Revista Playboy, a melhor canção
popular brasileira daquele ano. Comprometido
com a música popular brasileira, inspirado arranjador de vozes, tem uma
participação de ponta no movimento que resulta em uma mudança na
linguagem do canto coral popular brasileiro (seu arranjo para “Trem do
Pantanal”, de Paulo Simões/Geraldo Roca é, ainda hoje, um “hit” do
canto coral). Por
estas e outras, é presença constante na imprensa de Campo Grande.
Fala em canto cênico, em dança e voz em espaços abertos. Da música que
nasce – brasileiramente – do corpo e do movimento. Música, dança
e vida. Em
1999, com 47 anos de vida, cerca de duzentas canções compostas, Iso
Fischer lança seu CD Camera Pop. Seu primeiro disco, apenas uma
pontinha visível desse iceberg musical. Gravado
no estúdio Trilhas Urbanas, entre janeiro e junho deste ano, com um repertório
de treze canções que fluem, com admirável precisão e leveza, entre o
camerístico e o pop, transitando pela melhor música popular brasileira,
este disco é uma celebração ao talento, à diversidade e à
maturidade artística do compositor. Uma verdadeira festa da colheita. Iso
define assim este trabalho: “... um projeto que pretende expor, num
pequeno espaço, a idéia do que possa ter sido um trabalho de composição
de 30 anos. Não é fácil, principalmente se se levar em conta que meu
jeito de compor escolhe várias direções.... O que interessa mesmo, é que
você ouça, curta e absorva essa pluralidade da forma mais harmônica que
puder. Espero que possa se divertir e se encantar...” Encanta-se
quem ouve as canções de Iso. Seguimos nos encantando todos nós, os
participantes desse parto. Vicente
Ribeiro, que fez direção de estúdio e produção musical. Beto Meira, o
produtor executivo. Jubal Sérgio Dohms, com seu encarte “o encontro das
artes”, um belíssimo projeto gráfico, um capítulo à parte nesta
benfazeja história. E
toda a troupe de músicos, parceiros, cantores e amigos de Iso, que
aceitaram, sem pestanejar, o seu convite para essa celebração. Afinal,... ...essa
é a festa, malandro! [Etel
Frota]
Neste
instante em que está lançando Duos
II, a paulistana Luciana Souza acaba de ganhar numa categoria e
participar em outra o prêmio mais cobiçado entre os músicos de jazz no
mundo: foi escolhida como a melhor cantora e ainda teve relevante participação
no album Concert in garden, de sua
colega e amiga Maria Schneider. A importância desse prêmio não deve ser
avaliada pela recompensa financeira nem pelo brilho do troféu, mas por ser
outorgado por um colegiado formado pelos 450 membros da Associação dos
Jornalistas de Jazz dos EUA. Ser
premiada em Nova York, onde mora, não é uma novidade para a paulistana de
38 anos, filha do baiano Walter Santos e da carioca Tereza Sousa. Seu CD The
poems of Elizabeth Bishop and other songs, pelo selo alternativo Sunny
Side, ficou em quinto lugar no ranking
de melhores lançamentos jazz e pop do crítico Ben Ratliff, do New
York Times, em 2000. No ano seguinte, ela voltou a comparecer na
prestigiosa lista com o primeiro desta série, o Brazilian
Duos, no qual interpretou, acompanhada por violonistas de primeiro time,
entre os quais o pai, clássicos da MPB, principalmente da Bossa Nova. E
chegou à final do Grammy por Brazilian
Duos e pelo penúltimo CD, North
& South. Entre os dois Duos,
Luciana deu vazão à paixão à primeira vista que experimentou pelo poeta
chileno Pablo Neruda, de que musicou poemas vertidos para o inglês. Gravado
em São Paulo no Nossoestúdio, de propriedade de seus pais, que hoje
produzem principalmente jingles,
Luciana retomou em seu sexto CD a fórmula do primeiro Duos.
