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revista de cultura # 11
 

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fortaleza, são paulo - abril de 2001
 

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Dashiell Hammett e os mistérios da criação literária: um depoimento e um poema

Claudio Willer

ag11hammett1.JPG (20468 bytes)É lícito, tem cabimento comentar a coletânea de contos de Dashiell Hammett, Tiros na Noite, agora lançada pela Editora Record, na primeira pessoa, em tom autobiográfico? 

Ao menos, permitirá que fale de modalidades da leitura e da conexão entre criação literária e vida.

E meu depoimento mostrará que sou inocente! Que me aproximei da obra de Hammett, a ponto de acabar por lê-la toda e escrever um poema em sua homenagem, de modo involuntário. Que não cheguei lá por causa do mito, da projeção na mídia, de Humphrey Bogart no filme de John Huston, das biografias, de Lilian Hellmann, do registro da luta heróica contra o macarthismo. Tudo isso, para mim, veio depois.

No início dos anos 70, tinha à disposição um acervo ilimitado, em edições alemãs, de histórias de crime, detetives e policiais. Não era adepto do gênero. Passei a lê-las com um propósito: melhorar meu alemão. Os pequenos volumes das séries Krimiromanen, Rote Krimi etc., prestavam-se a isso pelo seguinte: alemão erudito é uma coisa, coloquial é outra - daí haver gente que aprende informalmente, falando, e comete erros, enquanto outros estudam a língua pelo caminho formal, mas não adquirem fluência. E aquelas narrativas, traduzidas, a maioria, do inglês, situavam-se a meio caminho entre um repertório e outro, o hochdeutsch, a norma culta, e o vulgar, quase plattdeutsch, possibilitando acesso a ambos.

Por isso, fui em frente. Encarei pilhas de relatos, a maioria de reduzido interesse. Os enredos de investigador inteligente, protagonizados por Nero Wolfe, Poirot etc., capazes de deduzir soluções de crimes, não me atraíam. Nem as histórias com um viés policial, como as de Ed McBain. Erle Stanley Gardner me deixou frio. Edgar Wallace, achei pré-histórico. Reconheci qualidades no arqui-violento James Hadley Chase, capaz de mostrar como eram as coisas pelo lado da bandidagem, especialmente em seu melhor livro, No Orchids for Ms. Blandish (em alemão Ein Grab voll roter Orchideen, um túmulo cheio de orquídeas vermelhas). Impressionou-me um autor chamado Richard Stark, de quem nunca mais vi nada, com sua história, na primeira pessoa, de um criminoso da pesada que empreende uma vingança e acaba arrebentado em uma cama de hospital, jurando que sairia dali para pegar quem o havia traído. E só. Do restante, retinha vocabulário, mais que enredos e construção da narrativa.

Isso, até chegar a vez de Hammett, na edição alemã dos contos de The Continental Op, O Detetive da Continental. OK, confesso que o prefácio de Lilian Hellmann, traçando o perfil de Hammett, despertou minha atenção para o que viria a seguir. Mas aqueles enredos onde predominava a ambivalência, sua linguagem precisa, direta, o estilo inigualável de quem escreve movido por um sentimento de urgência, achando que ia morrer de tuberculose, com pressa de dar seu recado, querendo contar o que havia visto enquanto trabalhava como detetive da agência Pinkerton, retratar a visão de mundo constituída por essa experiência sem perder tempo com literatices, enfeites e exibições de inteligência - tudo isso me mostrou, imediatamente, que estava diante de outra coisa, de algo com nível e propósitos distintos do que havia lido até então. 

Com redobrado interesse, peguei, na seqüência, O Falcão Maltês. Daí em diante, não interessava mais tornar-me o homem que sabia alemão, através do método cômodo que havia inventado. Fui atrás das edições brasileiras e americanas. Li tudo: as narrativas longas, Estranha Maldição (The Dain Curse), A Chave de Vidro (The Glass Key), Ceia dos Acusados (The Thin Man), as coletâneas de contos, as publicações póstumas explorando seus fundos de gaveta, mais duas biografias, uma delas piegas, de Diane Johnson, outra não mais que correta, de Richard Layman. Ainda li Raymond Chandler, o autoproclamado seguidor, com sua obra desigual, embora pelo menos com um grande livro, O Longo Adeus; e mais a biografia de Chandler por Frank MacShane. Aventurei-me por autores mais modernos, como Ross MacDonald - mas esses já não me provocaram a mesma impressão, achei-os narradores competentes e não mais que isso. Quanto a Elmore Leonard, principal best-seller do gênero nas últimas décadas, o preferido de Hollywood (sua adaptação mais importante é Jackie Brown, de Tarantino), gostei do tratamento burlesco de personagens, da vivacidade e atualidade - porém, de novo, nada que impelisse a ir atrás do restante da obra.

