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Marco Lucchesi

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Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904) - Phryne before the Areopagus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica: 


Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

William Blake, Death on a Pale Horse

 

Culpa

 

 

 

 

 

 

 

Winterhalter Franz Xavier, Alemanha, Florinda

 

 

 

 

 

Marco Lucchesi


 

Bio-bibliografia


Marco Lucchesi, 39 anos, é carioca, poeta, ensaísta e tradutor. Publicou, dentre outros livros, Sphera, Poemas reunidos (finalista do Prêmio Jabuti em 2002), Os olhos do deserto, A sombra do Amado: poemas de Rûmî (Prêmio Jabuti em 2001), Saudades do paraíso, O sorriso do caos, Teatro alquímico (Prêmio Eduardo Frieiro em 2000), Faces da utopia, A paixão do infinito e Bizâncio (finalista do Jabuti em 1999). Na Itália, publicou Poesie (Prêmio Cilento) e Lucca dentro. Organizou as edições de Jerusalém libertada, de Torquato Tasso, e de Leopardi: poesia e prosa, Artaud, a nostalgia do mais e Caminhos do islã. Traduziu A ilha do dia anterior (finalista do Jabuti em 1996) e Baudolino (finalista do Jabuti em 2002), ambos de Umberto Eco, além de A ciência nova (Prêmio União Latina em 2000), de Vico, Gedichte an die Nacht, de Rilke e Trakl (Prêmio Paulo Rónai), Poemas, de Khliébnikov, Drei Geschichte, de Süsskind, Esboço do julgamento universal, de Foscolo, A trégua, de Primo Levi, Presto con fuoco, de Roberto Cotroneo. Seus poemas foram traduzidos em livro para o alemão por Curt Meyer-Clason, para o romeno por G. Popescu, para o espanhol por Rodolfo Alonso e para o persa por G. Fahmi.

Lucchesi é professor de literatura italiana e comparada na pós-graduação da UFRJ. É membro do Pen Club, da Sociedade Brasileira de Geografia, da Sociedade de Estudos Clássicos, da Sociedade de Literatura Comparada e da Academia Fluminense de Letras. Colabora eventualmente com diversos jornais e revistas, como Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Entre as várias honrarias recebidas estão a medalha da Camera di Commercio di Lucca, o Mérito da União Brasileira de Escritores, a medalha Tiradentes e a medalha Geraldo Bezerra de Menezes.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Riviere Briton, 1840-1920, UK, Una e o leão

 

 

 

 

 

Marco Lucchesi


 

A Poesia de Soares Feitosa




A poesia de Soares Feitosa é fascinante, de uma energia, de um vigor e de uma renovação bastante rara em nosso tempo de brevidades e tolices. Passo à qualidade de leitor e admirador de seus trabalhos.

Quero dizer que fiquei impressionado com o seu livro Psi, a Penúltima. com a sua vis poética, com a sua sensibilidade, tão forte, tão inventiva, tão sentida, tão bela.

O bicho é bom! Um grande abraço do seu leitor.


Marco
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jacques-Louis David (França, 1748-1825), A morte de Sócrates

 

 

 

 

 

Marco Lucchesi


 

De rerum natura


Alheios ao destino
dos mortais 
além das nuvens
claras e sombrias
vivem os deuses
raros nas alturas
livres de enganos
dores nostalgias
da morte vil
que aos poucos nos invade;
da chuva de átomos
em que se evade
indefinidamente
a natureza
em sua eterna
mas avara empresa
de reunir 
os átomos-enxame
seguindo a força rude
do cliname,
compostos provisórios
que se desfazem
noutros repertórios:
estrelas, águas
nuvens, tempestades,
cristais, abelhas,
glórias ou cidades,
e flores, pedras
corpos, consciências 
– figuram
como pálida aparência ...
e acima desse
mundo sempre em guerra
acima
da miragem dessa terra
repousam
esquecidos nos meatos
mais livres
os celestes, mais beatos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marco Lucchesi


 

Teilhardiana


o cristo
da matéria
se apressa
inelutável
para ômega
o rosto
dos vivos
e a sombra
das aves
a palavra
rosa
e seu
perfume
as chamas
do medo
e as águas
lustrais
meu sonho
escuro
teu rosto
claro
meio-dia
e plenilúnio
seguem
fusos
circunfusos
aos mares
irredentos
do todo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Theodore Chasseriau, França, 1853, The Tepidarium

 

 

 

 

 

Marco Lucchesi


 

Dualismo 


Teu rosto é claro se meu sonho é escuro,  
só vens me visitar quando não quero,  
andas perdido quando te procuro,  
se mais confio em ti mais desespero,  
se buscas o passado sou futuro,  
Se dizes a verdade és insincero,  
se temo tua face estou seguro,
se chegas ao encontro não te espero.  
Bem sei que em nosso olhar refulge o nada,  
que somos, afinal, a negação  
mais funda, mais sombria e desolada.  
Como lograr, meu Deus, reparação,  
enquanto segues longe pela estrada,  
de nossa irreparável solidão?

 

 

 

 

 

30/11/2006