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Até que ponto informação e lazer se confundem, embaralhando valores entre si? A preocupação vem do fato de que a informática não teria cumprido uma de suas premissas: a de concentrar melhor o tempo destinado ao trabalho, ampliando assim as condições de acesso a lazer. Em primeiro lugar, em uma escala institucional a informática é ainda algo incipiente, se pensarmos no caso brasileiro, que nos servirá de exemplo no decorrer deste editorial. Pesquisas em sites de busca tendem a ser frustrantes quando se trata de assuntos ligados a política, economia e cultura, ou seja, quando buscamos informações acerca de temas brasileiros, informações que tenham sido disponibilizadas por instituições brasileiras. O lazer invade então, neste caso específico, o espaço da informação, e um lazer de baixa referência, pautado sobretudo por sites-empórios de auto-ajuda, correntes de felicidade, anúncios de pseudo-santidade, protestos anti-globalização, campanhas inócuas etc. Aqui mesmo, na editoria de Agulha, somos visitados por ofertas inúmeras do comércio das almas esvaídas, ao passo que nada nos chega das raras instituições públicas brasileiras ligadas à cultura, ainda que sejam seus endereços, e não os demais referidos, a constarem de nosso mailing. Como então separar lazer e informação em um país que confunde cultura com evento e tem rebaixado a índices alarmantes as ofertas de informação em torno daqueles temas essenciais à constituição de uma sociedade, sobretudo quando se costuma dar ênfase ao estado democrático em que supostamente vivemos? Temos insistido na tecla: como conciliar democracia com voto obrigatório e a promíscua proliferação de emendas à constituição? Recentemente uma rebelião em diversos presídios brasileiros surpreendeu pela congeminação de esforços e a simultaneidade de informações trocadas entre os presos. Os chamados criminosos comuns, a escória do país, como a eles se referem duas outras instâncias aproximadas, a imprensa e a classe política, se mostraram mais integrados entre si do que nossos artistas, por exemplo, que costumam considerar-se marginalizados. Aqui se embaralham conceitos, valores, graus de consciência e entram em campo os diversos componentes da manipulação desses mesmos itens. Qual desempenho poderia ter a informática em um país onde a concentração de rendas permite uma vida melhor ao contraventor de qualquer regra social? Celulares entram e saem com facilidade nos presídios enquanto que os filhos da classe média rasuram páginas de livros adotados que são verdadeiros implantes de erradicação da leitura, sem falar nos filhos da grande miséria com sua dieta de balas de escopeta. Dizer que vivemos em um estado retaliador onde apenas 2% da população tem acesso à informação é já um lugar-comum, de nada adiantando manter informado esse percentual, uma vez que possui uma consciência evasiva, beirando o autismo, viciado no dogma do se não é comigo, não existe. O ponto é saber até quando suportarão o desequilíbrio os 98% da outra margem. Diante de tudo isto, perde um pouco o sentido falar em distinções entre lazer e informação? O leitor nos dirá. O importante é saber que não servirá de nada o resmungo sem que ao mesmo corresponda uma ação no sentido reversivo do objeto da reclamação. Uma revista de cultura cumpre seu papel ao apresentar ao eventual leitor um leque de componentes culturais que sugiram, quando menos, novas perspectivas de leitura. Este mínimo aporte é também o que se espera das instituições brasileiras ligadas à cultura. Temos que entender que o problema da distribuição de rendas está interligado ao da distribuição de informação. O leitor contribui com suas cartas, a difusão entre amigos, sobretudo com a conversa estabelecida entre os seus, ou seja, o mínimo espaço sendo preenchido até ganhar mais corpo e aderência. Governos não caem simplesmente. Ao sabor dos ventos só se pode chegar a um lugar impreciso. Os editores
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1
a arte poética de alejandro
puga que se expõe na escrita e na collage.
sérgio lima.
2 a tríade campo, rio e lago de ingeborg bachmann. viviane de santa paulo. 3abstracionismos: em torno da poética de antonio bandeira (1922-1967). floriano martins. 4dashiell hammett e os mistérios da criação literária: um depoimento e um poema. claudio willer. 5dom sebastião - rei de portugal, entidade africana. larissa malty. 6 en la estética de la macintosh: el visual games for words & sounds (juegos visuales para sonidos y palabras) y book of the xxxix (libro de los xxxix escalones) de carlota caulfield (entrevista). tobías wincklemann 7mercedes sosa, la voz de la tierra (entrevista) cristina castello 8o círculo dos homens: kafka e a família. luiz antonio m. magalhães 9otto dix: la tragedia de la modernidad. víctor sosa 10roberto rebora. artista convidado |
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editores
floriano martins & claudio willer projeto gráfico & logomarca
jornalista responsável
conselho editorial
artista plástico convidado
apoio cultural
banco de imagens
os artigos assinados não refletem
necessariamente o pensamento da revista
escreva para a agulha
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