Acompanhada por dois dos quatro violonistas do projeto anterior, Romero
Lubambo e Marco Pereira, ela introduziu outros dois virtuoses do
instrumento, Swami Júnior e Guilherme Monteiro. Com
o timbre, o balanço e a afinação privilegiados com que presenteou o público
que lotou a Sala São Paulo no fim do ano, na companhia da Orquestra Sinfônica
do Estado de São Paulo (regida por Roberto Minczuk) e da Banda Mantiqueira,
num espetáculo inesquecível, ela passeia com intimidade incrível da dolência
de clássicos como Modinha (da
dupla Tom Jobim e Vinicius de Moraes) à brejeirice moleca de Chorinho pra ele (de seu padrinho, o multiinstrumentista alagoano
Hermeto Paschoal). Duos,
o primeiro, já era uma pérola sem jaça. Este segundo vai além, pois ao
extraordinário domínio técnico adquirido na Unicamp, onde lecionou, e
lapidado no Berklee College of Music, e no Conservatório New England (em
Boston), nos quais estudou, e à sensibilidade aperfeiçoada da genética,
ela acrescentou a dura vivência de uma profissional da música nos palcos e
estúdios. Abrindo o CD com Sai dessa (de Nathan Marques e Ana Terra) e o encerrando com Você
(de Walter Santos e Teresa Souza), ela passa por Paulinho da Viola, Nelson
Cavaquinho, Francis Hime, Chico Buarque, Caetano Veloso e por uma canção
dela, entre outros autores, com intimidade, mas sem displicência. Como os
craques da bola, ela trata o tímpano do ouvinte com intimidade, mas sem
displicência, com humildade, mas também com noção da própria grandeza. [José
Nêumanne Pinto]
Integrado
por Carlos Chaves, Marcos Alves, Paulo Aragão e Sérgio Valdeos, músicos
de formação erudita e popular, o Quarteto de Violões Maogani concilia várias
tendências musicais com sonoridade, técnica e sensibilidade. Após se
apresentar em vários espaços cariocas como Rio Jazz Club, Casa de Cultura
Laura Alvim, Sérgio Porto, MIS e Teatro Rival (convidado de Leila
Pinheiro), o grupo sentiu-se maduro para lançar seu primeiro disco. O CD
espelha a forte influência da música brasileira, jazzística e
latino-americana no quarteto, que explora ao máximo as riquezas do violão.
Participam do disco: Guinga (que os descobriu em uma escola de música),
Leila Pinheiro, Zé Nogueira, Jane Duboc e Célia Vaz. O repertório abrange
autores brasileiros consagrados como Garoto, Baden Powell e P.C. Pinheiro,
Edu Lobo e Egberto Gismonti, inclui inéditas de Guinga, Mario Adnet, Marco
Pereira e faixas de Carlos Zaire, Piana e Manzi.
Em
sua estréia em disco (2001), o quarteto Marimbanda já apresentava uma tal
integridade sonora em seus arranjos e composições que punham em dúvida
essa condição de estreante. A rigor, seus integrantes seguiam a trilha de
uma substanciosa formação musical e, ali reunidos, davam provas de uma
afinidade mágica entre si. Dar continuidade a essa magia costuma ser
desafio maior, e agora temos este segundo CD, de sugestivo título – Tente
descobrir – que é ao mesmo tempo descoberta e reencontro. A exemplo
do primeiro, tanto cultivam uma tradição musical quanto lhe imprimem uma
leitura particularíssima que confirma sua vibrante atualidade. Ainda que
prefiram o epíteto de música instrumental brasileira, o que fazem é jazz
do mais intenso, considerando os desdobramentos dessa música. A criação
artística é um processo perene de incorporação de gêneros, técnicas,
estilos etc., onde não cabem reducionismos de espécie alguma, incluindo as
mais sutis manifestações regionalistas e/ou nacionalistas. Em meio a isto
a Marimbanda chama para si uma atenção em especial: o fato de ter em seu
baterista, Luizinho Duarte, o principal compositor. Faz afluir uma tradição
onde se destacam nomes como o estadunidense Max Roach, o finlandês Edward
Vesala e o brasileiro Pascoal Meirelles, músicos onde a versatilidade
criadora extrapola um âmbito apenas rítmico e alcança verdadeira
sofisticação melódica. Composições como Momento difícil, Manhã
e Pra te dizer algo assim, seguramente incluem a Luizinho Duarte
entre seus pares mais talentosos. Apesar dessa destacada peculiaridade da