Assim, foi a obra de Hammett que me pegou e proporcionou uma dessas experiências de revelação literária, leituras que são descobertas, análoga à que havia tido com poetas ou com prosadores qualificados em um repertório mais refinado. O paroxismo da descoberta foi quando, certa noite, abri uma edição dos seus contos do início dos anos 20, do Continental Op e da revista Black Mask, intitulada A Ferradura Dourada, com o excelente estudo introdutório de Steven Marcus, editado pela Civilização Brasileira (Hammett é um fantasma editorial, com as mesmas obras reencarnando no Brasil, sucessivamente, nos anos 30 através da Globo, nos anos 60 e 70 pela Civilização, logo em seguida pela Francisco Alves e Companhia das Letras, e agora na Record). Empreendi uma daquelas leituras de uma enfiada só, começando por volta das 8 para, alta madrugada, apagar simultaneamente o abajur e a consciência ao virar a última página. Despertei com o poema na cabeça, e fui escrevendo enquanto tomava café. Mais tarde acrescentei algo, conferi citações - mas Homenagem a Dashiell Hammett, que a seguir transcrevo, publicado em 1981 em Jardins da Provocação, e que depois andou freqüentando antologias, inclusive, talvez como alusão às tentativas de aprender alemão na origem dessas leituras, Modernismo Brasileiro und die Brasilianische Lyrik der Gegenwart de Curt Meyer-Clason, esse poema saiu de modo espontâneo, direto, embora possa parecer construído, montado peça por peça.

E daí? A propósito de que esse culto, essa apoteose em torno de Hammett? Por várias razões, é claro. Uma delas, que a literatura norte-americana em prosa do século XX tem seus fundamentos em um punhado de narradores de grosso calibre, bem distintos uns dos outros, a maioria deles também grandes personagens biográficos, começando por Jack London e incluindo Hemingway, Fitzgerald, o próprio Hammett, Henry Miller, Malcolm Lowry, Paul Bowles, Jack Kerouac, William Burroughs. Aventureiros na escrita e na vida pessoal. Personagens de si mesmos, com alguma particular comunicação entre o que viveram e escreveram. Sua força vem daí, da autenticidade decorrente de, sendo cultos, nem por isso serem literatos de gabinete, acadêmicos, scholars, formalistas, burocratas da escrita.

Em Hammett, a conexão entre literatura e vida é radical e se processa de modo especialíssimo. Sustentei isso em outras ocasiões, e insisto: o melhor dele são os contos da fase inicial. Com o tempo, ganhou em fôlego e ambição, mas Estranha Maldição (The Dain Curse) é reciclagem de contos, emendados um ao outro. Sua última narrativa, A Ceia dos Acusados (The Thin Man) é, notoriamente, a mais fraca. Mesmo na obra-prima, O Falcão Maltês, há reaproveitamento de contos e inconsistências. Seu livro mais bem-acabado é aquele mais próximo do romance social, A Chave de Vidro. Encerrado o período produtivo de 12 anos, não fez mais nada. Tentou, buscou outros caminhos, saindo da esfera das histórias de detetive, mas não conseguiu nem mesmo expandir lampejos de narrativa psicológica, a exemplo do belo conto Medo de Tiro, que está nesta coletânea, Tiros na Noite, sobre o covarde moribundo que, depois de seu único ato de coragem, quer refazer a vida para ir atrás de todos os que o haviam humilhado. 

ag11hammett3.JPG (27047 bytes)Que mistério é esse? Como é possível alguém, à medida que se consolida como escritor, que se insere em uma cultura literária (por mais que a desprezasse - contam que, ao saber dos elogios de André Gide, exclamou: Tell that fag to take his hands out of my books! - Mandem essa bicha tirar suas mãos dos meus livros!) e ganha em consciência do que faz, ir perdendo a capacidade de criação? Colocar a culpa no alcoolismo é insatisfatório: basta pensar em Malcolm Lowry, no modo como projetou seu porre no indispensável Under the Volcano, Sob o Vulcão. Ou em Raymond Chandler, que freqüentemente tinha que tratar-se e, mesmo assim, cresceu como narrador ao longo da sua vida, além de oferecer um interessantíssimo contraste biográfico com Hammett, pois o autor de Lady in the Lake, A Dama no Lago, começou como poeta e estudioso de literatura, para depois, aos 40 anos, inserir-se em Black Mask e adotar os relatos de detetive. Percorreram, ambos, Hammett e Chandler, trilhas biográficas opostas.

