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revista de cultura # 18/19 - fortaleza, são paulo - nov/dez de 2001 |
Editorial
Em edição dupla, substanciosa, esperamos, no conteúdo dos textos e na contribuição visual, Agulha encerra este 2001, munida de um novo endereço, www.revista.agulha.nom.br. Chega a seus leitores em um momento importante da cultura brasileira, marcado por um debate sobre a retirada da Literatura do currículo oficial do ensino médio deste país.Conforme bem mostrou E. R. Curtius, em Literatura Européia e Idade Média Latina, a associação entre ensino e Literatura, entendida como fonte de saber, vem desde a Grécia Antiga, sendo, portanto, constitutiva da nossa civilização. Isso basta para mostrar as dimensões do retrocesso histórico que havia sido promovido pelas autoridades educacionais brasileiras. Quanto a nós, em outras ocasiões já havíamos observado que o tema da valorização da literatura é, também, uma questão política, da qual a sociedade deveria ser sensibilizada, e em favor da qual teria que mobilizar-se. Fala-se, com razão, da importância da educação, de se integrar a população à sociedade culta, como pré-condição para o desenvolvimento social. Promover o conhecimento da literatura faria, rapidamente, subir o nível educacional. A quantidade e qualidade do investimento público nesse campo, do livro e da literatura, poderiam vir a definir o futuro de um país; de algum país; de vários países; mas, certamente, não do Brasil, nesse contexto. Agulha sempre se moveu a contrapelo, trazendo assuntos excluídos ou insuficientemente examinados pelas mediações instituídas, ensino, crítica e jornalismo. Pois bem: na verdade, toda a literatura, toda a veiculação de um saber nesse campo, do mais canônico ao mais subterrâneo, nadam contra a correnteza.A propósito de circunstâncias que levaram à mudança de sigla eletrônica, esta significa, é claro, autonomia, impossibilidade de interferência dessas empresas que cedem espaço e conexões para páginas e sites de qualquer natureza. O anúncio de uma atividade como a nossa está sujeito a eventualidades. Todos dependemos de publicidade. Quem quer que monte uma oficina de fundo de quintal terá que recorrer ao de qualquer ordem, seja a volante em sinal de trânsito ou a emissão da mesma por via eletrônica. Em momento algum reclamamos da quantidade absurda de publicidade que recebemos de revistas pornô, campanhas em favor da paz aqui ou acolá, pró ou contra, das vendas de adesivos e demais estranhezas ao universo em que trafegamos. Não estamos vendendo nada, nem tentando converter a quem seja. Lidamos com um meio que ainda não possui definições claras acerca de como tratar a ambígua situação do fazer/anunciar. Ao mesmo tempo, é muito mais fácil para as pessoas reclamarem do abuso de mensagens virtuais do que exercitarem a cidadania em outras instâncias. Não é aceitável a reclamação de alguém que recebe um anúncio nosso, mesmo considerando que receba, juntamente com o nosso, anúncios de empórios, sex shops, campanhas de toda espécie, etc, pois, insistimos, não somos comerciantes. A seção de cartas da Agulha e o acervo de comentários do Jornal de Poesia certamente comprovarão a validade de nossa ação cultural. Anúncios como os nossos abrem as portas para acervos de informação, bancos de dados que permitem a pesquisa de estudantes de letras, em todo o continente, no que diz respeito a literaturas de língua espanhola, portuguesa e de outras nacionalidades; portanto um componente a mais de ajuda à difusão do conhecimento, em um esforço inteiramente alheio a expectativas financeiras, pois não comercializamos nada. Como foi dito, recentemente, em uma entrevista à revista Cambio, mexicana, fazemos mais pela aproximação das culturas dos países hispano-americanos do que governos desses mesmos países; mormente se confrontados com episódios como esse, o mais recente, da presença brasileira como país-tema na Feira do Livro de Guadalajara, meramente protocolar, burocrática, limitando-se a mostrar os personagens chavões de sempre. Por isso, recebemos inúmeras provas de reconhecimento. Haverá, sempre, rejeições. Cabe a cada um escolher seu lado. Não acreditamos que a sensibilidade e a inteligência venham a perder essa aposta. Os editores |
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Sumário 1 a carta de maria de povos a gregório de mattos. adriano
espínola artista convidado ludwig
zeller (ensaio: el silencio de ludwig zeller. a. f. mortiz) |
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