Marimbanda, não se trata de grupo centrado em seu baterista, mas antes de
um afortunado quarteto em que dialogam com intensa musicalidade seus
integrantes. O flautista Heriberto Porto tem uma trajetória fascinante,
pela ponte que traça entre música erudita e popular, com acento na
improvisação – em face de seus estudos na Bélgica que resultaram na
gravação de dois Cd’s neste país. Pianista e acordeonista, Ítalo
Almeida é também compositor e neste Tente descobrir comparece com
três peças importantes, Babi, Panorâmica e Frevo
agoniado. E coube a Miquéias dos Santos a delicada tarefa de substituir
o baixista Jr. Primata na formação original do quarteto, aspecto que
possui de delicado apenas essa inevitável observação, uma vez que também
ele é um músico extraordinário e – o mais importante – completamente
afinado com o ambicioso projeto da Marimbanda. São todos músicos que atuam
em áreas distintas e complementares, mas cujo encontro revela um acento
especial que não se trata, como disse a crítica – entre entusiástica e
irresponsável - quando da aparição do CD de estréia do grupo, de algo
impressionante na música instrumental brasileira. Evidente que atravessamos
um período conturbado onde a técnica não está a serviço da
originalidade, mas antes de uma pasteurização de conceitos e estilos,
ocasião em que afloram de maneira bastante sedutora os jargões
nacionalistas nos moldes de uma macumba para turista. Muito da música
instrumental que se faz no Brasil está valiosamente fora desse circuito
levianamente atrativo, e poderíamos aqui fazer referência a músicos como
Paulo Gusmão, Humberto Araújo e Henrique Cazes. Desnecessário seria
remeter a uma tradição que conta com gente como Egberto Gismonti, Hermeto
Pascoal e Paulo Moura. Contudo, é de tamanho interesse a manutenção da
ignorância que a todo instante um crítico tem que gesticular
didaticamente. Marimbanda inclui-se já em um universo bastante sólido e
lamentavelmente pouco difundido entre nós. Este Tente descobrir é
quando menos sinal de uma tal integridade sonora que nos incita mesmo a
tentar descobrir o que se passa conosco, ou seja, por que essa música nos
toca tanto e ao mesmo tempo não a compreendemos como parte ativa de nossa
vida. Reconhecê-la como nossa não seria dar seqüência a nacionalismos
tacanhos, mas antes se decidir a fazer parte do mundo. Marimbanda faz parte
do mundo. Cabe a nós tentar descobrir como entrar nesse mundo. [Floriano
Martins]
Mário
Checchetto no saxofone e Alexandre Zamith ao piano interpretam um repertório
formado prioritariamente por composições próprias, que se harmonizam com
a proposta musical do duo: conciliar algumas características idiomáticas
da música popular brasileira com a improvisação jazzística e explorar
possibilidades oferecidas pela música erudita contemporânea. Os dois intérpretes
combinam sólidas formações teóricas, com passagem pelo erudito, com uma
grande vivência musical, para exibir um trabalho elaborado e maduro.As exceções
ao repertório autoral são as composições Maracatu de Egberto
Gismonti e Retrato em Branco e Preto de Tom Jobim e Chico Buarque. 9.
PUTUMAYO WORLD MUSIC Eleita
pela revista Downbeat como o selo número 1 do gênero, a Putumayo
World Music sabe como ninguém fazer da música o maior veículo de integração
cultural do mundo. Combinando o tradicional ao contemporâneo e acolhendo a
diversidade musical dos diferentes cantos do globo, a Putumayo inova e faz
jus ao termo World Music, oferecendo a você a genuína música do mundo. Não
há fronteiras que resistam às melodias e à variedade de ritmos da
Putumayo World Music. Do blues norte-americano até os sons exóticos do
Oriente Médio e da África, passando por toda a riqueza da música latina e
pelos diferentes povos da Europa, a Putumayo World Music é a estrada certa
para quem quer participar de uma jornada sobre os trilhos da música do
mundo. Apresentamos a seguir três discos do selo:
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enviados aos editores, nos endereços a seguir: |
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