Quando começou a publicar em revistas, Hammett havia parado de trabalhar como detetive por causa da tuberculose. Escrever era o que lhe restava a fazer. Alguns dizem que escrevem para não morrer: ele escrevia porque iria morrer. Sua escrita inicial é aquela de um revoltado, e também de um cínico, de alguém que não está mais aí, cuja vida perdeu sentido. Sem jamais ser panfletário, quis mostrar, com base no que havia visto e feito para a agência Pinkerton (por exemplo, atuar como fura-greves e presenciar, quieto, a morte encomendada de um líder sindical, conforme bem observado na introdução de Tiros na Noite), que a sociedade era fundada em uma farsa, onde negócios, política e crime se confundiam. Narrativas de investigação, até então, eram constituídas por um dualismo, a polaridade entre investigadores e investigados, bem e mal. Hammett confundiu esses pólos. Para ele, eram parte de um todo, o fluxo caótico que vinha a ser o mundo. Soube retratar o microcosmo, o dia-a-dia do caos. As vívidas descrições de pancadarias em alguns dos contos de Tiros na Noite são metáforas do salve-se quem puder geral.

Metáforas: aqui entramos na questão do Hammett filósofo, do modo como traduz sua visão de mundo. E em suas digressões, interpolações, narrativas embutidas em outra narrativa (mise en abîme, poderíamos dizer, se isso não o ofendesse tanto). A mais significativa, conforme bem observado por Steven Marcus, a história, inserida em O Falcão Maltês, do homem que levantou a tampa da vida, que, depois de escapar por pouco de um cofre lhe cair sobre a cabeça, mudou de vida e de família, para, ao final, em outro lugar, com outra família, continuar levando a mesma vida, fazendo a mesma coisa que antes da experiência de revelação causada pela iminência de morrer. O próprio O Falcão Maltês é uma grande metáfora, onde todos os protagonistas fingem um para o outro e se destroem, na caça a um tesouro dentro de uma estatueta que, na verdade, era vazia, não tinha nada dentro. 

O mesmo vale para outras digressões importantes, como a história de náufragos canibais em A Ceia dos Acusados. Já nos contos de Tiros na Noite esse procedimento é utilizado, quando um dos personagens, por sua vez, passa a narrar uma história, a serviço da argumentação pessimista e niilista de que a vida é regida pelo sem-sentido, e tudo fatalmente volta a ser o que era, nada é aquilo que parece ser, tudo é outra coisa.

Na década de 80 publiquei algo sobre Hammett, inclusive um ensaio absurdamente longo, umas 20 laudas, no Folhetim da Folha de São Paulo. Escreveria mais. Muito do que disse, captado intuitivamente, talvez apoiado em citações, trechos do livro que tinha ao lado pegos ao acaso, já estava no poema escrito antes, e que aí vai:

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Homenagem a Dashiell Hammett

1
          uma geração pulou no abismo
               mas você foi mais adiante
                    ou saltou mais fundo
                         levantou a tampa da vida
                              para ver o que havia por baixo
                                   para ver que não havia nada embaixo

2
parar
          reescrever
                    começar tudo de novo
                              passar a limpo mais uma vez
                                                       a selva das cidades
                         por trás de cada crime
                                                       uma teoria do conhecimento
                         por trás de cada janela
                              um olho rasgado

3
          percorro novamente as ruas do desespero
          e tudo é sombrio e úmido
          lembro-me de Sam Spade, Nick Charles, 
          o detetive da Continental (meu personagem predileto, de
          meia-idade, triste, comum, vestia uma capa de chuva
          comia sanduíches frios antes da perseguição 
          e sempre estava chovendo, garoando ou nevando)
                              eles sabiam de tudo
                    testemunhas solitárias e discretas
                              de histórias verdadeiras

4
                    é preciso parar de ter medo das palavras
                 porque às vezes é necessário penetrar no inferno
                    ver a mão do último esquartejador
                              envolta nas cortinas
          carros alucinados beijando-se ao entardecer
e os assassinos - o que dizer deles
                              prestidigitadores seguros
                                        imersos nos confins do acaso
agora absortos
                              diante de uma humanidade atônita
          arrancados a seu balé sobre tapetes de pupilas assustadas
                    a seu devaneio entre trapézios de vísceras
     visões frenéticas
          empilhadas pelos cantos da saleta art-decô
          em saguões de gravuras campestres
          em quartos de hotéis de beiras de cais

5
                              funis do sonho
                              ogivas do delírio
                              paralelas da memória
                              simplicidade da lâmina
como contar tudo
          prefiro os contos
                    as histórias curtas e precisas
          que atravessam os poros do cristal
                    e as máquinas
                              as máquinas são muito importantes:
                                        precisão dos magnetos
                                        lucidez das válvulas
                                        rapidez dos fios
                                        inquietude das tesouras

