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A lógica da Agulha
Agulha é um veículo eletrônico não-sectário, supra ou apartidário (embora sempre disposto a defender valores da democracia, especialmente a liberdade de expressão, e a manifestar simpatia pelo anarquismo). Do mesmo modo, não faz parte de nenhuma confraria, nenhum reduto de defensores desse ou daquele paradigma, dessa ou daquela corrente ou tendência, em literatura ou fora dela. Conforme assinalado na entrevista para a revista Palavrarte (RJ), também disponível neste portal, aqui já saíram matérias que podem ser associadas ao surrealismo, através da presença de artistas, temas e colaboradores diretamente ligados ao movimento ou que a ele podem ser aproximados (Víctor Chab, Juan Calzadilla, Antonin Artaud, Max Ernst, Marcel Duchamp, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny e os demais surrealistas portugueses, Francisco Madariaga, Sérgio Lima, Fernando Freitas Fuão, Marosa di Giorgio, Octavio Paz, Leonel Góngora, Campos de Carvalho, Xavier Villaurrutia, Eduardo Eloy, Georges Bataille, Roberto Piva, Cláudio Willer, Floriano Martins). Mas isso, nem tanto por seus editores e colaboradores haverem programado voltar-se para essa corrente do pensamento, mas por uma questão de honestidade intelectual. Há temas que se impõe exatamente por sua ausência ou presença insuficiente, por serem menos examinados do que deviam na mídia e não serem curriculares, leitura obrigatória em vestibulares e graduações, ingredientes do receituário acadêmico e/ou jornalístico. Por razões correlatas, penetramos, por diferentes vias de acesso, nas trilhas do oculto, mágico, mítico, gnóstico. Diante disso, é preciso deixar claro que o conjunto de editores e colaboradores de Agulha não se constitui em círculo de bruxos, não troca entre si outros signos a não ser aqueles da escrita literária e das artes visuais, e não se comunica por telepatia ou projeção, bastando a Internet para satisfazer suas demandas. Ninguém, aqui, se transfigura (até onde se sabe) após a meia-noite, nem freqüenta centros secretos de prática da magia (ou talvez alguns o façam, mas ninguém tem nada a ver com isso). E a quantidade, nesses doze exemplares, de textos tratando das conexões entre literatura, filosofia e artes, de um lado, e os domínios do mágico, herético e oculto, de outro, pode ser entendida como metáfora. É a procura de uma revelação, no campo da literatura, artes e pensamento, daquilo do que foi posto à margem pela doxa positivista, para a qual não apresenta interesse especial o que não se encaixa em seu quadro de referência, incluindo fatos como Baudelaire haver sido parceiro de Elifas Levi, os simbolistas e assim-chamados "decadentistas" haverem freqüentado a Papus, Guaita e os salões do Sar Péladan, e, para entrar diretamente no modo como alguns autores estão sendo examinados nesta e em edições anteriores de Agulha, Camões ser um representante da Gnose, Jarry e Artaud serem seus continuadores, ou Robert Graves e Marcel Schwob terem sido iniciados e estudiosos sistemáticos de filosofia oculta. Caberia ainda referência aos ensaios de Contador Borges e Víctor Sosa, respectivamente sobre Georges Bataille e José Ángel Valente, sobretudo este último por absolutamente desconhecido dos leitores brasileiros, tendo sido autor de uma obra profundamente marcada por ensinamentos cabalísticos. Outros textos aproximativos abordariam aspectos ligados à alquimia (Foed Castro Chamma) e à entrega total a uma linguagem mágica (Keith Jarrett). E o porto-riquenho José Luis Vega aborda as relações possíveis entre ocultismo e poesia hispano-americana, o que fatalmente sugere uma releitura do que ocasionalmente se tem escrito acerca do Simbolismo no Brasil. Seria um paradoxo nós, ao lado da retomada do que se apresenta como tradição, também nos manifestarmos, em editoriais anteriores, e em matérias no corpo desta publicação, em favor das novas tecnologias da comunicação? Não, de modo algum. Literatura e artes não obedecem à mesma lógica dos lançamentos da moda do vestuário, dos modelos de automóveis, e, diga-se de passagem, dos aplicativos e equipamentos de informática. Pelos mesmos motivos, atualização do conhecimento não é ostentar esse ou aquele paradigma cuja gestação foi mais recente, apresentando-o como realização definitiva em favor da decodificação de qualquer modalidade . Novo é o que foge à lógica tão evidente, tão estruturada e estruturante, dos centros de irradiação do conhecimento instituído. Recuamos às vezes no tempo, não para enquadrar o presente, como o fazem os integristas e outros tradicionalistas; mas para enriquecê-lo. Nesse sentido, continuaremos, certamente, a inovar. Os editores
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1a
sarcástica gargalhada do poeta alemão durs
grünbein. viviane de santana paulo
artista convidado hélio
rola (entrevista) floriano martins
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