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Adriana Lustosa
Um primeiro
escrito
Como te dizer?!
Rio-me se passas...
Tomo-te
com os olhos (d’água)
e viras fonte.
Tomo-te
com os braços
e viras lago.
Tomo-te
a te soltar por dentro
e fico inerte.
Um segundo
escrito
À primeira vez que li Soares Feitosa
[Thiago], senti vontade de morrer, queria uma chance de nascer de
novo: a poesia me comoveu no mais profundo das águas e me fez poeira
de tudo o que eu sabia.
Preciso de Thiago e das fontes de Thiago;
preciso da poesia como da vida que me vive. Onde encontrar? No
Siarah? No "Almazona"? Na solidão das águas ou no umbigo da terra?
‘Stamos em pleno mar, foi bom avisar: é
possível navegar.
Adriana Lustosa
Poemas da Besta
Como uma ovelha
rondo os pastos da boa vontade
enquanto o pastor
saltando de estrela em estrela
propicia o absurdo:
o abismo que era mudo
engole meu grito
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