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6
você ofereceu mais uma vez ao mundo
a luminosa flor híbrida do crime
súbita e tentadora em seu desabrochar itinerante
e que todos terão que comer de agora em diante
e sentir que a tentação do mergulho existe

7
                              a velha tinha um revólver
                              o velho também
                              e o que importa
                    cada vez mais
                                        os corpos se retorcem de dor
                              rasgados pelo estilete
                                        chuva de sangue atrás da realidade
                              e paisagem de manchas na parede
                    você começou como detetive particular 
                    continuou como detetive da mente
                    conviveu 45 anos com o abismo
                    para viver intensamente
Seara Vermelha Falcão Maltês Moça dos Olhos de Prata Chave de Vidro Ferradura Dourada Ceia dos Acusados A Décima Pista Estranha Maldição
                    poemas do nosso tempo
                    desfilando em números sucessivos da revista Black Mask
                    rasga os véus
                    o oculto
                    o não-sabido
                    a causa de tudo
                    uma lógica incansável
                    puro rigor da mente
                    palavras retorcendo-se de objetividade
                    revelam
                    mostram
                    apontam
                    tudo muito claro
                                        seco
                                        direto
                              HORROR TOTAL
ora
          então vocês não sabiam
                                                            não vale gritar
                              esperavam outra coisa

8
a senha era dedo amarrado com esparadrapo e toque no chapéu telegramas em código os olhos e a língua mostraram que estava fora de combate os quatro degolados pela faca de trinchar o chinês foi à forca a moça fez o que eu teria feito no lugar dela não tinha sido ele que emitira o cheque uma pequena veia trêmula apareceu no pescoço branco mobília e pedaços de mobília por toda parte as pessoas não morrem fazem-se matar 
                                                            a troco de nada

9
e se não fosse o velho mas a cunhada também não faria diferença alguma
                    o crime por trás do crime era outro
                    o crime por trás do crime era pior que o crime
                    por trás de cada crime outro crime
          não era o que estavam pensando
                              mas era tão óbvio...
o cenário do nosso tempo
                    você vislumbrou o núcleo sangrento da História 
          e mais coisas ainda
                                                                      à sombra da porta
                    mas ainda não é o espetáculo final
                    você não contou
                    só insinuou
                    San Francisco 1923 / São Paulo 1976
                              a lei seca continua
                                        e o deserto cresce
           cada qual defende-se como pode
                                        com as armas que tem
                    sarabanda de cérebros estraçalhados
                                                  minueto
                                                            antes do festim para valer

10
          o morto fingia-se de assassino
                    para ganhar mais dinheiro
                              o empregado pensou haver matado
                                        mas a identidade era outra
                                                  o brilhante não existia
                                                            a estátua era falsa
foi ele
                              não, não foi
                                                                      não foi ele
                    quem será
                                        ah, como tudo isso é esclarecedor

11
                    selva de olhares atônitos
                    a mesma história de todas as histórias
                    em cada esquina um ventre aberto
                    e as cidades, o que dizer delas
                    como lançar os dados
                    a verdade transmitida por canos de revólver
                    um olhar hesitante
                    um grito de medo
                    a mão indecisa
                    fingindo amar
ninguém era
                                                            todos são
                              são todos assassinos

12
                                                  como você sabia
                                                            de tudo isso
                                        e que depois
                                                            tudo se tornaria
                              pálido, frio, cinzento e amorfo
                     e aqueles criminosos ainda eram um último espasmo
de vida
               Samuel Dashiell Hammett
                                                  1894 / 1961
                                                            escritor de contos policiais
levou apenas 12 anos para escrever o que tinha que escrever
                              marxista convicto
                                        militante do PC americano
                    processado, perseguido e preso pelo macarthismo
                              porque não quis dedar ninguém
                                        nem entregar os amigos
          detetive quando jovem
                                                  aventureiro a vida toda
          morto de tuberculose e enfizemas
          contraídos em duas guerras mundiais e na prisão morto
          por excesso de álcool e de contradições


Claudio Willer (1940) é tradutor de Allen Ginsberg, Antonin Artaud e Lautréamont. Publicou Volta (1996). Tiros na Noite, de Dashiell Hammett, edição especial em homenagem aos 40 anos da morte do autor, Editora record, série Clássicos Noir, traduções de Heloísa Seixas, Roberto Muggiati, Rubem Mauro Machado e outros, 500 pgs, R$ 50,00. O poema Homenagem a Dashiell Hammett, foi originalmente publicado em Jardins da Provocação (1981). Página ilustrada com desenhos de Roberto Rébora. Contatos com o autor: cjwiller@uol.com.br

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